‘Homem na Agulha’: Paulistano quebra barreiras ao aproximar os homens do bordado

Estamos acostumados a ver mulheres praticando tricô e e, em sua grande maioria, senhoras mais velhas, portanto a imagem de um homem jovem tricotando ou crochetando é inusitada.

Para quebrar muitas dessas barreiras e aumentar o interesse a respeito dessa técnica tradicional incrível, o artista plástico paulistano de 34 anos Thiago Rezende criou o projeto “Homem na Agulha“.

O diferencial, nesse caso, é que o artista, em uma de suas ações, convida os homens a fazerem crochê e tricô, formando um grupo de 10 ou mais para executar a tarefa na hora. O resultado são objetos que não precisam ter um fim em si.

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Em matéria do site Razões para Acreditar, Thiago afirma que a primeira intenção não foi questionar e discutir qualquer dicotomia entre tarefas femininas e masculinas, mas viu que houve um avanço em seu trabalho em outras frentes. “Inicialmente apenas uma proposta formal, da técnica inserida em minha pesquisa poética de artes plásticas, como mais uma maneira de produção de objetos de arte. Com o tempo percebi que já era muito mais que isso, o trabalho passou a ser quase uma militância política, em defesa da liberdade de escolhas e contra o conservadorismo careta” – conta o artista.

Quando as pessoas me veem tecendo em público, acredito que esse estranhamento seja dobrado, por eu ser homem e jovem. Essa é a graça para mim, provocar choque e despertar questionamentos”, ressalta.

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Thiago lançou o projeto “Homem na agulha” em 2012, e desde então vem desenvolvendo intervenções, ações coletivas e produzindo produtos. A ele, mais tarde, juntou-se outro artista, Luiz Cambuzano, e em conjunto começaram a oferecer cursos das técnicas empregadas em seus trabalhos.

Se pararmos um pouco para pensar, a técnica é muito parecida com a confecção de rede de pesca, que, ao contrário do tricô e crochê, é mais praticada pelos homens. E, além disso, o crochê e o tricô aproximam-se muito da costura que tradicionalmente, em sua origem, trata-se de uma tarefa masculina.

Aliás, essa obrigação cultural do que é “para homens” ou “para mulheres” está caindo por terra, o mundo (e o mercado) exigem posturas mais abertas sobre gênero, racismo, sexualidade, e tantos outros temas, e não cabe mais ficar dividindo as coisas em caixinhas. A humanidade agradece.

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Todas as fotos: Homem na Agulha / via