Desafio Hypeness: o que aconteceu quando fiquei um mês sem usar xampu

Na hora em que eu li no e-mail:“O que você acha de ficar um mês sem usar xampu?”, arregalei os olhos e pensei: Jamais! Tudo tem limite!!!. Mas horas depois eu já me convencia de que essa seria uma ótima experiência! Já o resultado? Te conto tudo agora, vem ver!

Esse pessoal do Hypeness só pode estar de brincadeira com a minha cara… “Primeiro uma semana sem tomar café, agora isso”, soltei na mesa do jantar na casa de uma amiga. Até que os olhares se dividiram.

Enquanto eu finalizava o discurso de que meu cabelo é fino, ondulado, descolorido, desvirginado, acabado, oleoso na raiz, seco nas pontas; minha amiga Rafa lança que já tinha abdicado do xampu – e tinha adorado.

Enquanto isso a Stephanie, minha xará, é daquelas bem hippies, que fazem o próprio iogurte. Ela já tinha parado de usar xampu, pasta de dente e já chegou até a tentar o desodorante. E assim, as duas me enumeraram uma série de motivos para eu entrar de cabeça (literalmente!) nesse desafio.

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Mostrani a juba antes do desafio

Existem várias razões pelas quais as pessoas deixam de usar xampu. A primeira delas talvez seja por sustentabilidade. A indústria cosmética é uma das que mais poluí no mundo. Tanto pela produção quanto pelo descarte do seu material. Algumas empresas, por exemplo, fabricam produtos que contém minúsculas partículas esféricas de plástico. E quando usamos esses rótulos, as microesferas vão da pia para os rios e oceanos. Sistemas convencionais de tratamento de esgoto não são capazes de reter essas partículas graças ao seu tamanho reduzido. É uma bola de neve!

E você já parou para pensar na quantidade de consumo por pessoa? Xampu, condicionador, pasta de dente, desodorante, creme para cabelo, pé, mão… E se eu te disser que muitos desses produtos possuem substâncias cancerígenas? Pronto, já temos saúde como mais uma delas.

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O lance das microesferas -ilustrado-

Durante minha pesquisa pós-jantar e pré-resposta para o Hypeness, encontrei também este pequeno e poderoso vídeo no Youtube chamado “The Story os Cosmetics” (A História dos Cosméticos), que é super bem feito, explicativo e ainda conta com legendas em português. Olha só que bacanuxo:

Até aí eu já estava convencida de que sair fora desse sistema era algo interessante, até que o terceiro e principal motivo das brasileiras exterminarem o uso do xampu chegar até as minhas pesquisas: os cachos!

A aceitação da forma natural de uma cabeleira toda cacheada é o que mais motiva a mulherada daqui a encontrar técnicas alternativas para lavar o cabelo sem xampu. A quantidade de substâncias manipuladas presentes nos rótulos dos cosméticos impedem que o brilho, a forma e a textura natural dos cabelos de destaquem, deixando tudo meio “borocoxô”. O meu mesmo, pode ver na foto acima. É cacheado. Mas só prendendo e fazendo reza braba que os cachinhos aparecem. Ou seja, essa de ficar sem xampu parece mesmo uma boa ideia!

Pronto! Desafio aceito, agora só me restava saber quais eram essas técnicas alternativas de lavar o cabelo. E um mundo novo de regras, dicas e pessoas maravilhosas apareceu para mim em apenas duas palavras mágicas: NO POO.

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©Giphy

Para quem nunca tinha ouvido falar do NO POO e do LOW POO – assim como a pessoa que vos fala – o nome vem do inglês onde POO é a abreviação de shampoo e NO POO = sem xampu e LOW POO = pouco xampu. Mas tudo isso com o trocadilho maroto de que “poo” pode ser traduzido como “caca”. Ou seja, eu estava prestes a entrar para “o universo dos sem caca”. Yeeeezzzzzz!

