Artista cria vida ‘falsa’ no Instagram e lança discussão sobre a sociedade moderna

Para quem não está familiarizado com o termo, “it girl” serve para designar garotas que ditam tendência na internet. Prima do “must have” e do “wanna be“, a nomeação causa polêmica, pois o apelo pela perfeição é quase ditatorial: seja loira, seja magra, seja rica e delicada. Mas uma menina resolveu discutir este mundo e entrou para a história sendo a própria cobaia de seu experimento.

Amalia Ulman começou a postar uma série de selfies no seu Instagram a fim de criar uma vida de luxúria e feminilidade seguindo esteriótipos ovacionados nas redes sociais. Como era de se esperar, depois de algumas semanas, a argentina disparou no número de likes e seguidores.

Entre as imagens estão uma série de clichês como fotos em frente ao espelho, com namorados, gatinhos, yoga, cafés da manhã cinematográficos e poses sensuais. Só que tudo isso era ficção. Entre suas criações está até uma foto de uma cirurgia pós-operatória de aumento de seios e aulas de pole dance, algo “indispensável” no lifestyle das garotas de Los Angeles.

amalia4

amalia12

amalia14

“Excellences & Perfections” (Excelências e Perfeições) foi o nome dado ao trabalho da artista. Amalia é graduada em belas-artes na universidade Central Saint Martins, em Londres. E entre seus objetos de estudo estão o narcisismo e as redes sociais. Mas nem tudo foram flores assim como em seus posts.

amalia1

“As pessoas começaram a me odiar”, ela conta ao Stuff. “Em algumas galerias as quais mostrei meu trabalho, me disseram para eu parar com isso, pois não estavam mais me levando a sério porque eu mostrava minha bunda nas fotos, completa.

Hoje, aos 26 anos, seu projeto ganhou reconhecimento e ela já é considerada uma grande artista contemporânea – e um marco em sua geração. A Tate Modern de Londres exibirá seu trabalho em breve dentro da exposição “Performing for the Camera” que examina a relação entre fotografia e performance. 

E caso você acesse a sua conta atualmente, verá que este trabalho já se encerrou e que ela anunciou na própria rede que isso tudo foi irreal depois de 5 meses de experimentos e confessou ter enganado seus mais de 90 mil seguidores. “Tudo foi roteirizado”, explica. “Passei um mês pesquisando a coisa toda. Houve um começo, um clímax e um fim. Eu pintei meu cabelo. Eu mudei meu guarda-roupa. Eu estava agindo: não fui eu.

E o debate fica novamente no ar – por que continuamos fascinados por uma realidade que não existe? Por que continuamos ‘pintando’ o quadro de nossas vidas para agradar aos outros? Como um ‘roteiro’ é capaz de definir aquilo que gostamos? Para onde foi a nossa espontaneidade e diversidade?

amalia2

amalia3

amalia5

amalia6

amalia7

amalia8

amalia9

amalia10

amalia11

amalia13

Todas as fotos: Reprodução Instagram