Minha Casa é Hype #11: o designer de mente inquieta que revolucionou sua casa com as próprias mãos

Chama-se Thiago Oliveira, mas é conhecido como Oliver Thi. Designer por formação, fotógrafo por paixão, soltou sua veia de artesão e, após passar a morar sozinho (exceção feita a seus dois cachorros), no ano passado, decidiu transformar o espaço que habita em São Paulo. Montou seu próprio ateliê de bonecos na casa, o BoniFrati, revolucionou as paredes, projetou o quarto “com jeitão mais social, adaptável para quando receber visitas pessoais” e, sozinho, criou um dos espaços mais acolhedores do quadro Minha Casa é Hype.

Yuri, um chowchow preto de 4 anos, e Ludovico, um schnauzer de 9, são os atuais companheiros das jornadas de trabalho de Oliver, uma mente inquieta “que adora inventar, criar e descobrir coisas novas“. Se não acredita, vem ver o que ele fez e se surpreenda tanto quanto a gente:

Hypeness (H) – Se pudesse descrever a sua casa hoje em poucas palavras, como descreveria?

Oliver Thi (OT) – Engraçada, colorida e tranquila. Com a mudança dos ambientes, sinto-me cada vez mais em paz aqui dentro, onde posso me inspirar em cada cantinho. É reconfortante.

H – Da onde surgiu a inspiração para a decoração do local?

OT – A inspiração veio das cores. Sou louco por elas, e quanto mais colorido melhor! Tem uma pitada dos anos 50, não nego. Sou doido por coisas do tipo, mas sou viciado em reaproveitar coisas e tudo que é rústico, cru, me encanta. Fico vasculhando sites como Pinterest e acompanhando muita gente criativa por aí na Internet. Aí as coisas vão se juntando e, quando ver, depois de alguns erros, os acertos!

O mais legal é que tudo foi feito por mim! Com a mudança e despedida dos amigos, fiquei sem grana, então para fazer tudo arregacei as mangas e fiz cada uma das coisas: pintei chão, teto, parede, armários, fiz elétrica, móveis, e até a parede de tijolos, que nasceu de um erro e o resultado impressiona até hoje!

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H – Como foi o processo da reforma da casa para que ela ficasse como está hoje?

OT – Vamos lá:

Cozinha: o xadrez preto e branco que cobre o antigo piso de azulejos marrom foi feito com tinta epóxi. Pintei tudo de branco e preenchi os pretos. As cerâmicas das paredes receberam demãos de tinta acrílica nas cores branco e azul.

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Uma escada de madeira virou estante, portas e frente de gavetas do gabinete da pia foram tingidas com tinta spray, e os puxadores feitos com ripas de sobras de madeira. Para poupar espaço, duas cadeiras dobráveis moram em ganchos de aço na parede, e são montadas apenas quando há convidados. A geladeira foi adesivada com vinil vermelho automotivo, afinal uma cozinha assim precisa de uma geladeira vintage – ao meu modo economista de ser!

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Escada: as paredes já possuíam a cor verde, então apenas recobri os espelhos dos degraus com papel contact estampado.

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Corredor: fiz do corredor uma galeria de fotos e recordações, com telas de arame, fixadas as paredes com pregos, fazendo as vezes de painéis. Até os pregadores de madeira foram customizados com fita adesiva colorida (washitape). As portas do quarto e do banheiro foram tingidas com esmalte sintético, e discos de vinil pendurados como quadros arrematam a decoração do espaço.

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Banheiro: mantive a cerâmica original, pois é cheia de personalidade. Apenas apliquei quadrados de papel contact colorido (azul e branco) para brincar com pixels e deixar divertido.