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©Giphy

Para começar este desafio tive que enfrentar dois grandes obstáculos: uma avalanche do mundo e uma avalanche de pesquisas. Eu digo o mundo porque a cara de nojo e estranheza reina quando você começa a anunciar que abdicou do xampu. (Até eu fiz uma cara feia interna quando recebi o desafio, vai. Confesso.)

E a única pessoa que não se assustou com o desafio foi minha vó. Ela não esboçou nenhuma reação de espanto, ao contrário de todos os outros mortais. Disse que “na época dela” lavava-se o cabelo com sabão caseiro. Feito com soda – cáustica! E eu perguntei de cara “mas e aí?”. E ela respondeu: “E aí nada. Ficava assim e acabou. A gente só queria lavar mesmo”.

Refleti sobre isso e comecei a encarar como algo cada vez mais orgânico. Afinal de contas, o mundo já sobreviveu sem xampu né?! Mas enquanto isso muitos ainda perguntavam espantadíssimos: “Como você vai limpar o cabelo?”. Pergunta que, aliás, foi um pouco difícil de ser respondida a princípio.

A fim de ouvir a palavra de um especialista entre milhares de blogs e grupos do Face que juram de pé junto que as técnicas dão certo, entrei em contato com a Sabrinah Giampá, que é jornalista, cabeleireira e dona do blog Cachos e Fatos – uma bíblia para quem saber um pouco mais sobre o assunto.

A Sabrinah me salvou e recomendou começar o processo usando um xampu anti-ressíduos, que atua como um detergente – e resseca até a alma! Isso porque é necessário tirar qualquer resíduo de “maquiagem” de produtos com silicones, parafinas, parabenos e petrolatos que possam estar nos fios, para começar a técnica do NO POO.

Ela também me alertou que, além de me livrar dos meus xampus, vou ter que me desfazer de todo o meu arsenal de beleza. Isso acontece, pois as substâncias citadas acima que precisam sair do meu cabelo não são solúveis em água. Ou seja, só o xampu – com sulfato – pode (e quando consegue!) retirá-las.

E aí, se eu continuar usando produtos pesados para hidratar, vai virar uma catástrofe! Pois não dá para dar conta da sujeira e da química sem o xampu. Por isso é só eliminando uma lista extensa de cosméticos que eu consigo ter de volta o meu cabelo lindo e natural. Mas não é do dia para a noite.

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Segue a lista básica dos proibidos e aprovados no NO POO que é utilidade pública do blog minhaqueridanecessaire.com

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E eu, ingenuamente, peguei todos os meus produtos de beleza para catalogar quais estão ou não liberados para o NO POO. Para a minha surpresa, absolutamente TODOS são proibidos, pois contém uma quantidade gigante de química não solúvel em água. Jogar fora? Nem pensar! Vou guardar a sete chaves, porque vai que não dá certo, né?! Adeus, amores cry

O processo que eu citei acima se chama transição capilar e demora cerca de um mês para o fio se adaptar. Ou seja, tem que ter paciência. Algumas meninas – muitas delas que alisaram durante anos o cabelo com química e não conseguem esperar pela mudança – são mais radicais e acabam raspando tudo para começar do zero e assim o fio voltar a enrolar. Técnica chamada de BIG CHOP (grande corte).

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Exemplo de big chop da nossa amiga gringa ©Kanisha Parks, do BlackNaps.org

Com medo de dar tudo errado, me joguei na minha última hidratação com o mais caro e melhor dos meus cremes.

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#insegurançasim

E agora você que já é ansioso está com a pergunta que não quer calar ecoando na cabeçona: o que é que essa mina vai passar no cabelo???

Minha intenção é testar o que mais aparece nas buscas e ver o que dá e o que não dá certo. Para limpar, o que parece mais agradar a mulherada é o CO-WASH, que nada mais é que lavar o cabelo com um condicionador levinho. Sim, passar condicionador no freestyle, sem xampu, direto na cabeça.

