Desafio Hypeness

O que aconteceu comigo quanto tentei corrigir minha postura durante uma semana

por: Daniel Boa Nova

Publicidade Anuncie

Se tem algo que os desafios propostos pelo Hypeness me oferece é a chance de revisar hábitos nocivos que fui adquirindo ao longo do tempo e mantendo por inércia. Aos 30 e poucos, insistir na continuidade deles ou adotar mudanças pontuais de conduta podem significar uma vida com mais ou menos qualidade quando estiver com 60 e tantos.

Quero chegar lá e chegar bem. Quem não quer? Meu médico antroposófico já me sentenciou em um de nossos encontros anuais: a saúde aos 40 diz muito sobre como será sua condição pelo resto da vida. Ainda tenho alguns anos de crédito para gastar, mas se já sei disso hoje, esperar pra quê? De tudo que estou dizendo, a única certeza absoluta é a de que meu corpo vai me acompanhar enquanto durar essa jornada na Terra. Melhor então cuidar dele um pouquinho.

A má postura praticada por horas a fio diariamente está associada a uma série de problemas para a saúde. Baseado nessa realidade, o Desafio Hypeness da vez foi passar uma semana prestando atenção nas posições corporais e fazendo correções sempre que necessário. Logo que recebi essa pauta da minha editora, já senti logo um peso nas costas.

Se você teve uma trajetória de vida como a minha, onde a preocupação com a postura nunca esteve presente, é bem capaz que sua coluna apresente vícios e possivelmente alguma sequela. Foram manhãs após manhãs sentando a bunda na carteira do colégio, longas tardes de TV deitadão no sofá e, já adulto, mais uns tantos anos cumprindo expediente no sedentarismo típico dos escritórios.

Para avaliar minha condição, marquei uma consulta com uma ortopedista. E quando expliquei do que se tratava, a Dra Andrea Rosenthal já deixou bem claro para mim que não é especialista em coluna. Mas, por ter formação em traumatologia e ortopedia geral, poderia ajudar pelo menos em linhas gerais. Até porque, como ela também escreve para o Webrun, entende que os prazos para entrega de uma matéria nem sempre coincidem com as datas que você consegue para consultas e exames específicos via plano de saúde.

De saída, me perguntou se eu sentia alguma dor. Por sorte, não. Sendo assim, a médica não me pediu algo mais complexo como uma ressonância. Apenas alguns exames rotineiros de raio-X panorâmico para avaliar minha curvatura. A hipótese dela era que eu não teria qualquer deformidade anatômica, mas sim alguns vícios posturais, reforçados pelo sedentarismo. Fiquei de retornar assim que estivesse com os resultados em mãos. Muito obrigado e até mais.

Quando no ano passado parti para a vida autônoma, percebi que precisava de um espaço dentro de casa destinado exclusivamente ao trabalho. Assim, eu e minha esposa organizamos um desktop no quarto que vinha sendo utilizado apenas para depositar nosso lado acumulador. Que atire a primeira pedra quem não tem quadros por pendurar e papeladas para organizar.

Porém, além de escritório, o cômodo acabou se tornando também quarto de hóspedes. Agora olhe para a foto a seguir e dou apenas uma chance para você adivinhar qual de fato passou a ser minha mesa de trabalho.

coluna04

Nos dias em que a faxineira não está em casa mandando bronca no aspirador de pó, o sofá da sala também se tornou um candidato fortissimo a ambiente de trabalho, eleito dia após dia em primeiro turno. Foi nessa posição toda torta que o grosso dessa, dessa e dessa outra matéria saiu escrito:

coluna13

Se a mesa e a cadeira dos escritórios corporativos por onde passei me incomodavam, por que eu manteria esse infortúnio no meu home office? Quando contei à Dra Andrea que costumo trabalhar recostado na cama ou no sofá, ela arregalou os olhos. Daí que, nessa semana do desafio, procurei usar apenas a escrivaninha que originalmente estava no quartinho para isso. Ou a mesa de jantar da sala.

coluna18

Nessa posição, não demorava muito a aparecer uma certa tensão nas costas. A mesma tensão que, quando eu trabalhava em agência, me fazia pouco a pouco ir deslizando pela cadeira até chegar àquela postura que parece deitado, só que sentado. Era como se houvesse um gnomo que bate cartão na mesma empresa, cujo job description seria ficar por baixo da mesa te puxando pouco a pouco até seu queixo chegar na altura do teclado.

Esse gnomo tem explicação. Como me disse a ortopedista, “Quando a gente fica sentado ou de pé, a pressão que exercemos na coluna é quase a mesma. Só muda quando a gente deita. Pessoas que trabalham em escritório não deitam durante o dia para fazer algum período de descanso. Poucas têm esse privilégio, né? O ideal era não ficar muito tempo sentado e nem de pé. A cada 40 minutos em média levantar, dar uma esticada, dar uma caminhada… para mudar um pouquinho a pressão que se faz em cima da coluna”. Será que o RH de alguma grande corporação estaria disposto a inovar promovendo o Programa 5 Minutos Deitado?

