Matéria Especial Hypeness

Nômades Digitais: eles ganham dinheiro enquanto viajam o mundo

por: Bruna Rasmussen

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Todos os dias, o despertador bate às 6h. Levanta, toma um café, uma ducha rápida, veste a roupa, cuidadosamente separada na noite anterior, lê o jornal deixado à porta e acorda os dois filhos para ir à escola.

Entra no carro, sintoniza a rádio de notícias, reclama dos motoristas que não dão a vez no cruzamento, pega o mesmo atalho para evitar o congestionamento da avenida e para na mesma vaga de sempre. O cartão é batido às 8h, pontualmente. A pausa para o café é às 10h. O almoço é há anos no mesmo restaurante, com os mesmos colegas, já velhos amigos. Às 16h50 prepara a bolsa e pega as chaves: é hora de bater o cartão e ir para casa.

O salário vem impecável no fim do mês, bem como a merecida cervejinha no fim de semana, as férias anuais e a tranquilidade. Assim como o Natal acontece todo 25 de dezembro, o futuro é previsível e certo. Basta repetir a rotina por mais 10 anos e a aposentadoria está garantida. Poderá, enfim, curtir a vida.

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Foto © Ming-yen Hsu

Parece monótono? O nome disso é estabilidade, algo que foi e ainda é o objetivo de muita gente em relação ao emprego. Com o caos provocado pela Segunda Guerra Mundial, uma rotina pacata e garantida era o paraíso para pessoas do mundo inteiro. E não tem absolutamente nada de errado em buscar isso. Mas é preciso se dar conta de que os tempos mudaram, bem como os desejos, as possibilidades, os formatos de trabalho. E se te dissessem que é possível trabalhar fora de um escritório, em casa ou em qualquer lugar do mundo?

Nômades digitais

A tecnologia há alguns anos já permite que reuniões e fluxos de trabalho sejam feitos por meio de um computador com acesso à internet. Isto é: aquelas reuniões semanais com o chefe, a conversa com o colega da baia ao lado e a interação com fornecedores não precisa ser presencial. Ótimo, isso quer dizer que eu posso trabalhar de casa? Na verdade isso quer dizer que você pode trabalhar em casa, em seu café favorito, na casa dos seus pais em outro estado e até na China. Havendo um computador e uma conexão à internet, tá valendo.

Bom, agora vamos falar sobre a China. Ou melhor, sobre viagens. Pergunte a amigos, familiares e a colegas de trabalho qual é a coisa que mais gostam de fazer na vida e entre as respostas, temos certeza, estará o verbo mágico: viajar. Afinal, tem coisa melhor que conhecer novos lugares, culturas, pessoas e se divertir? A boa notícia é que isso não é algo restrito aos milionários ou às suas férias.

Agora, una essas duas ideias: poder trabalhar de qualquer lugar do mundo e ter vontade de conhecer novos lugares. Pois bem, enquanto você provavelmente está aí batendo ponto e contando os minutos pro fim de semana chegar, milhões de pessoas em todo o mundo já fizeram sua escolha e decidiram transformar o mundo em seu escritório, tornando-se um nômade digital.

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Foto © Steven Zwerink

Se na História as tribos nômades iam de um lugar ao outro buscando melhores condições de vida, hoje os nômades digitais se movem pelo globo em busca de algo que faça a vida valer realmente a pena – e para isso, cada experiência conta! Já ouviu falar que experiências são melhores que coisas? Saiba mais aqui.

Porque a vida é agora

O tempo todo as pessoas postergam a felicidade. Afinal, só vai dar pra ser feliz no fim do expediente, ou quando a sexta-feira chegar, ou nos gloriosos 30 dias de férias. A verdade é que a vida é curta e, mais do que nunca, está claro que contar os anos para a aposentadoria a fim de realizar sonhos e ser feliz é algo no mínimo insano. A vida é agora.

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Jaque Barbosa e Eme Viegas, criadores do Hypeness, são nômades digitais. Foto © Arquivo Pessoal

Por isso, pessoas estão se libertando de suas amarras de escritório e moradia fixa para viver o mundo a partir do estilo de vida proposto pelo nomadismo digital. “Minha família acha que virei uma espécie de vagabundo e não faz ideia de como eu ganho dinheiro, mas a verdade é que tenho uma rotina de trabalho como outra qualquer. Com características próprias, vantagens e desvantagens, mas nada de outro mundo”, explica Rafael Sette Câmara, blogueiro do 360Meridianos que já morou em lugares como a Europa, Argentina, Espírito Santo, litoral de São Paulo e Belo Horizonte. O blogueiro busca cidades com custo de vida baixo e mantém uma rotina normal de trabalho, com a diferença de que tem uma vista diferente por dia.