O condicionador, assim como o shampoo, tem agentes emolientes que são capazes de promover limpeza aos fios. E se eu, virginiana noiada, quiser ainda mais adstringência na limpeza, basta adicionar um pouco de anfótero no creme, uma substância indicada pela Sabrinah que eu encontrei por R$ 3,80 em uma casa de essências – um vidrinho que vai durar uma eternidade!

Além disso há uma infinidade de outras coisas que podem ser usadas como sabonete, sabonete de glicerina, sabão, receitinhas caseiras e a famosa mistura de bicarbonato de sódio seguido de vinagre de maçã. E como eu descobri tudo isso? Um simples post no meu Face buscando pessoas que não usavam xampu revelou que muitas das minhas amigas já fazem o uso da técnica que eu nem sabia que existia.

Além disso, o grupo No e Low Poo Iniciantes me acolheu com muito carinho, com mais de 100 mil meninas respondendo insandecidamente cada pergunta minha sobre as técnicas. Vale a pena entrar para ver!

meninas-no-poo O grupo lindo das meninas do NO/LOW POO. Não deixem de seguir!

Dito tudo isso, vamos aos primeiros dias: como eu coloquei a mão na massa.

Como eu não tinha esse tal de xampu anti-resíduos que a Sabrinah me falou, resolvi dar uma passadinha no meu cabeleireiro querido, único e preferido para ver se ele poderia me ceder um pouquinho do dele e aproveitar a visita para cortar as pontinhas e bater um papo sobre o desafio.

O Paulinho, meu cabeleireiro, confessou que ainda não tinha ouvido falar na técnica e que a considerava bastante ousada! Apesar de um pouco desconfiado, ele me desejou boa sorte e disse que duas semanas é a aposta dele para eu aguentar esse desafio! Me conhecendo como ele há uns bons anos, fiquei com medo da previsão mas segui em frente. redface

Uma dica que ele me deu foi deixar de lado a escova de cabelo e passar a usar pentes com dentes largos ou até os dedos, pois meu cabelo é fino e isso evitaria o frizz. Achei surreal, pois sou refém da escova desde que me conheço por gente. Mas no final – SPOILER – a vida me provou que sim, posso viver bem melhor sem ela!

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Eu e o Paulinho depois do corte, lindíssimos! <3

Depois da lavagem passamos pela primeira vez o condicionador levinho antes do corte. E o escolhido foi o Yamasterol. Do tempo da vovó, esse produtinho é mesmo milagroso! O frasco pequeno custou só R$ 2,20 e hidratou demais. Fiquei maravilhada com o resultado! Lendo o rótulo vi também que ele era multifuncional, podendo ser utilizado sem enxágue e como máscara hidratante. Sim, temos um novo aliado!

yamasterol

Muito amor e muito barato <3 – foto: divulgação

No dia seguinte ainda não sentia a necessidade de lavar o cabelo, mas não sosseguei. O grupo do face bombava na minha timeline e encontrei a receita do gel de linhaça. Como eu sempre fui fã dos olhinhos reparadores de ponta (agora terminantemente proibidos por conta do silicone) resolvi testar a receita.

> Gel de Linhaça

. 1 copo (200 ml) de água filtrada;

. 2 colheres de linhaça;

. Deixar ferver por mais ou menos 5 minutos (não precisa mexer). Depois coar (imediatamente) na hora que desligar o fogo.

Só. Fácil né?

O resultado é incrível! Vira tipo um gel mesmo. Você passa e o cabelo fica super brilhante. O cheirinho é ótimo, mas outra dica preciosa: faça aos poucos. Uma semana no meu banheiro foi o suficiente para ele ficar com um cheiro horrível de podre. Juro, é terrível mesmo!

gel-linhaca

Ainda no pique, aproveitei para conversar com um grande amigo da família, o geobiologista Allan Lopes. Para quem não está familiarizado com o termo, a geobilogia é o estudo que investiga como o espaço impacta a saúde humana.

