Matéria Especial Hypeness

Eles são jovens, engajados e lutam por um mundo melhor: 4 ativistas comentam os atos contra o aumento da passagem

por: Clara Caldeira

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O ano mal começou e as ruas de São Paulo e diversas outras cidades do Brasil já estão fervendo. O aumento das passagens do transporte público desencadeou mais uma vez uma onda de protestos, que, em muitos casos, foi recebida com violência pela polícia e intolerância pelas autoridades. Conheça alguns jovens que estão na rua e seus relatos sobre as manifestações!

Mas quem são essas pessoas e quais são as suas bandeiras? O que de fato tem acontecido nessas manifestações, que muitas vezes terminam em conflitos, mas que já nos mostraram – como aconteceu em 2013 – que quando a população se organiza e toma as ruas rupturas e mudanças são sim possíveis?

Para tentar responder a essas perguntas, conversamos com quatro jovens engajados, ativistas e ‘correria’, com diferentes formações e de diferentes áreas do conhecimento. Confira!

1. Augusto Aneas, 33, arquiteto-urbanista formando pela FAU-USP, ativista do Parque Augusta, Rede Novos Parques e Hub Livre.

pao e busão - Mundano Graffiti: Thiago Mundano

“A mobilidade urbana é uma das questões centrais do Direito à Cidade, principalmente a partir de 1970 com o crescimento dos grandes centros urbanos. No caso específico de São Paulo e dos grandes centros urbanos brasileiros pesa a herança do equivocado projeto de mobilidade rodoviarista, pautado no automóvel individual e que colocou em um plano secundário o desenvolvimento de uma política de transporte público com uma infraestrutura minimamente satisfatória, que é o que se espera ter em grandes centros urbanos.”

“As tarifas de São Paulo e das grandes cidades brasileiras já estão entre as maiores do mundo.”

Leia a entrevista na íntegra…

2. Luiz Guilherme Ferreira, 30, advogado dedicado à defesa dos direitos sociais, coletivos e humanos ao lado de outros profissionais do coletivo Advogados Ativistas.

Luiz Guilherme Ferreira em ato pela criação do Parque Augusta, em São Paulo Luiz Guilherme Ferreira em ato pela criação do Parque Augusta, em São Paulo

“Trabalhamos nas manifestações, de modo geral, com redução de danos, buscando fiscalizar a ação dos agentes do Estado, intermediando os conflitos existentes e tentando coibir as ações ilegais da polícia, além de representar as pessoas presas nas delegacias e, se necessário, buscar sua liberdade posteriormente no judiciário. O que buscamos defender, diante da dinâmica recorrente dos atos de rua, é o direito de manifestação, constantemente impedido e coibido pela PM. São recorrentes, também, os abusos de autoridade, agressão e prisões ilegais, outros elementos que buscamos impedir com a nossa atuação.”

“Manifestantes só podem ser presos em flagrante e não tem obrigação nenhuma de fornecer senhas de celulares ou mostrar imagens captadas.”

Leia a entrevista na íntegra…

3. Rebeca Lerer, 39 anos, jornalista de formação, ativista da Anistia Internacional e conselheira da Matilha Cultural.

rebeca Lerer interna

“Está em jogo a garantia do direito constitucional à livre reunião e manifestação. A lei não obriga os manifestantes a pedirem autorização prévia para realizar uma passeata, basta divulgar amplamente o ato, como tem sido feito pelo MPL via imprensa e redes sociais. Protesto não é crime, mas pessoas têm sido impedidas de se manifestar a partir da presunção de que crimes contra o patrimônio possam vir a ser cometidos. Como acusar alguém por algo que nem aconteceu ainda? Essa é uma clara violação ao direto humano ao protesto e à expressão.”

“O governo poderia nomear uma comissão de mediação com representantes dos vários órgãos, incluindo secretarias de direitos humanos e juventude.”

Leia a entrevista na íntegra…

4. Raphael Sanz, 28, jornalista, ‘midiativista’ e apoiador de movimentos sociais (autônomos ou não).

Raphael Sanz 6 destaque Foto: Raphael Sanz

“Eu soube de prisões de jornalistas nas redes, mas felizmente não presenciei nenhuma. Posso falar mais do ato do dia 12, que foi mais intenso. Ainda na concentração, antes de começarem os ataques, eu estava conversando com o fotógrafo Sérgio Silva, aquele que perdeu um olho para a PM em 2013, e levei uma bela cacetada na perna do Soldado Vergino, de graça, sem mais nem menos. Relatei aos observadores legais e tirei uma foto do agressor. Mas isso foi algo pequeno perto do que aconteceu depois.”

“Dois alunos do Colégio Fernão Dias foram espancados por homens da tropa do braço e levados para delegacias sob falsas acusações de desacato.”

Leia a entrevista na íntegra…


Clara Caldeira
Jornalista, comunicóloga, frenética, dona de brechó frustrada, mora no meio do mato e gosta mais de comer que de dormir. Acredita em ET, saci e horóscopo, mas duvida de um monte de outras coisas que se diz por aí. Gosta mais de arte que de lasanha (contradição?) e acredita que a cultura pode salvar o mundo.

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