Entrevista Hypeness

Entrevista Hypeness: o casal brasileiro que está viajando o mundo sem dinheiro

por: João Diogo Correia

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Natale Pellegatti, 26 anos, e Mariélli Pahim, 25, são brasileiros e viveram desde sempre em São Paulo, onde começaram a sentir os primeiros sinais de desconforto – os hábitos de consumo da sociedade, a atração pelo dinheiro, a pobreza, a fome, um mundo à volta que se destrói, seja em recursos naturais ou em diversidade de culturas e populações, “sintomas de um problema muito maior”. Faltava amor e eles queriam dá-lo para o mundo, só não sabiam como. E foi assim que se renderam à arte do desapego.

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12 meses na Austrália, 3 meses na Nova Zelândia, 2 meses em Tonga e agora vivendo em Fiji, o casal que não usa dinheiro (“e quando dizemos sem dinheiro, dizemos completamente sem dinheiro”, reforça Natale) acredita que o amor chega. Começaram estudando sobre permacultura em escolas, fazendas orgânicas e comunidades, fizeram trabalho voluntário em agroflorestas, ensinaram o que aprenderam sobre permacultura na construção de uma horta comunitária em Tonga e agora estão ajudando um café/fazenda orgânica e uma escola Waldorf em Fiji. Com isso, a comida, acomodação ou caronas “aparecem naturalmente”, como uma retribuição pela ajuda que eles dão. “Tudo tem sido muito simples”, garantem.

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O Hypeness quis conhecer melhor Natale e Mariélli e se surpreendeu com as respostas. Vem ler:

Hypeness (H) – A pergunta é inevitável: como é possível viajar ou, mais ainda, viver sem usar dinheiro? O programa WWOOF ajuda, mas e sem ele?

Natale e Mariélli (NM) – Durante muitos anos, o homem viveu e viajou sem dinheiro. O dinheiro é uma tecnologia recente na história da humanidade. Através de uma vida simples, uma conexão com a Natureza e um entendimento da vida em comunidade foi perfeitamente possível ao ser humano viver sem dinheiro. Tudo que lhe era necessário (alimento, abrigo, fibras, água, energia, etc.) provinha da Natureza e tudo era feito em comunidade.

Estes 3 fatores que permitiram uma vida sem dinheiro antigamente – simplicidade, conexão com a Natureza e comunidade – são o que nos tem permitido viver sem dinheiro hoje.

Por exemplo, cada um de nós tem uma mochila de 40L, o que nos permite ter apenas o necessário: um par de tênis, um chinelo e algumas mudas de roupas. Não temos celular e máquina fotográfica. Todos os nossos registros são feitos através de desenhos e poesias. Praticamente todo nosso alimento vem diretamente da terra e cada dia mais aprendemos a observar e fazer uso daquilo que a Natureza nos fornece, sempre com respeito e honra. E nada do que nós fizemos até hoje seria possível sem a ajuda de todas as pessoas que cruzaram nosso caminho de alguma forma. Pessoas que nos receberam em suas casas, que nos deram caronas em seus carros e barcos, que nos ofereceram comida, que nos ensinaram algo ou que nos deram muito amor ou simplesmente um sorriso. Isto é viver em comunidade. Todos se ajudam da forma que podem. Ao contrário do que muitos pensam, viver sem dinheiro não se trata de ser independente, mas de viver em comunidade.

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Mas, sem dúvida, viver e viajar sem dinheiro envolvem aspectos diferentes.

Viajando, nós estamos sempre nos movimentando e, com isso, estamos sempre em lugares diferentes com pessoas diferentes. Em pouco tempo temos que nos adaptar a um novo meio ambiente e criar novos laços. Mas nós acreditamos que o fato de estarmos vivendo sem dinheiro tem nos ajudado a construir relacionamentos muito mais fortes e sinceros. Por todos os lugares que passamos, nós criamos uma família!

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Viajar, com ou sem dinheiro, envolve a questão do transporte. A forma que nós escolhemos para viajar sem dinheiro foi através de caronas. Nestes 18 meses nós pegamos infinitas caronas, em diferentes países, curtas e longas distâncias, por terra e por mar, e tivemos a oportunidade de conhecer as pessoas mais incríveis, cada um com uma história única para compartilhar. O maior desafio foi cruzar oceanos, mas que foi possível pegando caronas em barcos veleiros.