Voltando aos conselhos do Allan, ele me disse que a dica principal dele seria lavar o cabelo com água mineral, de preferência com pH entre 7 e 8,5, pois assim ele fica limpo, macio e parecido com um pós-banho de cachoeira. Uau! Mas já fiquei imaginando o quanto eu gastaria nessa brincadeira e ele em seguida já disparou uma solução: um filtro de chuveiro.

“Os filtros a base de carvão ativado eliminam o cloro e o flúor da água, deixando ela com um pH melhor e retirando o excesso de químicos – o que consequentemente vai limitar o uso do xampu”. Encontrei um por R$ 93,90 mas não estava disposta a gastar toda essa grana. Pensei em usar a água do filtro, mas a primeira tentativa foi também a última: muuuuito trampo encher a jarra de água, levar para o banheiro, enxaguar… Ótimo para economizar água no banho, mas também tem que ter tempo e disposição. Confesso que tenho mais preguiça que tudo isso junto. rs.

Já o dia seguinte foi a hora de testar meu primeiro co-wash. Falar que vai passar condicionador no cabelo todo é fácil, mas fazer pela primeira vez dá um pouco de cagaço. Será que vai ficar um óleo só?! Mas a sensação se rebeldia ao quebrar a regra da xampu falou mais alto e me deu coragem de tacar creme na cabeça.

Juro, foi libertador! Foi como cagar regra, como beijar alguém do mesmo sexo pela primeira vez, ou como se eu estivesse indo contra a todas as caras feias que recebi. E deu super certo! Aumentei o som, animadíssima, e usei o Yamasterol que eu já tinha adorado e amei ainda mais esse creminho supimpa. Para saber como começar, segui as instruções dessa gringa aqui. Olha só:

Os próximos dias traziam ainda mais um desafio: uma viagem para Minas que envolve terra, roça e sol na cabeça. Lá eu usei sabonete de glicerina na tentativa de limpar mais o couro cabeludo e também gostei bastante do resultado. Logo depois inventei de passar um leave-in chiquetoso dos que eu tinha em casa. Me ferrei (devia ter seguido à risca a lista dos proibidos)! Ficou super oleoso e voltei para o Yamasterol que é mil vezes mais barato e deixou tudo no lugar. Salvadora essa parada, viu?!

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Ele oleoso depois do leave-in proibido

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Agora por ordem, meu cabelo do primeiro ao sétimo dia de NO POO: até agora nada. Parece que ele já está se acostumando com o Yamasterol e começa a dar sinais de oleosidade. Não sei não, mas por enquanto nada de mágico nesse processo…

Segunda semana: ávida por novidades

Com uma enxurrada de informação e só o Yamasterol e o sabonete de glicerina na manga, resolvi sair às compras para fazer umas receitinhas caseiras e dar um “up” no cabelo que, apesar de limpo, não estava lá aquela capa de revista.

compras-stephanie

Comprei tudo que eu precisava: mais Yamasterol (um especial para co-wash e outro para fazer um leite de pentear), anfótero (o tal do agente limpante), óleo de semente de uva (indicado para as madeixas), uma barra giga de sabonete de glicerina (que 1 kg custou R$ 8) e Probentol, primo pobre do Bepantol que te economiza uns R$ 10 na compra.

No grupo, também encontrei um tal de leite de pentear, que prometia ser mais leve que o Yamasterol puro e perfeito para depois do banho, antes e durante o sol, etc e tal. Amei e me apaixonei! Super fácil de fazer, botei tudo no borrifador e passei a usar bem pouquinho dele depois da lavagem. Olha só a receita:

> Leite de pentear

. 5 moedas de leave in levinho (como o Yamasterol);

. água filtrada (300 ml);

. 2 gotinhas de óleo vegetal (usei semente de uva);

. Agite tudo e use com borrifador. É maravilhoso como sem enxágue!

