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Retrospectiva Hypeness: 10 Inovações de 2013 que podem mudar o mundo

por: Jaque Barbosa

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Dezembro chegou e com ele a certeza de que mais um ano está próximo do fim, apesar da nossa constante sensação de que ele tenha passado rápido demais. Apesar de muito intenso, 2013 foi definitivamente um ano para ficar na memória. Assistimos à revoluções, mudanças no pensamento coletivo, e muitas, mas muitas mesmo, inovações. Para celebrar o final de um ano tão marcante, decidimos fazer uma retrospectiva com inovações que mais mudaram o mundo (para melhor!) em 2013, ou que foram criadas nesse ano e que têm um potencial de transformar o futuro. Eis a primeira parte dela:

– Invasão das impressoras 3D

Nesse ano de 2013, as primeiras impressoras 3D começaram a chegar no mercado no Brasil e no mundo, e ao longo do ano, tivemos vários exemplos de como essa nova tecnologia pode transformar a vida de pessoas, como nos casos abaixo:

Paul McCarthy, é um dedicado pai que inconformado com as limitações físicas do filho Leon, de 12 anos, que nasceu sem os dedos da mão esquerda, criou uma prótese para o filho usando uma impressora 3D. Ele aprendeu tudo através das instruções que encontrou de graça em um vídeo na internet publicado pelo inventor Ivan Owen, que disponibilizou também as medidas e os mecanismos necessários para montar a mão robótica. Usando a impressora da escola de Leon, o pai gastou entre 5 e 10 dólares. Um valor infinitamente mais baixo ao de uma prótese industrial, que pode chegar a 30 mil dólares, graças à invenção original de Owen, onde o movimento de abrir e fechar a mão acontece ao levantar ou abaixar o pulso.

A  história de Kaiba também é um excelente exemplo das maravilhas que cada dia mais farão parte da nossa realidade através das impressoras 3D. Com dois meses de idade, o pequeno Kaiba recebeu um complicado diaginóstico – ele sofria de um problema no aparelho respiratório, mais propriamente na traqueia (traqueobroncomalácia), que impedia o ar de chegar aos pulmões. Internado em um hospital no Michigan, Estados Unidos, ele tinha dificuldade em se alimentar e deixava de respirar todos os dias, sendo constantemente reanimado. Kaiba tinha pouca esperança de vida e os pais, alertados para o fato, recorriam à fé.

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“A maioria dos médicos disse que ele tinha grandes chances de nunca poder sair do hospital”

Mas foi da Universidade local que veio a esperança: uma nova prótese, criada a partir da tecnologia de impressão em 3D, podia salvar a vida de Kaiba, criando condições para ele respirar novamente. Foi isso que aconteceu graças ao trabalho do investigador, professor e médico Glenn Green, em conjunto com um especialista de engenharia biomédica, Scott Hollister. O engenho funciona como uma tala para manter aberta a região da traqueia, o que permitiu operar o bebê. Além disso, não há necessidade de remoção, visto que ele é absorvido pelo corpo, devido aos materiais utilizados.  A vida de Kaiba foi salva com esse procedimento que foi realizado pela primeira vez na história.

Até os animais já se beneficiaram dessa criação humana revolucionária, como o simpático pato Buttercup.  Ele nasceu com a pata esquerda com deficiência –  seu pé esquerdo era virado para trás, o que lhe provocava dores e infeções na pata. Sem forma de contornar o problema, ele foi enviado para o Feathered Angels Waterfowl Sanctuary, nos Estados Unidos, local especializado no tratamento de aves, onde viu sua pata ser amputada, em fevereiro deste ano.

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O desfecho poderia ter sido infeliz, mas a solução chegou para Buttercup: com fotos da pata esquerda de Minnie, a irmã, pesquisadores projetaram uma nova pata para ele. A empresa de impressão 3D NovaCopy fez o resto, doando seus serviços para salvar o patinho. E mais uma vez a tecnologia esteve ao serviço da natureza, e não se sobrepondo a ela.

– Carro voador 

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Todos sabíamos que um dia isso iria se popularizar: com a tecnologia avançando e os carros evoluindo cada vez mais, só faltava mesmo um que voasse. Vários protótipos estão trabalhando nisso e um em particular conseguiu fazer seu primeiro voo. Falamos do Aeromobil 2.5, um automóvel criado pelo designer eslovaco Stefan Klein.

Uma máquina que consegue simplesmente sair da sua vaga de estacionamento, fazer saltar um par de asas e lançar-se nos ares parece coisa de filme. Stefan Klein tem trabalhado nisso nos últimos 20 anos e nesse ano um protótipo revolucionário foi lançado. O Aeromobil 2.5 tem algumas especificações importantes e não parece ter grandes problemas em levantar voo. Ele mantém as asas dobradas na parte de trás (sim, porque pode haver quem queira usá-lo na estrada), que na hora de voar são posicionadas tal como em um avião de pequeno porte comum. Nos céus, o veículo percorre no máximo 700 km’s, curiosamente mais 200 do que consegue fazer em terra. O Aeromobil 2.5 tem uma estrutura feita em formato de treliças que diminui o seu peso para 450 quilos, o que já lhe valeu o apelido de “ultralight”. Esta é a terceira versão do projeto de Klein, que está empenhado em criar carros voadores que possam ir pra o mercado.

