Entrevista Hypeness: o projeto que está espalhando gentileza pelas cidades do Brasil

Há cerca de um ano, o Hypeness contou a história de um morador de rua que, quando recebia esmola de uma mulher, acabou ganhando um anel de diamantes por acidente. A mulher estava oferecendo uma moeda quando o anel caiu sem que ela se apercebesse. Billy, o morador de rua, não teve dúvidas e devolveu o que não era seu. A atitude correu o mundo (relembre a história aqui).

Renata Stort, Ana Carol Thomé e Carlos Alberto consideram que ser gentil e honesto deveria ser algo rotineiro, natural e não motivo de capas de jornal. A ação de Billy, como a de muitos outros, é louvável, mas por que não trazer isso para o dia a dia? Assim nasceu a Doe Sentimentos, “uma ação feita por pessoas que acreditam na gentileza” e que consiste em oferecer às pessoas na rua um momento feliz, por entre a correria e o caos da cidade.

“Já imaginou você parar no semáforo e aparecer alguém para te oferecer um coração? E esse coração ser de graça, apenas desejando um sorriso em troca?”. É isso que a Doe Sentimentos tem feito por várias cidades do país, desafiando as pessoas a refletir sobre a importância da gentileza e aquilo que ela nos oferece de volta. O semáforo é o símbolo da vida atarefada e corrida que levamos, um lugar onde a pressa de partir (seja de pedestres ou motoristas) é maior que a vontade de parar.

O Hypeness foi falar com os organizadores e descobriu mais sobre o projeto:

Hypeness (H) – Qual o poder da gentileza? O que ela pode fazer por nós?

Doe Sentimentos (DS) – Quando você é gentil, você faz pelo outro aquilo que você gostaria que fizessem por você. É uma atitude nobre e de reciprocidade: Quando sou gentil com o outro, estou sendo gentil comigo. É uma maneira de tornar tudo a nossa volta melhor, mais fácil. Se eu sou gentil com alguém e ele não é comigo, não tem problema! A gentileza também tem o poder de gerar reflexão. Gentileza é uma atitude que se ensina e se aprende ao mesmo tempo.

H – Falta gentileza no nosso cotidiano ou as pessoas estão aprendendo a pensar mais nos outros e nas pequenas coisas?

DS – Não é que falta gentileza. Ser gentil é algo que se aprende de berço, com exemplos, e em todos os lugares. Desde pequenos ouvimos a frase: “não fale com estranhos”, e levamos ela muito a sério. Tamanha seriedade que crescemos sem falar com ninguém a ponto de precisamos reaprender a ser gentil. Se crescemos num ambiente gentil, a gentileza se torna um hábito.

H – Por que decidiram oferecer um coração?

DS – O coração foi escolhido por ser um símbolo universal. Qualquer pessoa que ve um coração, sabe que ele representa o amor, bondade, bons sentimentos. O coração também é um formato que pode ser reproduzido de diferentes formas: cotura, crosche, origami, recorte e colagem, argila! Já recebemos corações de muitos materiais diferentes e feitos de maneiras muito criativas!

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H – Qual a reação das pessoas que o recebem? Como tem sido o feedback às ações?

DS – Quem recebe fica surpreso! Muitos querem pagar com dinheiro, mas nossa resposta é que o pagamento é um sorriso! E recebemos muitos em troca do coração e um bom dia. Junto com os corações entregamos um cartão com informações sobre a ação. Muitas pessoas que receberam, hoje estão participando conosco, seja confeccionando ou distribuindo nos semáforos. Nas redes sociais, recebemos mensagens de pessoas que foram surpreendidas pelas ruas. Elas escrevem agradecendo, que adoraram a experiência. Também já recebemos relatos de pessoas que não estavam tendo um dia tão bom, e o coração junto com as palavras de bom dia vindas de um estranho, fizeram a diferença e trouxeram esperança.

H – Qualquer pessoa pode participar e doar seu próprio coração?

DS – Sim! Quando a ação foi criada pensamos em algo em que todos pudessem participar, sem nenhuma restrição, queremos uma ação universal. Quem quer fazer corações e nos enviar, pode. Quem quer distribuir os corações conosco nas ruas, pode. Quem quer participar de oficinas, pode. Cada um faz o que pode, de acordo com seus limites e possibilidades. O sentimentos de quem faz, somados aos sentimentos de quem entrega, tornam o coração ainda mais poderoso. Todos estão convidados a espalhar gentilezas pelas ruas com a gente!

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H – É possível manter um projeto assim sem recursos financeiros? Todas as pessoas envolvidas no projeto são voluntárias?

DS – Todos que estão envolvidos na ação são voluntários. Temos alguns custos para realizar cada ação, e temos apoiadores que nos ajudam. Nós não recebemos doações em dinheiro, mas há quem doe os cartões que são distribuidos com os corações, as faixas que informam o trânsito o que está acontecendo, materiais para confecção de corações.

Recentemente participamos de uma campanha de financiamento coletivo no Catarse, para custear ações que acontecem em outros estados (transporte), e algumas despesas administrativas, como caixa postal, site. Quando a ação acontece em outras cidades, alguém sempre abre as portas para nos hospedar.

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H – Por onde anda e por onde vai andar em 2014 o Doe Sentimentos?

DS – Em 2014 já estivemos em São Bernardo do Campo e Santo André/SP, Aracaju/SE, Ribeirão Preto/SP, Lisboa/Portugal. Ainda estaremos em agosto em Araraquara/SP e no Rio de Janeiro (dia 31 de agosto).

H – Quais os planos para o futuro do projeto?

DS – Queremos fazer a ação acontecer cada mês em uma cidade diferente. Queremos que cada pessoa que recebe um coração reflita sobre a importância da gentileza para ele e para todos. A mudança do mundo começa em nós.

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A Banda Simplesmente Almas compôs uma música, chamada “Eu acredito na gentileza” a pensar na campanha da Doe Sentimentos e com imagens das ações que já aconteceram. Vale a pena ver:

Para saber mais sobre o projeto, siga o site ou o Facebook.

Todas as fotos © Doe Sentimentos

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