Desafio Hypeness

O que aconteceu quando topei passar uma semana sem usar redes sociais

por: Mari Dutra

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Eu tinha um voo longo pela frente e passaria praticamente o dia inteiro dentro de aviões. Ou pelo menos estes eram os meus planos quando acordei, às 5 da manhã. Mas a chegada ao aeroporto já indicava que algo estava errado: praticamente todos os voos atrasados… Com o meu não foi diferente: um atraso de uma hora e meia se anunciou no alto-falante, enquanto eu já bolava uma frase sarcástica para publicar no Twitter. Não publiquei. Minha jornada longe das redes sociais estava apenas começando.

As poucas horas de sono não deixaram que eu me distraísse lendo o livro que carregava comigo na mochila, como meu namorado fazia. Na falta de algo melhor para passar o tempo, pego o computador e começo a trabalhar em pleno aeroporto, já imaginando que o atraso do voo acarretaria na perda da minha conexão – o que, de fato, aconteceu.

Na noite anterior eu já havia feito logout em todos os aplicativos de redes sociais no meu celular, que não eram poucos. Contei 12, no total. O número elevado não era por acaso: uma das primeiras coisas que faço ao acordar é pegar o celular, que dorme estrategicamente posicionado ao lado de meu travesseiro.

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Nos próximos dias eu tomaria café da manhã sozinha, sem invadir a rotina de meus amigos observando fotos publicadas no Instagram, abandonaria o meu já quase esquecido Facebook e teria que ler notícias em sites, já que o Twitter também estava proibido. Minhas fotos não seriam mais sincronizadas automaticamente com minha conta do Google Plus, o que significava permanecer alguns dias sem backup. Descobrir novos lugares com a ajuda do Foursquare ou do Yelp, nem pensar. Enquanto isso, o meu Youtube também permaneceria calado.

Depois de perder o voo, só consegui outro para a noite seguinte, o que faria com que eu passasse um dia e meio em um hotel no meio do nada e acabasse perdendo alguns compromissos que já estavam marcados para minha volta ao Brasil. Me controlei novamente para não xingar muito no Twitter porque, afinal, isso era uma put* falta de sacanagem, como já diriam os fãs do Restart. Eu havia decidido: iria aproveitar a situação para descansar um pouco e não deixaria o forninho cair. Mas a verdade é que eu estava me sentindo mais ou menos como os grafites do artista IHeart

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Isso não parece tão legal na vida real.

À noite, desprovidos de Youtube, meu namorado decidiu procurar algo para vermos na televisão do hotel e o único que posso dizer é: não tentem isso em casa. Como usamos a internet para praticamente tudo, nem sequer temos televisão em nosso apartamento e ter que se contentar com uma programação limitada foi uma experiência bem estranha e que teve seu lado bom: acabei dormindo cedo, como raras vezes fazia.

O lado ruim foi acordar às 8 da manhã, praticamente com o celular na mão. Li meus e-mails e já não tinha mais nada para fazer naquele aparelho. Minha bateria estava começando a durar quase um dia inteiro.

Durante o dia, confesso: entrei duas vezes no Youtube sem nem perceber enquanto pesquisava sobre a vida de Mujica para outra matéria que estava escrevendo para o Hypeness. Também acabei me rendendo por alguns segundos ao Instagram para terminar um post que já estava programado para a última semana. Mesmo tão perto do inimigo, me controlei para não olhar minha própria timeline.

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Eu sabia que a minha experiência sem redes sociais ia ser difícil, mas não imaginava o quanto. Sem que a gente sequer se desse conta, as informações passaram a ser cada vez mais sociais.

A verdade é que nem tudo correu como eu esperava. Todos os dias, Facebook e LinkedIn continuavam me enviando e-mails avisando que fulano compartilhou algo em minha timeline, ciclano me enviou uma mensagem, beltrano solicitou uma conexão, etc. Mesmo não entrando na rede e não abrindo os e-mails, é como se eu continuasse sempre conectada. Para piorar, meu Twitter, mesmo eu estando deslogada, seguia misteriosamente me enviando notificações pelo celular sempre que algum tweet do meu interesse era publicado. Eu virava a cara e descartava a notificação antes mesmo de ler.