E, por fim, a burocracia que existe para entrar em diferentes países. Este é o fator que tem se mostrado mais difícil até agora, pois envolve uma elite política que não tem nenhum interesse em um mundo não monetário.

O programa do WWOOF, no nosso ponto de vista, está dentro do viver em comunidade. Envolve um grupo de pessoas que precisa de alguma forma de ajuda e um outro grupo que está disposto a ajudar. Com certeza tem contribuído bastante para a nossa jornada, afinal de contas cobre as necessidades básicas de alimentação e abrigo, além do trabalho estar relacionado com algo em que realmente acreditamos. Mas, nestes 18 meses, foram poucas as vezes que nós precisamos do WWOOF. As coisas acontecem simplesmente por estarmos vivendo a vida. Achamos que por estarmos vivendo seguindo o caminho do coração, sempre estamos nos lugares certos, no momento certo e conhecemos as pessoas certas. Por exemplo, quando chegamos em Tonga, não conhecíamos ninguém e, de repente, estávamos vivendo em uma vila e ajudando a comunidade a desenvolver uma horta comunitária com princípios de permacultura e agricultura orgânica.

H – Como as pessoas reagem à ideia?

NM – As pessoas reagem de diferentes maneiras. Muitas pessoas não entendem quando dizemos que vivemos sem dinheiro, como por exemplo, o Dr. José Marcos (pai do Natale), que até hoje insiste para comprarmos uma máquina fotográfica. Mas a maioria das pessoas admira a ideia e a coragem que tivemos de escolher este caminho. Elas não entendem em um primeiro momento, mas ficam curiosas e, depois de infinitas perguntas, ficam surpresas de como é possível viver desse jeito. No fim, sempre oferecem ajuda de alguma forma (algumas vezes, dinheiro!) e nos motivam a continuar.

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H – Qual foi o momento em que decidiram que iam fazer isto?

Natale – Foram momentos diferentes. Durante muitos anos, eu estive desiludido com os hábitos conservadores e consumeristas da nossa sociedade e, inspirado muito por Gandhi e Patch Adams, sonhava em espalhar amor pelo mundo. Eu não sabia como ou de que forma poderia fazer isso.

Eu pensei em viver sem dinheiro pela primeira vez depois de ler os livros “Sacred Economics”, de Charles Eisenstein, e “The Moneyless Man”, de Mark Boyle. Mas quando eu decidi que realmente iria fazer isto, foi com base em uma observação principal: a maioria do sofrimento e destruição no mundo – fazendas industriais, destruição de florestas, extinção de espécies, esgotamento de recursos naturais, pobreza, fome, extermínio de populações indígenas e suas culturas – eram sintomas de um problema muito maior. Somente alguém completamente sem consciência da sua própria conexão com o resto da vida neste planeta poderia se comportar da maneira como nós nos comportamos. E somente alguém rodeado por distrações muito poderosas poderia não sentir as cicatrizes que este comportamento estava causando. O dinheiro não estava apenas permitindo nos vendar contra os resultados horrorosos dos nossos hábitos de consumo, mas estava sendo a distração mais poderosa de todas. E eu precisava fazer algo.

Mariélli – Eu, depois de ter vivido fora do Brasil por um ano, estava com o coração gritando por mudanças. Tinha a consciência de que havia muita coisa errada e o que mais estava me incomodando eram os hábitos de consumo da nossa sociedade. Foi através das pessoas mais próximas, que eu pude enxergar o que estava acontecendo. Todos falavam muito em mudanças e revolução, mas não enxergavam que as principais coisas em que eles colocavam sua energia (principalmente através do dinheiro), eram justamente aquelas que eles estavam lutando contra. Eu queria fazer alguma coisa, mas ainda não sabia como começar ou o que fazer. Até então, nunca tinha passado pela minha cabeça viver sem dinheiro.

Tinha acabado de voltar para o Brasil quando conheci o Natale (que em uma semana estava indo para Austrália). Nosso encontro foi mágico! Desde a primeira conversa, tivemos uma conexão tão grande que passamos todos os dias dessa semana juntos. Parecia que estávamos em busca das mesmas coisas e que o Universo tinha nos colocado juntos naquele momento para que pudéssemos viver isto que estamos vivendo hoje.

