Fotografia

Página inspirada na famosa “Humans of New York” conta as histórias dos moradores de São Paulo

por: Bruna Rasmussen

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Por trás de cada rosto na multidão há uma história, um medo, um orgulho, uma vontade. O projeto Humans of New York fotografa anônimos pelas ruas de Nova York e revela ao mundo um pouco mais sobre pessoas que estão longe dos holofotes, mas que merecem ser ouvidas.

A página, que possui mais de 8 milhões de curtidas, e que se tornou referência no Facebook, inspirou o surgimento de muitas outras. Cidades como Boston (EUA), Amsterdã (Holanda) e Paris (França) já ganharam a sua e, agora, foi a vez de São Paulo contar sua história com a Humans of São Paulo.

Uma das primeiras do tipo no Brasil, a página segue os mesmos moldes da original: um retrato anônimo e um trecho da conversa, que pode abordar sonhos, medos, “causos” e arrependimentos. A Humans of São Paulo traz registros sobre músicos, estrangeiros, casais apaixonados, pessoas excêntricas e pessoas comuns – cada qual com seu encanto.

Conheça o projeto e algumas das histórias já compartilhadas:

Humans of São Paulo

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“Acho que o que me entristece é quando me destratam pelo jeito como me visto ou ajo. Especialmente em família, sabe? Eu percebo cochichos, olhares, mas ninguém é direto comigo. É complicado quando acham que você se veste como uma puta mas ninguém tem a decência de falar na sua cara.”

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“Eu moro no Brasil há 7 anos e eu gostaria de deixar um recado: nunca deixem de ser assim. Sempre dizem que o melhor do Brasil é o brasileiro, e há 7 anos eu vejo que é verdade. Eu moro em São Paulo e o trânsito é ruim, os preços são altos, mas o povo é prestativo e de ótimo coração, coisa que não se compra. Vocês deviam se orgulhar mais do país, e de vocês mesmos principalmente.”

Humans of São Paulo

“Qual é o seu sonho?”
“Ser biólogo.”
“Sério?”
“Não parece, né? Eu já ouvi muito disso, e já teve gente mais direta ainda, dizendo que gente como eu não serve pra ser cientista. Mas se eu me visto assim é por conta de como cresci e quem eu sou, e não acho que devo deixar isso de lado pra realizar meus sonhos.”

Humans of São Paulo

“Eu já tenho idade pra me aposentar, mas prefiro continuar trabalhando. Trabalho pode ser algo que te estresse, mas é também a melhor forma de manter a pessoa ativa. As pessoas sabem que uma máquina enferruja sem uso, então por que não cuidam do seu corpo e do seu cérebro com frequência também? A gente enferruja também, sabe. Todo mundo envelhece, mas só o inativo fica realmente velho.”

Humans of São Paulo

“Qual o momento mais triste da vida de vocês?”
“Acho que quando a namorada dele morreu. Estávamos na Augusta, saindo de uma peça e, quando ela tentou atravessar a rua, um ônibus pegou ela em cheio, bem na nossa frente. É uma coisa impossível de se tirar da mente.”
“E o momento mais feliz?”
Juntos: “Agora.”
“Acho que agora né, sempre vai ser o melhor momento de todos. Qual outra hora melhor pra ser feliz?”

Humans of São Paulo

“Eles estavam dançando quando pedimos pra tirar a foto, e automaticamente pararam encabulados. Depois que nos afastamos ele tentou retomar a dança e ela ficou abraçada a ele com vergonha, mas acho que ele não se importou muito.”

Humans of São Paulo

“Eu sou de Londres, mas vivo onde eu tiver tocando música. Se sentir que não devo mais ficar em um lugar, é hora de me mudar.”
“E onde você mora agora?”
“São Paulo, mas porque aqui ninguém cansa de música. Estou fazendo um documentário sobre minha vida itinerante, então vou ter de sair daqui logo mas, honestamente, daria pra continuar aqui pra sempre. São Paulo é pra arte tanto quanto eu sou pro mundo.”

Humans of São Paulo

Quando pedimos pra tirar foto dele e dos seus filhos, notei que o nome de um deles era bem diferente.
“Desculpe, como é o nome dele?”
Amanari. Significa ‘água da chuva'”
“Que legal. Por que Amanari?”
“Porque o nome de uma pessoa tem poder, e eu quero que meu filho seja mais próximo da mãe natureza. Eu tentei mudar o nome da minha menina mas já era tarde, ela não quer outro nome.”

Todas as fotos © Humans of São Paulo


Bruna Rasmussen

Bruna escreve para a internet desde 2008 e tem paixão por consumir informação e descobrir coisas. Adora gatos, inovação e é curitibana – fala “duas vinas”, mas dá “bom dia” no elevador.

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