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Quarto: eu sonhava com uma parede de tijolos aparentes em meu quarto. Resolvi descascar o reboco, confiante de que os encontraria por trás. Para minha decepção, não achei. Mas não entreguei os pontos, comprei um lote de blocos de demolição pela internet e, com uma serra para mármore, cortei cada peça, reduzindo pela metade. Depois foi só assentá-las com cimento. O único problema é que eu errei nas contas. Os tijolos acabaram antes que eu terminasse de revestir a superfície. A encomenda da quantidade que faltava foi descartada, uma vez que o elevado custo de frete não compensaria. A saída foi assumir a falha, incorporando o trecho da parede descoberta ao projeto. Peguei a tinta azul que sobrou da cozinha, misturei um pouco da branca para clarear o tom e pintei. Um galho natural, seco, encontrado na pracinha do barrio, complementou a composição.

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O armário embutido não agradava, então desmontei, fotografando tudo para conseguir remontar depois. As roupas agora ficam penduradas em uma arara feita por mim, com tubos e conexões, presos a uma prateleira e pintados de vermelho com tinta esmalte. Usei canos de PVC, mas como envergam com facilidade, recomendo os de ferro.

Molduras recicladas compõem um arranjo na parede. Ao lado da TV, duas foram posicionadas de modo a destacar uma lâmpada de luminária – que também criei – soquete pintados com tinta spray pendem de fios coloridos, alguns presos em ganchos no teto, e agrupados por uma lata de molho de tomate, também tingida de amarelo.

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Caixotes de feira organizam livros e roupa de cama, e a lata de tinta serve como lixeira. Até o pôster no chão é reutilizado. Pintei a moldura e colei outra ilustração sobre a original.

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A intenção era comprar um móvel convencional, mas não encontrava um modelo amarelo como queria. Então a solução era fabricar por conta própria: dois paletes apoiados na parede funcionam como encontros. Na base, quatro paletes ficam no chão, com dobradiças, cuja articulação permite que, dobrados, forme o sofá, e esticados virem a cama. Dois colchões de solteiro, forrados com tecido amarelo, se movem conforme a necessidade. Se o móvel está aberto, ficam lado a lado. Se fechado, um deles vira encosto e outro, assento. E descobri uma terceira alternativa recente – a cama de solteiro com mesinha de canto!

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A cortina e capas de almofadas também foram costuradas por mim. Aliás, repare que uma delas, a com estampa de bigodinho, foi feita com sobra de tecido da cortina da cozinha – aproveitamento total!

Ateliê-estúdio: aqui, basicamente queria espaço (já que o cantinho é pequeno) e altamente inspirador, lúdico. Tudo branco e muito caixote! E um teto de nuvens, pois adoro olhar para o céu. Em dias de sol, é como se o céu estivesse aqui dentro!

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O universo dos bonecos me encanta, e me acalma, então o espaço precisava ser igual: mesa feita com madeira de uma porta velha, com dois cavaletes. Cortina com tecidos do próprio ateliê e muitas referências, como o painel de mantras logo atrás do computador. E luzinha, para deixar a noite ainda mais charmosa.

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H – Qual o cômodo preferido da casa? Por quê?

OT – Meu quarto-sala. Pois é onde eu fico tranquilo, em paz. E orgulhoso, sempre que vejo a parede feita. Foi muito difícil e achei que não conseguiria, mas consegui! Sou apaixonado por tijolos!

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O segundo é a cozinha. AMO cozinhar e fazer coisas gostosas para quem gosto!

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H – Qual o item de decoração que mais gosta na sua casa? Por quê?

OT – Depois da parede, o poster do filme “Amelié”. Este filme me define, sem dúvidas. “Tempos difíceis para os sonhadores”.

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Vem ver a casa completa:

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Todas as fotos © Oliver Thi

E se você está se perguntando como é possível transformar uma casa desse jeito, vai ficar feliz em saber que Oliver Thi tem um blog de tutoriais, com dicas que podem te ajudar. É o Como é Que Se Faz. Além disso, nosso convidado de hoje brinca de ser criança no BoniFrati e reflete sobre a vida no Facebook e Instagram.

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