Depois de dois meses estava na Austrália e, sem perceber, vivendo sem dinheiro com ele.

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H – Encaram isso como uma experiência ou como um modo de vida?

NM – Talvez um pouco dos dois. Uma experiência que estamos vivendo agora mas que, sem dúvida, pode ser a base para um modo de vida, com ou sem dinheiro.

H – Nunca sentiram ansiedade por causa dessa opção? Ou não ter dinheiro é, afinal, mais libertador do que qualquer outra coisa?

NM – Não ter dinheiro significa simplesmente viver a vida. Tem sido um grande aprendizado para vivermos o momento presente e o momento presente é libertador. As únicas preocupações que temos que ter (na maior parte do tempo) são extremamente simples: comida e abrigo. E ambas acontecem no presente. Assim nossa mente não oscila entre o passado e o futuro.

Com o passar do tempo, nós temos cada vez mais nos entregado ao fluxo orgânico da vida. Nós percebemos que todos os dias conseguimos aquilo que precisamos e com essa experiência sendo repetida diariamente, nós nos preocupamos cada vez menos com o dia seguinte. O nosso subconsciente percebe que, no fim, tudo vai dar certo, de alguma forma ou de outra.

E uma outra coisa muito importante é aceitar aquilo que a vida nos oferece e entender que tudo aquilo que temos é o que precisamos para aquele momento.

Mas algumas vezes sentimos sim ansiedade, principalmente por conta da burocracia de um mundo que cada vez mais cria fronteiras entre nós. A divisão sociopolítica do mundo moderno cria indivíduos nacionalistas e não vê a humanidade como uma grande família. Sempre que chegamos em um país novo somos vistos apenas como recursos para estimular a economia e temos um tempo limitado para permanecer no país. Isso gera uma ansiedade para encontrar barcos, pois pegar caronas em veleiros não é tão fácil como pegar caronas por terra.

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H – O que acham que está errado na forma de vida das sociedades atuais?

NM – No nosso ponto de vista, o significado equivocado do ‘ser’ é a raiz da maioria das nossas atuais crises pessoais, sociais e ecológicas. E o dinheiro é instrumental para manter e afirmar esta ilusão.

A cultura moderna tem desenvolvido e encorajado um sentido do ‘ser’ que, de maneira implícita, nega nossas conexões integrais e interdependentes com o todo e o resultado disso nunca foi tão claro: desmatamento, desertificação, extinção das espécies, poluição da água e do ar; aumento nos índices de câncer, asma, diabetes, doenças do coração e obesidade; aumento nos índices de suicídio, depressão, uso de drogas e violência; culto a celebridades, obsessão a beleza física e medo da morte. Tudo isso é extremamente doentio e acreditamos vir diretamente de pessoas que estão perdidas no seu auto-entendimento, desconectadas da Natureza, de suas comunidades e de suas fontes de conhecimento e sendo terrivelmente mal conduzidas sobre o seu lugar no mundo.

A redução da vida a um estado vazio de preocupação financeira é somente possível através do uso de algo abstrato e sem significado como dinheiro. O dinheiro torna a vida tão fácil porque não temos que pensar. Não precisamos questionar de onde vem os milhares de iPods que são consumidos diariamente ou como é possível encontrar morangos no supermercado em qualquer época do ano.

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Mas a nossa vida é a nossa mensagem. Nós estávamos cansados de falar ou de simplesmente ouvir as pessoas falando em mudança e revolução. Nós queríamos viver aquilo que acreditávamos. Assim como Gandhi, acreditamos que o exemplo e a educação são as melhores formas de transformação.

Existe um grande abismo entre o que as pessoas falam e o que elas fazem. As pessoas são tão manipuladas que não percebem que os seus hábitos diários e tudo aquilo que elas consomem faz com que, na realidade, estejam estimulando aquilo que estão mais criticando. Não adianta falar em revolução e continuar consumindo todos aqueles produtos empacotados do supermercado e tomando a sagrada Skol de toda sexta-feira.

