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Cobertura Hypeness: fomos conhecer uma comunidade sustentável que protege a Ucuuba no Pará

por: Brunella Nunes

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Na pequena Ilha de Cotijuba, dentro do território de Belém, no Pará, não circulam carros. Após o trajeto de uma hora e meia de barco, chegamos a este pedaço de terra tão próspero e rico em recursos naturais, em especial a Priprioca e a Ucuuba, árvore atualmente em extinção. É lá onde se fortalece uma comunidade local e sustentável, que fomos conhecer de perto à convite da Natura.

Desde 2002, a marca estabelece uma ligação de trabalho com esta comunidade onde, inicialmente, eram feitas encomendas de Priprioca, uma espécie de capim com pequenas flores nas pontas, que serviu de matéria-prima para uma linha de produtos. Até 2012, 17 famílias se beneficiaram com este cultivo e tornaram-se multiplicadores de ações ambientais.

O primeiro contato com a Ucuuba aconteceu em 2009, quando o núcleo feminino se uniu para juntar uma tonelada de sementes, à pedido da Natura. “O grupo de apenas nove mulheres foi atrás e se virou para entregar a demanda”, contou Adriana Lima, coordenadora administrativa e uma das fundadoras do Movimento das Mulheres das Ilhas de Belém (MMIB), sediado num lugar gracioso e acolhedor em Cotijuba. “Queremos uma coisa mais concreta para levar à mulher, pra ela se empoderar e voltar mais forte”, argumentou sobre os planos futuros, ao Hypeness.

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O mais bacana não é só o sustento a partir do produto, mas a consciência e consequência ambiental que a ação trouxe. O cultivo é feito em terrenos particulares, ou seja, a população local acaba se envolvendo no processo, plantando mudas em suas casas e acabam preservando a espécie em extinção. “O ensinamento e a preservação fez com que a gente atingisse quem coleta e quem não coleta. Conseguimos sensibilizar um número grande de pessoas, explicou Adriana, que em junho vai distribuir 1.500 mudas na região.

E não há maltrato algum à natureza, afinal, todos têm de esperar as sementes caírem e, seguindo as devidas orientações, a deixam pronta para uso direto quando a Natura recolhe para desenvolver os cosméticos, passando pelo processo de secagem numa estufa simples e de baixo custo, R$ 200,00. Cada árvore é capaz de dar 30 kg de ucuuba por ano, sendo o Amazonas e o Pará os maiores produtores.

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O centro do MMIB, que tem aumentado cada vez mais, promove diversas atividades que se expandem da ilha para Belém. Dona Leia de Oliveira Almeida, que fez questão de que não nos esquecêssemos dela, tem 76 anos e frequenta o local. Lá ela se junta ao grupo formado por 100 idosos que mantêm a mente ocupada e saudável com diversas atividades, como o Tai chi chuan e o carimbó, dança típica da região, da qual tivemos o privilégio de assistir a uma apresentação.

Dona Leia, disposta e falante, uma das frequentadoras do grupo de idosos

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Seu Almerzindo, 83 anos de puro carisma, cantoria e vitalidade

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Adriana Lima, uma das fundadoras do Movimento das Mulheres das Ilhas de Belém

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A gerente do Projeto Amazônia, que faz parte da Natura, Renata Puchala, está há 15 anos na empresa e destaca o maior propósito destas ligações entre produção e comunidades, criadas no ano 2.000. dede 2000 envolvendo comunidades na produção. “Quando pensamos na Amazônia, surgem muitas riquezas, de lugares, florestas, pessoas, culturas, grupos, comunidades. Mas hoje ainda o que dita o modelo de desenvolvimento local são cinco grandes economias, todas de devastação: pecuária, soja, madeira, mineração e hidrelétrica. Viemos justamente para tentar inverter essa lógica. Se a riqueza é a vocação desse lugar, será que não temos como criar negócios sustentáveis como um novo modelo de economia e desenvolvimento pra essa região? Fortalecer essa economia e geração a partir da floresta em pé, gerando valor para a árvore viva e um futuro melhor para todo mundo”, discursou.

Pensando neste legado, a Natura estabeleceu metas agressivas. Até o ano 2020, os planos são de ter 30% de matéria-prima vinda do Amazonas, sendo que atualmente possuem 13%. Até o momento, existem 2.100 famílias brasileiras envolvidas na produção, número que tende a crescer, já que a empresa tem o intuito de chegar a 12 mil, além de já possuir 32 comunidades em 14 ilhas, sendo a maioria no Pará.

A ideia é fazer investimentos de até 1 bilhão na região, dos quais no momento já se foram 582 milhões, seguindo três pilares de investimento: ciência, tecnologia e inovação. Para isso, foi criada uma rede em Manaus, chamada Nina (Núcleo de Inovação Natura na Amazônia). “A Natura optou por criar empreendedorismo com responsabilidade socioambiental, que é o princípio de gerar uma rede que traga impactos positivos da floresta às cidades”, explicou o gerente de marketing, Hyam Misawa.

Tudo indica que o processo tem caminhado no caminho certo, qualificando os produtos sem prejudicar a natureza, pelo contrário, fazendo o possível para preservá-la e em busca de novos meios de propagar esta ideia, tão importante nos dias de hoje. Vida longa ao Movimento das Mulheres das Ilhas de Belém e a tantas outras comunidades ribeirinhas envolvidas, que tornam este trabalho possível e prezam por um mundo menos predador e mais multiplicador.

No vídeo abaixo, Seu Almerzindo dá uma palhinha de sua voz pra gente, só pra nos deixar com saudades:

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Todas as fotos © Brunella Nunes para o Hypeness

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Brunella Nunes

Jornalista por completo e absoluto amor a causa, Brunella vive em São Paulo, essa cidade louca que é palco de boa parte de suas histórias. Tem paixão e formação em artes, além de se interessar por ciência, tecnologia, sustentabilidade e outras cositas más. Escreve sobre inovação, cultura, viagem, comportamento e o que mais der na telha.

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