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As coisas até que não iam tão mal, eu penso. Só percebo que meus esforços eram praticamente inúteis ao fazer uma visita à casa dos meus pais. Levei comigo algumas lembrancinhas de viagem que foram prontamente fotografadas e publicadas nas redes sociais familiares. Minutos depois, minha mãe resolve me mostrar as últimas novidades no Facebook, enquanto olhava sua timeline. Em menos de 10 minutos fui exposta a vídeos fofos de cachorrinhos, uma maquiagem incrível que imitava o rosto de um felino e até mesmo a piadas políticas envolvendo nossa atual presidente.

Não foi a única vez. Durante a semana, diversas pessoas fizeram o mesmo.

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Minha reação ao ser exposta a postagens do Facebook

Noutro dia, fiquei sabendo de um curso que me interessava bastante e iria começar em breve. Não me surpreendi quando fui buscar informações sobre as aulas e descobri que estava tudo lá, no proibidíssimo Facebook. Hesitei, mas não resisti e pedi para meu namorado olhar a página por mim para que eu pudesse descobrir como me inscrever. #loser

A esta altura você já deve ter percebido que este post poderia muito bem se chamar “diário de um fracasso”, pois foi mais ou menos o que senti ao tentar fugir das redes sociais enquanto elas me abraçavam com todo seu amor. Acho que não passou um dia sem que eu fosse invadida pela presença de uma delas.

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Mesmo assim, perdi eventos para os quais fui convidada apenas online ao mesmo tempo em que recebi 5 mensagens e 37 notificações no Facebook enquanto estive fora. Foi um número menor do que imaginei, mas bem mais incomodo do que eu poderia prever. No Instagram, dois novos seguidores estavam prontos para ver as fotos que não postei, enquanto seis pessoas se dedicaram a curtir minhas postagens antigas – uma delas contemplada até mesmo com um comentário que não pude responder. Enquanto isso, meu Twitter permaneceu mostrando as notícias que perdi. Duas pessoas misteriosamente recomendaram minhas habilidades no LinkedIn enquanto diversas outras se preocuparam em apenas olhar o meu perfil.

No momento em que comecei este desafio, tive certeza de que essa seria uma oportunidade de me focar em coisas mais importantes – aquelas que não acontecem online, sabe? – e lembrei na hora do vídeo “O que você está pensando”, que faz uma reflexão sobre o abismo que existe entre a maneira como levamos a nossa vida e a forma que mostramos isso para os outros (assiste aí que são só dois minutinhos).

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E, acabada a semana, pode até ser verdade que consegui desfazer minhas malas em tempo recorde, lembrei de lavar a louça antes de que ela empilhasse na pia, cortei os cabelos, visitei meus pais duas vezes, achei tempo para um vinho com as amigas e para um passeio no parque e inclusive li mais. Nesse tempo, cheguei a esquecer o celular em casa e até perdi o carregador por aí – já encontrado, por sorte.

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Mas tudo isso é só um pouco verdade: eu continuei encontrando maneiras de procrastinar com a ajuda da tecnologia e cheguei até mesmo a encarar joguinhos de celular para me manter ocupada nos muitos momentos de tédio em que não tive a companhia das redes sociais para me acalmar (#FicaDica: quem me consolou foi o jogo Plants vs. Zombies 2). O livro que terminei foi mais por monotonia do que por vontade e, apesar de não ter morrido de curiosidade sobre o que se passava nos aplicativos que eu me proibi de acessar, passei a não saber exatamente o que fazer com os momentos em que eu não tinha nada para fazer.

As redes sociais se mostraram, no final das contas, as melhores amigas daqueles 10 minutos de espera que aparecem inadvertidamente no dentista ou na parada de ônibus. Mesmo assim, fico feliz de não ter precisado decidir se o vestido era #AzulEPreto ou #BrancoEDourado e continuo sem saber se amo ou odeio as redes sociais. 

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E, se você leu até aqui, é provável que também esteja cogitando alguma iniciativa do tipo, não? Aceite o desafio. Experimente passar a próxima semana sem usar redes sociais e depois venha contar como foi (uma boa forma de voltar a usar Facebook, Twitter ou Instagram). Use as #desafiohypeness8 e #umsemanasemredessociais!

Imagens 1, 5: Reprodução; Imagens 2-4, 11: © iheartthestreetart; Imagem 6: Giphy; Imagens 7, 8: Reprodução Youtube; Imagens 9, 10: Mariana Dutra.

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Mari Dutra

Depois de viver na Argentina, na Irlanda e na Romênia, percebeu que poderia carimbar o passaporte mais vezes caso trabalhasse remotamente. Hoje escreve para o Hypeness e mantém um blog de viagens, o Quase Nômade, em que conta mais de suas experiências pelo mundo.

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