E é neste contexto que surge a ideia da permacultura. Também conhecida como revolução silenciosa, ao invés de focar no que está errado com o mundo e com o que ‘eles’ deveriam fazer, foca no que podemos fazer para sermos mais auto-suficientes e menos dependentes em distantes e centralizados recursos de água, comida e energia. Em outras palavras, busca auxiliar em uma transição de consumo ignorante para a produção responsável, focando nas oportunidades ao invés dos obstáculos.

Nossa missão deve ser nos libertar desta prisão através da expansão do nosso círculo de compaixão, para abraçar todos os seres vivos e toda a Natureza em sua beleza. O verdadeiro valor do ser humano é determinado pela medida em que ele obtém libertação dele próprio. Nós somos obrigados a pensar de uma maneira diferente se desejarmos continuar nossa existência aqui na Terra.

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H – Qual foi a última compra que fizeram?

NM – A última compra que fizemos foi o livro do WWOOF, em maio de 2013 na Austrália.

H – Sentem falta de alguma coisa da vida que tinham antes, em SP ou em outra metrópole?

NM – NÃO! Nós dois crescemos em São Paulo e vivemos em meio a todas as atracões e comodidades que uma cidade grande proporciona. Mas hoje nós percebemos que o que realmente nos preenche está longe da cidade. Nós gostamos mesmo é de contar historias ao redor de uma fogueira, admirar o pôr-do-sol que é diferente todos os dias, observar um lindo céu estrelado e as fases da Lua, tomar um banho gelado de cachoeira, lavar a alma no mar e pegar ondas, desbravar florestas e observar diferentes animais, ouvir música, dançar, etc.

Estas coisas que apreciamos tanto são presentes da Natureza. A sociedade moderna se desenvolveu acreditando que o dinheiro nos proporciona algo quando na realidade é a Natureza que o faz. As pessoas estão tão desconectadas da Natureza que não dão mais valor para estes presentes. Hoje em dia todo o entretenimento vem do mundo da tecnologia. Vivendo sem dinheiro nós estamos criando nossa própria diversão e aventura, e é muito mais prazeroso do que assistir os outros fazerem por nós.

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Grandes cidades são ambientes doentios e completamente insustentáveis e, cada vez que passamos por uma metrópole, temos mais certeza que realmente não é o nosso lugar.

H – Além da vida mais simples, que outras coisas ganharam desde que começaram essa jornada?

NM – A gente sente que só ganhou desde que começou esta jornada. E com certeza nossos maiores ganhos foram imateriais. Muitos aprendizados, momentos inesquecíveis e amigos para a vida!

Aprender e compartilhar os aprendizados é algo que faz parte da nossa jornada. Foram 18 meses de muitos aprendizados! Aprendemos a velejar, trabalhar com a terra, construir com bambu, fazer fornos a lenha usando argila, construir banheiros secos, escovar os dentes com raízes de plantas, fazer pasta de dente e desodorante com óleo de coco que nós mesmo fizemos, trabalhar com abelhas, infinitas receitas e muitas outras coisas. Como costumam dizer, é a escola da vida!

Também aprendemos a ter paciência para entender que as coisas vêm no momento certo. Sem dinheiro nós não podemos comprar nada, então temos que ter paciência e acreditar que as coisas vão acontecer no momento que devem acontecer.

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Nossa jornada também está recheada de momentos mágicos. Todos os dias nós somos presenteados com algo incrível, mas algumas vezes a gente desacredita nas coisas que acontecem. Ter conseguido saltar de pára-quedas vivendo sem dinheiro é uma delas. A gente também teve a chance de mergulhar com tubarões nos mais lindos corais em Tonga, surfar os melhores picos da Austrália e Fiji, velejar pelo oceano Pacífico, assistir um show particular de baleias cachalote (do lado do nosso barco), viver por um mês com o pai da permacultura David Holmgren, entre outras coisas. A gente só tem a agradecer por todos estes momentos.

Mas talvez o ganho mais importante tenha sido o acreditar que, seguindo o caminho do coração, nós conseguimos tudo aquilo que desejamos. E às vezes assusta! Por exemplo, quando estávamos em Tonga à procura de um barco – estávamos caminhando e conversando como seria um capitão perfeito para nós. Dois dias depois encontramos um senhor suíço, um típico marinheiro, barbudo, professor, que trabalhou durante 35 anos com agricultura orgânica e apicultura, escreveu dois livros sobre o assunto e ainda por cima tocava violão e gaita. Nós tivemos uma conexão tão grande que nos juntamos a ele no dia seguinte. Ele estava viajando sozinho e disse que ficaria muito contente se a gente assumisse a cozinha do barco. Exatamente aquilo a gente queria!