Já o óleo de semente de uva separadamente eu odiei. Não adianta, meu cabelo não se dá bem com óleos. Vi que umas meninas seguiam uns diários de hidratação chamados de cronograma capilar, que incluiam um banho de óleo vegetal para hidratar os fios. O meu ficou um sebo e descartei isso do rolê.

Antes de me jogar no Carnaval que estava prestes a começar, fiz também uma hidratação com Maizena. Reprovada. Era só misturar com água, um pouquinho de óleo de semente de uva, Yamasterol, mas ficou uma caca. Mesmo depois de enxaguar bem deixou meu cabelo pesado e oleoso. Não curti. No entanto, antes de fazer esse experimento, resolvi lavar o cabelo com o sabão que estava na lavanderia. Simplesmente amei! Disparado o melhor limpante da parada. Você sente a limpeza nos fios. Já cortei um teco e deixei no banheiro. 😉

Percebi que o grupo do Face estava flodando minha timeline e eu já estava quase maluca com uma infinidade de receitas caseiras até que lembrei do conselho dado pela Camila Souza, colega do grupo, que me disse logo no começo da saga: “O mais importante pra mim é que, independentemente da técnica a ser seguida, é sempre bom tomar cuidado para não ficar neurótica, em busca dos cachos perfeitos. Ficar desse jeito perde toda a graça do negócio, que é em primeiro lugar um jeito que se libertar das neuras do cabelo liso. Porque entrar em outra onda desgastante dessa né?”. Palavras de sabedoria!

E para ilustrar essa segunda semana sem graça, um videozinho maroto com o meu cacheado ensebado. Digo sem graça justamente porque não estou vendo os efeitos maravilhosos dos que tanto ouvi falar. Mas assim como muitos me disseram, o importante é ter paciência….

Terceira semana: CARNAVAL

O Carnaval me trouxe muitos glitters e uma tinta rosa que eu inventei de passar na cabeça e não saiu mais! Assim como a lista dos proibidos já alertava, certas coisas só saem com xampu. E spray de pintar o cabelo é uma delas. Ficou uma bosta no final das contas e só saiu depois de uns quatro, cinco dias. Mas tudo bem. É Carnaval!

cabelo-carnval

Antes, durante…

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… e depois do Carnaval. Got FRIZZ?

Para dar uma higienizada pós-folia, testei também a técnica que bastante gente fala: o bicarbonato de sódio com vinagre de maçã. Olha só:

Claro que eu cabeçuda e com preguiça de ver os vídeos até o final, achei que não era para enxaguar o vinagre. Até que uma coceirinha chata e um aspecto duro me rodeavam. Corri para o banho e enxaguei a salada.

Olha, não sei se foi por causa de demora para enxaguar ou o que, mas eu não curti. Ficou pesado, seco nas pontas, oleoso na raiz… Sei lá, não rolou. Também li que a técnica pode ser um pouco agressiva e é recomendada apenas uma ou duas vezes por mês. No meu caso é a primeira e última mesmo! Mas valeu como experiência, vai. E ao contrário do que muita gente pensa, não, o cabelo não fica fedendo a vinagre. Pode confiar!

Entre dicas caseiras que descobri essa semana também está o leite de aveia para lavar o cabelo. Testado e aprovado!

> Leite de aveia

. 1 colher de aveia;

. 1 copo (200 ml) de água filtrada;

. Só mexer até ferver, depois coar, deixar esfriar e passar no couro cabeludo.

AMEI! Mais maravilhoso impossivel! Fácil, rápido e li que tem um poder limpante muito forte. Depois dele finalizei com o leite de pentear – maravilhosos como sempre!