– Carne criada em laboratório

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Num mundo cuja população humana está em crescimento desenfreado, a demanda por alimentos cresce proporcionalmente, por isso essa inovação ganhou um espaço na lista. Mark Post, biólogo da Universidade de Masstritch, Holanda, está chamando a atenção por ter criado pela primeira vez uma carne artificial, que foi apresentada em forma de hambúrguer. O objetivo é diminuir a produção de gado de corte, a matança de animais e o impacto ambiental. A carne artificial é feita usando células estaminais de vaca, que são cultivadas com nutrientes e soluções químicas promotoras de crescimento, o que dá origem a milhões de novas células. Elas então formam pequenas tiras de músculo, que são unidas, ficando maiores e formando uma pasta, que é depois congelada e descongelada, pronta a servir. A criação é definitivamente polêmica, mas pode representar uma grande revolução no mercado alimentício do futuro.

– Gel inovador que pode mudar a forma como ouvimos música

O gel transparente que dois cientistas da Universidade de Harvard, Jeong-Yun Sun e Christoph Keplinger, seguram na foto abaixo é um alto-falante que poderá revolucionar a forma como ouvimos música.

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O engenhoso acessório de áudio, feito de um gel quase invisível, tem um sistema ativo de cancelamento de som externo e, graças a algumas inovações científicas, permite que o som saia com uma clareza e uma qualidade inéditas. O segredo das melhorias é que a reprodução é feita por meio de condução iônica, ao contrário dos atuais dispositivos, com condutores de cobre. Assim, os íons se movem por toda a estrutura, o que faz com que seja possível esticar o gel sem que a qualidade do som diminua.

E se o grande problema da condução iônica era a fraca resistência a alta tensão, esta equipe solucionou a questão com uma folha de borracha que serve como isolante. Assim, quando uma corrente elétrica forte passa pelo gel, a borracha se contrai e vibra, sendo reproduzidos sons com frequências entre os 20 Hz e os 20 kHz, ou seja, tudo o que o ouvido humano consegue captar. O gel utilizado pelos especialistas é feito à base de água salgada e o som reproduzido pode melhorar a experiência dos usuários, principalmente os maiores fãs de música, em termos de qualidade e maleabilidade.

– O Google Glass e a transformação na vida dos deficientes

O Google Glass ainda nem chegou ao mercado, mas o mundo todo aguarda ansiosamente a sua chegada que promete transformar a forma com a qual lidamos com a tecnologia no nosso dia-a-dia. Dentre todas as funcionalidades do novo gadget, uma delas merece destaque na lista pois já tem causado revolução: o impacto do Google Glass na vida de pessoas com deficiências. Tammie Van Sant e Alex Blaszczuk são dois exemplos de pessoas que já tiveram suas vidas absolutamente melhoradas por sua causa.

A primeira cresceu na Califórnia, por entre árvores e cavalos, explorando as montanhas e florestas que a envolviam. Um brutal acidente mudou a sua vida, no caminho do trabalho para casa em um dia chuvoso – um choque com outro veículo causou um impacto que quebrou seu pescoço. Desde então, Tammie ficou paralisada do peito para baixo. Durante quase 20 anos, ela deixou de poder fazer coisas que pra gente são cotidianas, como atender o telefone, escrever no teclado ou tirar fotos. Até que, depois de uma longa busca por tecnologia que a pudesse ajudar, ela ficou sabendo que estavam selecionando pessoas para testar o Google Glass e ele se inscreveu e obteve o direito de usá-lo.

O Google Glass me deu todo um novo mundo. Hoje, com 52 anos, ela faz tudo o que, durante 18 anos, achou não ser mais possível. “Eu não posso nem descrever o quão incrível é. Eu posso atender o telefone e realmente ouvir a pessoa do outro lado e ela pode me ouvir. Quando eu recebo uma mensagem, eu posso ler o que diz o texto e responder”. Simples assim.

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Alex Blaszczuk é outro caso de sucesso: com apenas 26 anos, um acidente de carro a deixou na mesma condição que Van Sant. O equipamento de alta tecnologia foi o que restaurou parte da sua vida. Mesmo sabendo que a deficiência não será corrigida, o envolvimento com o exterior e o ganho de confiança são importantes para Alex. O Google seguiu a jovem por um acampamento que ela fez com amigos, e com o Google Glass, e documentou a experiência em vídeo. Assista abaixo:

– Pavimento inteligente que capta luz de dia e ilumina a cidade de noite

Pode ser fundamental pra resolver dois problemas das cidades: a iluminação pública e o consumo de energia. Starpath é o nome deste produto inovador, que consegue absorver energia dos raios ulta-violetas de um lugar durante o dia para depois os liberar de noite.