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H – Dizem que querem espalhar o amor. De que formas?

NM – O amor é o mais importante de tudo. Com dinheiro ou sem dinheiro. Isso pouco importa. Viver sem dinheiro e servir as pessoas foi a forma que nós escolhemos para espalhar amor. Não sabemos porque ou como, mas de alguma forma estamos despertando o amor nas pessoas. O amor é algo muito difícil de se explicar, mas nós conseguimos sentir que ele está cada vez mais presente na nossa jornada.

H – Até quando pretendem continuar na estrada?

NM – Até quando acreditarmos que estamos no caminho certo. Durante estes 18 meses nós temos recebido sinais das pessoas e do Universo de que estamos fazendo a coisa certa e isto nos estimula a continuar.

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H – Quais são as três coisas fundamentais para se seguir esse caminho?

NM – Amor acima de tudo. Mas simplicidade, conexão com a Natureza e comunidade são as três coisas que nos têm permitido seguir esse caminho.

H – Viajar é aprender. E viajar sem dinheiro, como descreveriam?

NM – Uma grande aventura com muito aprendizado! Viajar sem dinheiro tem sido um meio para uma vida com mais intimidade, conexão e autenticidade. Longe de ser um caminho de sacrifício, tem sido um caminho de alegria e – ousamos dizer – um caminho de riquezas.

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H – Onde vocês estão e o que estão fazendo neste exato momento?

NM – No momento estamos em Fiji. E tudo aconteceu de uma forma completamente inesperada. Não sabíamos o que fazer e não tínhamos onde ficar. De repente, a vida nos presenteou com uma família linda, proprietária de um café orgânico, que nos acolheu e nos deu a oportunidade de desenvolver um projeto para fazer o design de uma ‘food forest’ (agrofloresta?) em sua fazenda de 30 acres. A ideia, além de reflorestar, é suprir o café com toda suas necessidades. Já começamos a plantar as primeiras árvores!

E, pela primeira vez, já sabemos para onde vamos depois daqui. Nós fomos convidados para desenvolver um projeto em uma escola Waldorf onde vamos criar, junto as crianças, uma horta mandala e uma composteira. Nós ficamos muito contentes com o convite, pois sempre quisemos trabalhar com crianças. Acreditamos que a educação é a chave para um mundo mais feliz.

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H – Em um ano e meio de aventura, vocês tiveram que encarar algum desafio especialmente difícil?

NM – Viajando sem dinheiro a gente depende muito mais dos outros e, por isso, temos que aprender a aceitar as pessoas como elas são. E isso muitas vezes não é fácil. Nós dois somos vegetarianos e, em Tonga, vivemos por um mês com uma família indígena com hábitos completamente diferente dos nossos. Um dia para o almoço serviram mandioca e um dos cachorros com que estávamos convivendo fazia duas semanas. Outro dia serviram batata doce e morcegos.

No fim, passar por isso foi importante, pois nos fez abrir várias portas. Primeiro, eles são diferentes e nós temos que aceitar e respeitar estas diferenças. Segundo, eles não vêem diferença entre os animais: porcos, galinhas, vacas, cachorros e morcegos são vistos todos da mesma forma, como fonte de proteína. E, por último, por mais que nós quiséssemos que o mundo todo fosse vegetariano, a realidade de alguns locais não permite isto. Lá, por exemplo, eles não têm acesso a uma variedade de verduras e vegetais e nem feijões. A única fonte de proteína deles são estes animais. A verdade é que depois deste um mês nós admiramos muito a forma como eles se alimentam, extremamente conectados com a Natureza e sempre com respeito e gratidão.

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João Diogo Correia

É português, viveu no Brasil, Itália e Espanha. Fez a melhor viagem da sua vida pela África e agora está de volta a Portugal. Há mais de três anos, começou a trabalhar remotamente, a partir de casa ou em qualquer lugar com wi-fi, e por isso agradece todos os dias à internet.

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