Essa semana também entrei em contato com três das principais marcas citadas pelas garotas do NO POO. Entre elas a Bio Extratus, nome brasileiro que me mandou um kit super bacana indicado para quem não usa mais xampu. Adorei o creme de hidratação e o condicionador limpante, que é uma espécie de gel. Tudo muito cheiroso e só depois que eu passei que percebi como estava fazendo falta um cheirinho na juba…

bio-extratus

Ou seja, é legal saber que já existem produtos no mercado pensando nisso. A Deva Curl também me enviou uma amostra, que acabou chegando só depois do fim do desafio. Ainda assim experimentei o condicionador para co-wash e também gostei bastante do resultado!

Mas é importante lembrar que o objetivo não é voltar a ser refém da indústria. Estes são seus aliados. Combine-os (quando sobrar uma graninha no final do mês) com altas doses de receitas caseiras e Yamasterol. Assim você atinge um equilíbrio bacana!

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Mesmo depois de sol, cloro, vento e Carnaval, meu cabelo tem resistido fortemente ao NO POO e começa a dar os primeiros sinais de boniteza. Essa semana ele já se mostrou mais sedoso, cacheado e cheio de vida! O mais legal foi perceber que minha raiz não ficou mais oleosa. E muito pelo contrário! Mesmo deixando de lavar um dia sim e um não, meu cabelo continua bom. Algo inédito para mim que era obrigada a lavá-lo todos os dias por conta da oleosidade. Não posso deixar de comentar que também que tive uma leve coceira no couro cabeludo durante essa semana. Mas a Sabrinah me assegurou que isso era normal e parte do processo. E passou na semana seguinte.

Quarta semana: o Rio de Janeiro continua lindo…

Apesar de já estar me sentindo satisfeita com os resultados até agora, essa semana embarco para dez dias no Rio e resolvi testar a última das receitinhas que eu havia printado para o NO POO. O xampu de sabonete Dove. Olha só:

> Xampu de sabonete Dove

. 1 sabonete Dove Essential Care ralado;

. 200 ml de água filtrada;

. 2 colheres de óleo vegetal (semente de uva);

. 1 colher de anfótero;

. 1 tampa de Probentol (ou Bepantol);

. Dissolva o sabonete em banho maria com a água e espere esfriar. Adicione o resto das coisas e FIM!

Achei ele perfeito para levar para a praia, pois limparia e hidrataria. Minha aposta foi na medida certa! Além de excelente, a mistura acabou servindo como sabonete líquido durante a viagem. Ueba, mais espaço na mochila!!!

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Processo do xampu de Dove

Quando cheguei na casa dos meus amigos cariocas já logo contei do desafio e saí tagarelando que eu tinha feito o meu próprio xampu. Falei também sobre o que me motivava a continuar sem química, dos cachos naturais e que deixaria o frasco à disposição caso algum deles ficasse a fim de usar. E não é que antes de me despedir a Dri, namorada do Renato, me confessa que ele usou todos os dias e está AMANDO o NO POO? “Caraca! Meus cachos voltaram. Adorei”, ele me disse todo contente. Ueba!!! Plantamos uma sementinha!!! :)

Deixei a mistura de lembrança e a Dri já me adiantou que seria a próxima a testar. Por conta de uma forte alergia na pele, ela é obrigada a lavar a cabeça toda contorcida, pois se algum produto cair na pele, ela tem uma coceira danada. Ou seja, está aí mais um motivo para você começar já esse NO POO!

Bom, para a viagem levei também o Yamasterol e usei até acabar. A cada banho de mar eu repassava o creminho, pois na sua composição ele informa ter também filtro solar. E quando acabou comprei um Neutrox, que tem o aspecto e o preço muito parecidos com o Yama. Achei que nada poderia superar meu amor até que encontrei mais esse aliado. Até agora meu preferido de toda a experiência! R$ 2,50 200 g. Como não amar?!

Aí você me pergunta se meu cabelo está mais bonito e se finalmente esse negócio de NO POO fez efeito. E eu te respondo apenas com uma imagem:

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Essa última semana realmente foi decisiva. Parece que engrenou! A química toda saiu e agora meu cabelo está leve, natural, cacheado, sedoso, brilhante e lindão!!!

