Matéria Especial Hypeness

5 casos curiosos de crianças que afirmam se lembrar de suas vidas passadas

por: Bruna Rasmussen

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O que acontece quando morremos? Vamos para o céu? Para o inferno? Viramos comidinha de verme? Voltamos à vida em outro corpo? A ciência não tem uma resposta definitiva para esta pergunta, mas estudos que se baseiam na Física Quântica têm avançado em pesquisas envolvendo crianças que dizem se lembrar de vidas passadas. É com uma frase solta em meio a uma conversa ou com pesadelos à noite que esses pequenos revelam pistas sobre vidas que, supostamente, costumavam ter.

O Dr. Jim Tucker é professor de Psiquiatria e Ciências Neurocomportamentais da Universidade de Virginia, nos EUA, e há décadas se dedica ao estudo de casos dessas crianças. Apoiado pelos estudos do professor Ian Stevenson, falecido em 2007, ele reúne mais de 2,500 casos, datados desde 1961.

Segundo ele, 70% das crianças que apresentam alguma suposta memória de vida anterior trazem a lembrança de uma morte violenta, sendo 73% deles garotos – nas estatísticas de mortes reais, a morte por causas violentas tem os homens como vítimas em cerca de 70% das vezes. Ainda de acordo com suas pesquisas, as crianças que apresentam esse tipo de memória têm entre 2 e 6 anos e 20% delas carregam marcas de nascença ou deformidades que se aproximam do local do ferimento da morte.

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Foto © UVAMagazine

Eu entendo que haja um salto para concluir que há algo além do que podemos ver e senti. Mas há essa evidência aqui que precisa ser levada em conta, e quando nós olhamos para esses casos com cuidado, essas memórias não raro fazem sentido. A Física Quântica indica que nosso mundo físico pode sair da nossa consciência. Essa é uma visão que não só eu tenho, mas um grande número de físicos também a tem”, afirmou ele à UVAMagazine, revista da Universidade de Virgina.

Confira 5 casos em que crianças afirmam ter sido outras pessoas em vidas passadas:

1. Ryan ou Martin Marty?

As histórias contadas pelo norte-americano Ryan não raro envolvem estrelas de Hollywood como Rita Hayworth e Mae West, férias em Paris, musicais na Broadway e um trabalho curioso, em que pessoas mudam de nome. Nada disso seria tão surpreendente se não fosse por um mero detalhe: Ryan é um garoto de 10 anos que vive com seus pais na pequena cidade de Muskogee, Oklahoma (EUA).

Aos 4 anos de idade, Ryan começou a ter pesadelos frequentes. Ao acordar com o coração palpitando, chorava para sua mãe, Cyndi, e implorava para ir a Hollywood – a mais de 2 mil km de distância de onde moram. Junto aos pedidos, histórias incrivelmente detalhadas sobre a vida nos anos 40 e 50 intrigaram a mãe, que a princípio julgou se tratar pura e simplesmente da fértil imaginação infantil.

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Certo dia, Ryan chegou até ela e disse, bastante sério: “Mãe, eu tenho algo que preciso te contar. Eu costumava ser outra pessoa”. Cyndi e seu marido são batistas e não acreditam na possibilidade de reencarnação. Contudo, a vivacidade dos fatos relatados por Ryan foi tamanha que ela decidiu pesquisar informações sobre o período relatado por ele. Enquanto folheava alguns livros com filmes antigos, Ryan apontou para um figurante do filme “Night After Night”, estrelado em 1932 por Mae West, e afirmou: “este sou eu”. Era o começo de uma jornada inquietante rumo a uma vida passada.

Ao assistir ao filme, perceberam que o homem não dizia nem uma palavra, era realmente um simples figurante, que descobriram se chamar Marty Martin. Pesquisas mostraram que Martin chegou a tentar alguns papéis em Hollywood, mas acabou se transformando em um influente agente, transformando pessoas comuns em artistas – e, eventualmente, mudando seus nomes. Perplexa com a possibilidade de ligação entre essas vidas, Cyndi decidiu buscar ajuda – estaria ela e Ryan ficando loucos ou realmente isso era possível?

Ao começar a estudar o caso de Ryan, o Dr. Jim Tucker ficou impressionado com a clareza dos detalhes mencionados. “Se você olha para a foto de um cara sem falas em um filme e me fala sobre a sua vida, eu não acho que muitos de nós acertaríamos sobre a vida de Marty Martin. No entanto, Ryan trouxe vários detalhes que realmente batem com a vida dele”, explicou o estudioso em entrevista ao Today.

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Fotos © Jake Whitman/Today

Ryan afirmava ter vivido em Hollywood, em uma rua que continha a palavra “rock” (pedra, em inglês). Ao realizar pesquisas sobre a vida do agente, Dr. Tucker descobriu que ele morava na rua North Roxbury Dr., em Bervely Hills – “rox” tem a mesma pronúncia de “rocks”. Ryan sabia também quantas vezes Martin havia sido casado, quantas irmãs ele tinha e a idade com que ele morreu. Lembranças sobre festas, atrizes e a glamorosa vida na Hollywood dos anos 40 e 50 também não são poucas.