Mas o que significa custo baixo? Diferente de ser um turista, ser um viajante significa buscar viver como uma pessoa comum, o que inclui bairros nem sempre próximos do centro, usar transporte coletivo, comer em restaurantes simples e entender a essência de cada cidade. Para ser um nômade digital, esqueça o hotel 5 estrelas, os almoços de rei e o ônibus de turismo: viver uma cidade vai muito além disso. E, claro, você não está de férias, mas aproveitando de forma inteligente uma rotina flexível onde quiser!

Quer ver como é fácil dar o primeiro passo para mudar? Entre no Nomad List, insira o equivalente em dólares do seu salário, escolha as características do lugar em que gostaria de morar por uns tempos e voilá!, uma lista com opções de cidade em todo o mundo é mostrada. Chiang Mai, na Tailândia, Las Palmas, na Espanha, Monterrey, no México ou Braga, em Portugal? Para onde você gostaria de transferir seu escritório?

Viver em grandes centros como São Paulo podem te render um bom trabalho e um salário alto, mas se você levar em conta fatores como tempo de deslocamento, custo de vida e satisfação pessoal, a estabilidade perde rapidinho o status de “paraíso” para qualquer uma dessas cidades listadas. “É uma questão de liberdade. Você percebe que faz sentido ser nômade no momento em que enxerga que gasta 4 horas do seu dia em deslocamentos para trabalhar em algo que talvez você não goste tanto”, afirmou ao Estadão a publicitária Débora Corrano, que trabalha como nômade ao lado do namorado, o também publicitário Felipe Pacheco. O casal já passou uns tempos em Berlim, Barcelona, foram para Córdona e Lisboa e não pretendem parar por aí (você pode acompanhar suas aventuras no blog Pequenos Monstros). Basta que o destino tenha uma conexão Wi-Fi boa e as malas são feitas.

Exercício:

Bilhões de pessoas em todo o mundo pagam caro por uma vida que nem sempre as deixa satisfeita. O site Expatistan funciona como um index com o custo de vida em mais de 200 países. Assim, você pode comparar o custo da cidade em que está com aquele da cidade para onde quer ir. Vá em frente e faça o teste.

Dica: só não feche a aba deste artigo porque você vai precisar do próximo parágrafo assim que se der conta de que é mais barato trabalhar de uma praia paradisíaca na Tailândia do que ficar preso ao escritório em que você trabalha em São Paulo 😉

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Mapa do tesouro: lugares onde você pode viver melhor por menos. Imagem © Expatistan/Reprodução

Quem pode ser nômade?

A menos que você tenha nascido em uma família bilionária, tenha ganhado na loteria ou algo do tipo, você precisa trabalhar para conseguir viver. Todos nós precisamos. A parte boa é que é possível adaptar todo e qualquer tipo de trabalho para os moldes do nomadismo.

Claro, para um designer, programador, escritor, engenheiro ou gerente de projetos, por exemplo, as coisas são mais fáceis, já que já estão habituados a trabalhar no computador. Mas nada impede que um vendedor ou um eletricista transforme seu trabalho e encontre uma forma de torná-lo possível online. E a palavra-chave aqui é criatividade.

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Imagens © André Dahmer/Malvados

Além de ser possível trabalhar como freelancer, muitas empresas continuam a manter vínculo empregatício com seus funcionários independente de onde estejam. É possível ainda ganhar dinheiro transformando seu conhecimento em conteúdo ou vender produtos online.

Com disciplina, é possível realizar seu trabalho de qualquer lugar. Na pior das hipóteses, o lugar ainda te dá um empurrãozinho para trabalhar de forma mais focada e ágil: “se eu terminar meu trabalho a tempo, posso curtir a praia ou passear pela cidade”. Quer estímulo melhor que uma cidade todinha a ser descoberta?

“Largar tudo” ou “trazer o que realmente importa”?