Resumo da ópera:

Eu nunca mais uso xampu! Além de adotar uma medida sustentável e que faz bem para a minha saúde, com o NO POO eu economizo dinheiro, não tenho mais raiz oleosa, posso sim ficar um dia sem lavar o cabelo e tenho meus cachos de volta!!! Escova para pentear também nunca mais! Um mês sobrevivi apenas com um pente de madeira e os dedos. É depender de uma coisa a menos, sabe?

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Olha minha raiz antes e depois do desafio!!!

E papo vai, papo vem, e de tanto conversar sobre o NO POO, pesquisar e ter a cada dia uma nova descoberta, talvez eu tenha encontrado a mais valiosa delas: descobri algo que vai muito além do cabelo.

Por que será que grandes revistas femininas e meios de comunicação não tocam no assunto: “o não uso do xampu?”. (Por coincidência, dias antes dessa matéria sair, O Globo fez uma matéria. Olha só). Mas pode até parecer um pouco teoria da conspiração, mas se a gente parar para pensar, a maior parte deles receber grandes patrocínios e incentivos de indústrias cosméticas.

Ainda sobre reflexões. O que mais me toca nesta matéria é enxergar um movimento cultural lindo por aí. Conversando no final de semana com um uma grande amiga, ruiva, cacheada e jornalista, estávamos tricotando sobre dicas e trocando figurinhas sobre a experiência de abandonar o xampu. Ambas nos queixávamos que era necessário “caçar” informações. Nunca nada era muito claro e não havia um só papa da internet sobre o assunto. Foi aí que eu verbalizei e descobri que esse sim foi o meu melhor aprendizado durante esse processo.

Quantas mulheres negras você já viu em capa de revista? Quantas estão na TV? Quantas estão nas novelas? Quantas estão entre os looks mais copiados? E agora, quantas mulheres negras existem no Brasil? De acordo com pesquisas do IBGE sabemos que 53% dos brasileiros se declararam pardos ou negros – e esse número cresceu! Agora, por que estou falando de negros? Porque quero chegar na reflexão do cabelo crespo.

Já comentei aqui o principal motivo das brasileiras adotarem o NO e o LOW POO é assumir os cachos, as formas lindas e naturais dos seus cabelos. Quando eu entrei em um grupo frenético do Facebook com cerca de 140 mil pessoas falando sobre cachos, desacreditei. Essas garotas e garotos postam fotos, dicas, looks com os sua cabeleira e todo mundo curte, ama! São inspirações para eles mesmos. Então não importa o que a mídia está falando. Não interessa mais o que alguém publicou ou julgou “o que vende e o que não vende”. É um não à ditadura da beleza. É o começo de uma nova era. Quem manda no estilo agora são as redes sociais. São as pessoas. Cara, e isso não é lindo demais?

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Ilustra da minha amiga cacheada e adepta ao NO POO, Juliana Mavalli <3

Me sinto muito orgulhosa e privilegiada de poder passas essa mensagem adiante. Achei foda demais fazer parte de tudo isso. Sim, sou loira e branca (apesar de adorar ticar o parda em formulários). Mas sou brasileira. Meu cabelo é cacheado. Sou fruto de toda essa mistura maravilhosa e quero poder gritar para o mundo inteiro! <3

VIVA!

VIVA! a todos que passaram a ler os rótulos do produtos e se perguntarem: o que é mesmo que eu estou usando? Um VIVA! para todo mundo que desconstruiu um estereótipo e superou a cara de nojinho quando contou que não ia mais usar xampu. VIVA! para você que está contribuindo com o meio ambiente. VIVA! as cacheadas! VIVA! a beleza natural! VIVA! para eu que ganhei um cabelo lindo e uma consciência nova. E um VIVA! para você que chegou até o fim dessa matéria e provavelmente está inspirado para começar um NO POO também! mrgreen Já o xampu? Xiiii…. Nunca mais!

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©Giphy