As duas últimas informações foram ainda mais surpreendentes. Ao entrar em contato com a única filha de Martin, Dr. Tucker descobriu que nem mesmo ela sabia ter duas tias, embora documentos provem a existência de duas irmãs. No caso da idade, a certidão de óbito marca 59 e não 61 anos. Antes de pensar ter encontrado uma falha na memória de Ryan, o psicólogo foi atrás de mais documentações e descobriu que Martin nascera em 1903 e não em 1905, como consta na certidão. O agente morreu aos 61 anos, assim como afirmou o garoto.

À medida que fica mais velho, Ryan conta que as memórias vão ficando mais fracas e Dr. Tucker aproveita esse tempo para tentar entender como essas lembranças foram parar lá.

2. Luke Ruehlman ou Pâmela Robinson?

Luke Ruehlman tem 5 anos, mora e Cincinnati, Ohio (EUA) e tem um cuidado excessivo com altura e fogo. Aos dois anos de idade, começou a nomear objetos e brinquedos de “Pam” e a falar coisas estranhas, como “quando eu era uma garota, eu tinha cabelo preto” ou “eu costumava ter brincos iguais a esse quando eu era uma garota”.

Tudo isso era considerado brincadeira de criança até que um dia, despretensiosamente, sua mãe, Erika, decidiu perguntar quem é Pam. A resposta veio com naturalidade: “Eu sou Pam, mas morri. Eu fui pro céu, eu vi Deus e ele me mandou para cá. Quando eu acordei, eu era um bebê e você me chamou de Luke”, teria dito o garoto, segundo a Fox8. Estranhando a resposta, ela pediu que o garoto lhe contasse mais sobre a suposta vida como Pam e se surpreendeu com os detalhes.

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Fotos © Fox 8

Luke contou que vivia em Chicago, uma cidade com muita gente, e que costumava andar de trem. Como ela teria morrido? “Ele disse que foi em um incêndio e fez um movimento com a mão, como se alguém se jogasse de uma janela”, conta. Foi com pesquisas em jornais de Chicago que Erika chegou a uma notícia de 1993 que falava sobre o incêndio no Paxton Hotel, em uma área da cidade que concentrava afro-americanos. Na ocasião, mais de uma dezena de pessoas morreram, entre elas, Pamela Robinson, uma mulher de 30 anos. Impressionada com as coincidências, Erika perguntou a Luke qual era a cor da pele de Pam. Imediantamente, ele respondeu “negra, ué”.

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Foto © United News Media/YouTube

O caso do garoto foi parar no Ghost Inside My Child, um programa de TV que busca crianças que afirmam se lembrar de vidas passadas e faz diversos testes e pesquisas para tentar entender a situação. Em um dos testes realizados pela equipe, uma foto de Pamela foi disposta junto a várias fotos de outras mulheres negras. Luke precisou de poucos segundos para identificá-la.

3. James Leininger ou James Huston?

James Leininger sempre gostou de brincar com aviõezinhos. Em seus desenhos, fogos e bombas sempre estiveram presentes, ao lado de aviões. Quando, aos 2 anos de idade, começou a ter pesadelos frequentes e a gritar coisas como “Avião pegando fogo! Homem não consegue sair!”, seus pais Bruce e Andrea pensaram ser a imaginação infantil e o drama de algum desenho animado.

Em um desses pesadelos, James gritava tanto que seus pais foram obrigados a acordá-lo. Ao perguntarem o que havia acontecido, o garoto respondeu que o avião havia pegado fogo devido a mísseis japoneses. Ele disse ainda que havia decolado de uma base chamada Natoma e lembrava-se do nome “Jack Larsen”.

Entretidos com o interesse do garoto pela Segunda Guerra, porém completamente céticos, os pais decidiram coletar alguns livros e materiais sobre o período. Foi então que, ao passar os olhos por uma figura que mostrada Iwo Jima, no Pacífico, James estendeu o dedo e afirmou ter sido ali que ele morreu.

Eles foram além e pesquisaram sobre a batalha de Iwo Jima, descobrindo que, naquele dia, em 3 de março de 1945, apenas um homem foi morto: James M. Huston, um rapaz de 21 anos que completava sua 50a e última missão antes de ir para casa. Atingido pelos japoneses, seu avião caiu no Pacífico e ele foi morto. Nesse ponto, a brincadeira fugiu do controle e o que eram invenções da mente de uma criança começaram a levantar dúvidas.