Quando o assunto é ser nômade no século XXI, muito se fala em “largar tudo” e ir embora. A verdade é que ter um certo grau de desapego em relação a objetos é necessário, mas você não precisa deixar toda a sua vida para trás para começar uma nova.

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Manchinha sempre está por perto da Jaque e do Eme, mas quando ela não pode ir junto nas viagens, fica com uma tutora no Dog Hero Foto © Arquivo Pessoal

Isso se aplica especialmente a casais (com ou sem filhos) e a donos de pets. Quando se tem um parceiro, tudo se resolve quando o nomadismo é uma vontade de ambos, como no caso da Débora e do Felipe, que contamos lá em cima. Se trabalhar pelo mundo já é bom, fazer isso ao lado de um grande amor torna a vida ainda mais incrível.

Em relação aos pets, as possibilidades são variadas: você pode optar por levá-los com você em suas andanças ou deixá-los com familiares. É possível ainda contar com o serviço de hospedagem animal em determinados períodos e com serviços como o Dog Hero, que permitem deixar seu cãozinho aos cuidados de uma pessoa que, assim como você, é apaixonada por animais.

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Caiz, Craig e suas duas filhas. Foto © Y Travel 

No caso de filhos, a decisão está longe de ser fácil, mas podemos afirmar com toda a certeza de que é possível se abrir ao nomadismo digital na companhia deles. Aulas em casa são uma ótima opção e, se você pretende ficar períodos mais longos em um lugar, nada impede que você os matricule em uma escola tradicional. Afinal, viver e conhecer o mundo é um aprendizado que não há educação formal que compense. “Nós temos uma missão de provar que as viagens não precisam acabar quando você tem filhos“, lê-se no blog Y Travel, escrito pelo casal Caiz e Craig, que têm duas filhas pequenas, com quem viajam o mundo.

Seja um nômade

Ser nômade digital transforma vidas e não só é possível como temos histórias incríveis que provam isso. Quer ver só? A Jaque Barbosa trabalhava como tradutora, enquanto que o Eme Viegas trabalhava como publicitário em uma agência e tinha um baita salário. Mas ganhar bem não o deixava feliz e a Jaque também não estava lá muito satisfeita. Foi então que transformaram o conhecimento que tinham em conteúdo, criando os blogs Casal Sem Vergonha e Hypeness.

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Fotos © Arquivo Pessoal

São Paulo já não era pra eles e o casal decidiu se adaptar ao nomadismo digital. Com um planejamento em mãos e muita disciplina, estruturaram os blogs para que não precisassem ter um local de trabalho fixo e partiram para o mundo. Assim, já passaram por lugares como Floripa, Búzios, Los Angeles, Berlim, Amsterdã e Barcelona. 

Eles não estavam de férias. Trabalhavam duro para garantir a grana no fim do mês, mas conseguiam aproveitar a flexibilidade da rotina para curtir cada um desses lugares. A paixão pelo novo estilo de vida descoberto foi tanta que decidiram criar também o Nômades Digitais, um blog voltado para o assunto que ajuda pessoas como você e eu a encontrarem seus caminhos por esse grande e incrível escritório chamado mundo – não há escritório do Google que ganhe! (Nada pessoal, Google, mas não há patinetes, máquinas de café gourmet e decoração caprichada que compensem a liberdade de estar onde você quer a hora que deseja).

Estima-se que até o fim de 2035, 1 bilhão de pessoas estejam trabalhando como nômades digitais. Quer ser um deles e aprender como com quem já conseguiu? A Jaque o Eme decidiram compartilhar seu conhecimento sobre o tema e ajudar pessoas a se adaptarem ao nomadismo em um curso online de Como Ser um Nômade Digital. São três caminhos possíveis de carreiras nômades, como prestador de serviços, blogueiro profissional ou autor de livros e cursos. Em seis módulos, o curso ensina da teoria à prática, em vídeo aulas completas, como planejar a sua mudança de vida e fazê-la acontecer. Além disso, o casal dá dicas e conselhos de quem já está há algum tempo nas estradas do mundo. Ficou interessado? Clique aqui e saiba mais!

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Bruna Rasmussen

Bruna escreve para a internet desde 2008 e tem paixão por consumir informação e descobrir coisas. Adora gatos, inovação e é curitibana – fala “duas vinas”, mas dá “bom dia” no elevador.

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