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O produto é uma criação da empresa britânica Pro-Teq e já está sendo usado numa pequena trilha em Cambridge, Reino Unido, no Christ’s Pieces Park. A quantidade de luz emitida pelo Starpath (que em português podemos traduzir para “caminho das estrelas”) depende da força e duração da exposição solar do lugar onde está instalado. Brilhando no escuro, esta inovação pode ser usada em qualquer superfície de pavimento.

Além da economia de energia e do aumento da visibilidade que oferece, o Starpath é ainda antiderrapante e resistente à água, o que melhoraria também a questão da segurança, reduzindo os custos humanos e financeiros, públicos, de acidentes.

– Chuva sólida que pode ser uma solução para o problema da seca

A água é um bem precioso, todos sabemos. Mas geralmente sentimos a falta dela em situações onde ela acaba, seja no encanamento da sua rua ou no bebedouro. Mas nas lavouras, plantações inteiras podem morrer caso não chova. E, segundo a ONU, 92% da água doce do planeta é consumida para fazer irrigação do solo.

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Ou seja, temos um problema iminente. Mas Sérgio Jesus Rico Velasco, um engenheiro químico do Instituto Politécnico Nacional do México, criou um pó de “chuva sólida”, que é um produto que tem a capacidade de absorver uma grande quantidade de água e ir liberando no solo aos poucos, ao longo do tempo, mesmo durante a seca. A chuva sólida nada mais é que um pozinho branco constituído por uma substância química chamada poliacrilato de potássio, que é capaz de absorver até 500 litros de água retidos em forma molecular para cada kd desse pó. Segundo algumas plantações que já o utilizam, chega a aumentar em 300% a produtividade da colheita.

– Garrafa portátil que deixa a água do mar potável

Uma invenção incrível que pode solucionar alguns dos mais graves problemas mundiais e que também. Um grupo de quatro estudantes de uma universidade na Coréia do Sul criou uma garrafa que é capaz de eliminar o sal e outras propriedades da água do mar, transformando-a assim em água potável. Tudo em um só recipiente. Dá pra imaginar a utilidade da pequena garrafa portátil, batizada de Puri, em situações de acidente em alto mar, como naufrágios, em que o resgate é feito muitas vezes em condições difíceis. Para não falar na questão da escassez de água potável em muitas regiões espalhadas pelo mundo. Tornar os oceanos ‘bebíveis’ representaria uma enorme mudança.

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Younsun Kim, Kangkyung Lee, Byungsoo Kim e Minji Kim são os nomes dos alunos da Universidade de Yonsei responsáveis pelo protótipo que, claro, já concorre a importantes prêmios e está chamando a atenção da comunidade científica. O Puri facilita a vida do usuário, que só precisa bombear a água salgada para uma câmara de filtragem, dentro da garrafa, que vai dessalinizar o líquido e enviá-lo para uma câmara interna, onde a água já potável é armazenada.

 9 – O sabonete capaz de repelir o mosquito da malária

A malária é uma das doenças mais comuns em regiões subdesenvolvidas e na África essa doença se alastra mais facilmente, pela falta de saneamento básico. Por isso, e pensando em como ajudar, inicialmente, os moradores de Burkina Faso e Burundi, os estudantes africanos Moctar Dembele e Gerard Niyondiko desenvolveram um sabonete capaz de repelir o mosquito da malária, apelidado de “Fasoap”.

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Os dois são estudantes do Instituto Internacional de Água e Engenharia Ambiental e apresentaram o sabonete especial durante um concurso realizado pela Universidade de Berkeley, na Califórnia. O produto é feito à base de ervas e ingredientes naturais fáceis de encontrar na região, como a manteiga de Karité e óleos essenciais, e rendeu aos estudantes um prêmio de U$ 25.000, que por sinal será usado na fabricação do produto em larga escala.

Eles ainda não revelaram o segredo da fórmula, mas o produto começará a ser comercializado em 2015, e o valor obtido no prêmio está sendo usado para otimizar o produto, afim de que o custo dele fique mais acessível à população que precisa. Um outro detalhe super importante é que até quando alguém usa o Fasoap durante o banho, a água residual passa a conter substâncias que impedem o desenvolvimento de larvas e mosquitos.

10 – Pavimento que absorve a poluição

Era disto que todo mundo precisava para finalmente reduzir o custo ambiental provocado pelos carros e caminhões. A invenção vem de Eindhoven, na Holanda, e consiste em uma substância especial que poderia ser colocada nas estradas para absorver a poluição. Assim seria possível diminuir a concentração de gases poluentes. Então qual o problema? O preço deste pavimento fotocatalítico, que sobe em 50% comparando com o pavimento normal.

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Ainda assim, China, África do Sul e Estados Unidos mostram interesse na aquisição desta inovação, que já vai sendo testada na cidade holandesa de Hengelo. Uma repórter da BBC foi conhecer a localidade e os cientistas responsáveis.

E então, lembrou de outra inovação criada em 2013 que merece estar na lista? Deixe nos comentários que ela pode entrar nos próximos posts da Retrospectiva Hypeness!

 


Jaque Barbosa
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