Além de saber detalhes específicos sobre a vida de um soldado que, assim como tantos outros, perdeu sua vida na guerra, o pequeno James demonstra um conhecimento impressionante sobre aviões. O garoto afirma que pilotava um Corsair e chegou a comentar que esse tipo de aeronave “tinha problemas nos pneus o tempo todo”. Ao ganhar um avião de presente, sua mãe observou que “ali tem uma bomba”. Imediatamente ele a corrigiu: “Na verdade, é um tanque ejetável”.

Os pais do garoto pesquisaram mais sobre a vida de Huston e chegaram a levar o pequeno James a um encontro dos veteranos de guerra. Chegando lá, ele teria conhecido cada um dos ex-combatentes pelo nome, sem nunca ter encontrado com eles – pelo menos, não nessa vida. Descobriu-se ainda que Jack Larsen era um homem que combateu ao seu lado. Ao entrar em contato com a irmã ainda viva de Huston, James começou a ter memórias específicas sobre histórias da infância, brinquedos antigos e objetos.

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Fotos © Reprodução

As histórias da memória de James foram compiladas no livro “Soul Saver” e o garoto foi convidado por um canal de TV japonês a visitar o local onde, supostamente, o piloto teria morrido – fortes emoções.

4. Gus Taylor ou Augie Taylor?

Enquanto estava em um trocador de fraldas, aos 18 meses, Gus Taylor disse a seu pai, Ron: “quando eu tinha a sua idade, eu costumava trocar as suas fraldas”. Ron deu uma risada e continuou em sua tarefa de manter a criança limpa. Foi somente anos depois que a frase do pequeno passou a fazer sentido.

Aos 4 anos, Gus contou, em meio a uma conversa qualquer, que na verdade ele costumava seu Augie, seu avô, falecido um ano antes de seu nascimento. Mais uma vez, não foi lhe dada muita atenção. Seus pais só começaram a levar a sério o que ele dizia quando, ao abrir um álbum de família antigo, pela primeira vez, Gus não teve dificuldade alguma para apontar seu avô quando criança ou de falar sobre o primeiro carro que tivera.

O que mais intrigou seus pais, contudo, foi quando o garoto mencionou sobre ter uma irmã. Quando sua mãe perguntou mais sobre ela, Gus respondeu prontamente: “ela morreu, se transformou em um peixe, foram alguns bandidos”. A irmã de Augie fora assassinada e seu corpo foi encontrado na Baía de São Francisco, nos EUA. O assunto era tabu na família e nem mesmo seu pai sabia detalhes sobre a morte da moça.

5. Edward Austrian ou o soldado James?

Edward lembra-se claramente de estar na França, aos 18 anos, andando em uma trincheira, lama em seus pés e o rifle pesado nas costas. Uma bala lançada atravessou um soldado e cortou seu pescoço. O gosto de sangue na garganta e a chuva caindo são as últimas memórias que ele tem. O que poderia ser um trecho do relato de um sobrevivente da Primeira Guerra, contudo, são as palavras de um garoto de 4 anos.

Segundo Patricia Austrian, mãe do garoto, ela sempre foi cética quanto a questões de reencarnação, mas achou no mínimo estranho que, além do detalhado relato sobre um momento de morte em guerra, o garoto apresentasse um crônico problema na garganta desde seu nascimento.

Os médicos pensaram se tratar de amígdalas, mas logo a dor que Edward sentia transformou-se em um cisto raro e de tratamento complicado. Em vez de se referir à dor como “na garganta”, o garoto costumava dizer que “o tiro” estava doendo. O mais curioso é que, após relatar sua suposta memória anterior e falar sobre o assunto com seus pais, o cisto diminuiu de tamanho e, aos poucos, desapareceu. Segundo o pai do garoto, que é médico, isso é algo bastante raro de acontecer e a possibilidade de Edward ter sido um soldado em outra vida é, no mínimo, intrigante.

Mera coincidência ou reencarnação? A pesquisa ainda é inconclusiva, mas as evidências são argumentos fortes. O Dr. Tucker afirma que a quantidade de casos como esses registrados é pequena devido à resistência dos pais de acreditarem no que a criança diz. Para muitos pais, as palavras dos pequenos é pura fantasia de criança e as pistas não sou ouvidas ou levadas a sério como deveriam. O que torna os relatos mais próximos de serem verdadeiros, segundo ele, é o detalhamento das cenas. “Ser apenas uma coincidência é algo que desafia a lógica”, diz ele.

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Como a consciência ou as memórias de uma pessoa poderia ser transferida para um novo corpo, isso ainda é desconhecido. Contudo, pesquisas em Física Quântica quem sabe, um dia, poderão nos responder e dizer, de uma vez por todas, se estes casos são verdade ou pura coincidência. Por enquanto, resta a nós acreditar ou não. Qual é a sua aposta?

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Bruna Rasmussen
Bruna escreve para a internet desde 2008 e tem paixão por consumir informação e descobrir coisas. Adora gatos, inovação e é curitibana – fala “duas vinas”, mas dá “bom dia” no elevador.

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