Seleção Hypeness: 10 projetos que usam o poder mobilizador do futebol para mudar o mundo

O esporte mais popular do planeta terá o Brasil com palco principal a partir dessa semana. Não haveria, portanto, momento mais pertinente para ir além das quatro linhas e divulgar aqui no Hypeness uma lista de ações que extrapolaram o jogo e o entretenimento e que vêm incentivando mudanças sociais, suprindo deficiências e promovendo avanços extraordinários mundo afora.

Os projetos listados na Seleção Hypeness da semana usam o futebol para resolver uma série de questões sociais urgentes, tais como prevenção do HIV, educação, acessibilidade, construção da paz, empregabilidade e igualdade de gêneros. Vale a pena conferir:

1) O primeiro passo para uma revolução científica – Nessa próxima quinta-feira, 12 de junho, o neurocientista Miguel Nicolelis fará com que um paciente paraplégico caminhe na Arena Corinthians e dê o pontapé inicial da Copa do Mundo. O projeto Andar de Novo consiste em uma estrutura robótica comandada pelo cérebro do paciente. Com ele, abrem-se novos caminhos de pesquisa nas áreas de reabilitação e melhora na qualidade de vida de pacientes portadores de doenças que geram paralisia.

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2) A Copa do Mundo que não tem o padrão FIFA – Entre os dias 1 e 12 de julho, o Futebol de Rua – aquele jogado nos terreirões e campinhos improvisados em todos os cantos do país – ganha destaque na cidade de São Paulo. Trezentos jovens e adolescentes de todos os continentes chegam à capital paulista para participar do Mundial de Futebol de Rua. Serão 28 delegações de 24 países, que ficarão hospedadas em 6 CEUs (Centro de Educação Unificado), localizados em bairros da periferia paulistana. Durante todo o evento, estes centros vão receber atividades culturais e debates entre os jovens das diferentes nações em articulação com as comunidades do entorno.

3) A bola de futebol que gera energia elétrica – sOccket é uma bola de futebol que transforma a energia contida no chute em eletricidade. Desenvolvida pela Uncharted Play, a bola, depois de 15 minutos de pelada, armazena eletricidade suficiente para carregar a bateria de um smartphone por três horas. O gerador dentro da sOccket funciona com uma tecnologia de bobina indutiva – parecida com aquela das lanternas que acendem quando são chacoalhadas – mas aqui, em vez de chacoalhar, você chuta.

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4) Meninas em campo resgatando seu orgulho – Partindo do pressuposto de que o futebol tem a capacidade de construir líderes, sobretudo ao quebrar as barreiras de gênero, o SEGway Project (Soccer Empowering Girls Worldwide & You) capta doações para patrocinar meninas do Nepal, Quênia e do Camboja. Vale ressaltar que nessas regiões as meninas chegam a casar antes dos 15 anos e são submetidas desde então a uma desgastante rotina doméstica. O patrocínio contempla, por um ano, uniforme, todo o equipamento de jogo, transporte, alimentação e intercâmbio com jogadoras da liga profissional dos Estados Unidos.

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5) A bola indestrutível que alimenta sonhos – Pop Foam é uma borracha ultra resistente criada para revestir bolas especiais doadas para meninos e meninas jogarem futebol em zonas de guerra. Estima-se que cada uma dure 30 anos sem apresentar alterações no formato e no volume, independente do terreno ou das situações a que ela seja exposta. Mensalmente, dois contêineres carregados dessas bolas são enviados para a África e para a Ásia por meio de doações arrecadadas pela One World Futbol Project.

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6) Estimulando sonhos futebolísticos na África – O projeto DreamFields, capitaneado pelo radialista John Perlman, tem como objetivo levantar recursos que incentivem a prática do futebol em pequenas cidades e escolas rurais na África do Sul. Uma das principais ações é a produção de “dream bags”, que são, na verdade, kits com bolas, chuteiras, camisas numeradas, shorts e meiões. Além disso, os organizadores promovem campeonatos – dream events – e a construção de campos – dream fields – para a prática do esporte.

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7) Dos gramados para a sala de aula – O programa Virando o Jogo da Fundação Gol de Letra, capitaneada pelos ex-jogadores Raí e Leonardo, é uma referência nacional de boas práticas na área de responsabilidade social. Atende a cerca de 240 crianças de 7 a 14 anos e 32 adolescentes de 15 a 21 da Vila Albertina (região norte de São Paulo), com oficinas diárias de Artes Plásticas, Dança, Teatro, Música, Capoeira, Leitura e Escrita, Mediação de Leitura, Brinquedoteca, Informática e Educação Física, sempre no contraturno escolar.

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8) Entrando em campo contra o HIV – Como fazer para que crianças e adolescentes de regiões menos favorecidas economicamente passem a adotar hábitos preventivos em relação ao HIV? Literalmente, entrando no meio do jogo deles. A proposta da Grassroot Soccer é justamente dar subsídios para que técnicos de futebol e professores de escolinhas de bairro treinem seus times também para superar essa terrível ameaça. Mas nada de palestras ou coisas do gênero. A proposta é totalmente interativa. Em uma atividade chamada ‘Campo de Risco’, por exemplo, os jogadores precisam driblar uma bola de futebol entre cones que representam riscos como múltiplos parceiros, abuso de drogas e álcool, entre outros. A organização já firmou parcerias efetivas com mais de 30 organizações públicas e privadas em todo o mundo.

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9) A liga de futebol para jovens de Uganda – A Kids League organiza programas de futebol para os jovens desfavorecidos em zonas de conflito de Uganda. Voluntários da comunidade são treinados como árbitros, treinadores e administradores. Muitas vezes, os pais ou responsáveis pelas crianças participam em vários aspectos da execução do programa.

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10) O futebol também corre nas nossas veias – Fechamos essa lista com um clássico. A campanha “Meu Sangue é Rubro-Negro” do Vitória, concebida pela Leo Burnett, representa um marco na publicidade nacional. O time substituiu as faixas vermelhas de seu uniforme por faixas brancas que só voltariam a ter a cor tradicional conforme fossem feitas doações de sangue no Hemoba -Hemocentro da Bahia. A campanha foi um sucesso arrebatador e conquistou em 2013 dois leões de ouro e dois de prata no Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions, no sul da França. Desde então, o modelo exemplar foi adotado por vários outros clubes do Brasil e representa uma contribuição monumental para os estoques de sangue dos hemocentros.

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