Nessa semana, cada vez que eu recebia o chamado do gnomo, respondia com as recomendações médicas. Me levantava, espreguiçava, caminhava e só depois voltava a sentar corretamente, com o quadril e joelhos dobrados a 90 graus. Em alguns momentos, também deitava no sofá por períodos de até 15 minutos. Tudo contado no relógio, para que esse alívio pontual não se transformasse em uma procrastinação improdutiva. Entre momentos de coluna tensa e pausas, tive até uma ideia que seria muito boa, acho eu: programas de ginástica laboral para quem trabalha em home office. Tipo um Paulinho Cintura – lembra dele? – que promove o saúde é o que interessa por Skype a cada tantos minutos do seu dia. Já existem serviços assim? Se não, fica a ideia aí de graça para os personal trainers do Brasil.

coluna01

Foto reprodução

Não sou engenheiro automotivo para confirmar se o espaço interno dos carros é desenvolvido tendo em vista nossa correta postura corporal. Mas posso dizer que, seja no banco da frente ou de trás, quando estou no trânsito as chances de fazer origami com minhas vértebras costumam ser menores. Ainda mais se estiver em um carrão espaçoso, confortável e sem precisar dirigir como o Uber proporciona.

Por conta de alguns compromissos com o Hypeness, nos dias do desafio circulei para lá e pra cá utilizando o serviço. E nesses momentos foi relativamente mais fácil manter a postura correta, com os pés no chão, a lombar encostada no banco e a espinha ereta. Claro que não no exato momento de tirar essas fotos, mas deu pra entender, né não?

coluna02

coluna03

Já quando o final de semana chegou, assistir a um episódio de Game of Thrones retinho e sem me recostar pareceu uma tortura digna dos calabouços mais sombrios de Westeros. Domingo à noite combina com sofá e TV na companhia da pessoa amada e da forma mais confortável possível. Combina com ficar quieto no ninho, e não realizando testes e desafios. Os ossos e vértebras do ofício às vezes pedem sacrifícios.

coluna27

Segunda-feira foi o dia de buscar os exames a tempo da consulta de retorno, que seria na terça. O desafio se aproximava do fim. Saindo do laboratório, parei para tomar um café tentando não me debruçar sobre o balcão. Seria meu impulso natural em uma semana habitual.

coluna08

coluna09

Na manhã seguinte, lá estava eu novamente no consultório da Dra. Andrea com as fotos do meu esqueleto. Logo veio o diagnóstico: “Você tem um pouquinho de escoliose, mas ela está compensada. Sua coluna tem uma pequena curva aqui e outra ali, mas o eixo está mantido. Sua cabeça está em cima da bacia, que é onde deveria estar, e o grau da curvatura é pequeno.”

coluna10

Só isso? Ufa! Nada mais? Posso ir? Não? Eita. Diga lá, doutora: “Você faz um pouquinho de cifose. Você anterioriza a cabeça. Sua cabeça está um pouquinho anteriorizada em relação ao que deveria ser normal. E isso com o tempo, se for piorando, começa a fazer compressão de nervos sensitivos e motores. Em um grau mais elevado, você pode acabar tendo uma dor irradiada para os braços. No raio-x não está cifótico, mas é uma coisa que você faz. Talvez quando foi tirar o raio-x você ficou reto lá e não apareceu. Então é reversível. É uma postura que você assume, não é uma deformidade fixa. Melhorando a postura, é provável que suma”.

Essa foto tirada um dia desses enquanto eu dirigia ilustra bem o que ela disse. E olha que eu jurava estar ao volante na postura mais correta possível:

coluna07

Depois das análises, veio a recomendação final: “Prestar atenção na postura é 10% do trabalho. Isso é ótimo, mas não resolve. Pra melhorar esse vício postural de ficar com a cabeça pra frente, precisa fazer reeducação. Fazer um RPG pra aprender a manter a postura. Dez sessões, você aprende os exercícios e leva isso pra vida. Todo dia você faz um pouquinho. E não fica mais trabalhando no sofá do jeito que você me falou que me deixa até mal isso, me dá uma coisa!”

Caramba. Foi mal mesmo, doutora.

coluna23

Ao mesmo tempo em que é um alívio saber que os maus hábitos não me causaram problemas crônicos, é também um alerta para alterar a rota. Se já estou assim agora, como ficarei daqui a algumas décadas caso não faça nada a respeito?

Por ora, estou tirando uns dias de férias. No momento em que escrevo essas palavras finais, me encontro em um avião, onde o espaço para uma postura corporal confortável é bastante restrito. Mas conhecer outros lugares e respirar novos ares ajuda a aliviar qualquer peso nas costas. Na volta, umas boas sessões de RPG me aguardam. É botar isso em prática ou não reclamar de no futuro desenvolver uma corcunda por ignorar que tenho algo a corrigir.

E você, o quanto anda prestando atenção na sua postura? Se você, como a maioria das pessoas da nossa geração, passa horas sentado de frente a um computador, existem grandes chances de que você deveria se atentar um pouco mais para esse detalhe – caso não queira envelhecer cheio de dores. Há chances também de você achar que sua postura é ótima, mas eu pensava assim também antes de começar a prestar nela. E então, topa o desafio de ficar uma semana tentando manter uma boa postura? Compartilhe conosco a sua experiência usando as hashtags #1semanacomboapostura e #desafiohypeness10.

coluna26

Todas as fotos © Daniel Boa Nova para Hypeness

faixa-desafio-hypeness


Daniel Boa Nova

Redator / Roteirista / Produtor de conteúdo

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Ele listou os piores tipos de embuste de maneira didática para te alertar