Ele encontrou um meio de dar voz aos questionamentos e desejos de três viciados em heroína

A realidade do uso epidêmico de drogas pelo mundo, e o debate em torno de como melhor lidar com essa questão, são as vezes dificultados por preconceitos, desinformações, intenções escusas, ideologias ou religiões. O fotógrafo canadense Aaron Goodman passou um ano fotografando três usuários de heroína a fim de justamente humaniza-los, para tentar trazer a questão para um campo mais claro, empático e direto. Após as fotos, Goodman deu voz aos próprios usuários, para que eles comentassem sobre as imagens.

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O trabalho teve como mote a polêmica ao redor de tratamentos públicos para usuários de heroína que a cidade de Vancouver promove, e o olhar de Goodman, junto das palavras de Cheryl, Marie e Johnny, visa justamente ajudar que o público chegue a suas próprias conclusões sobre esses tratamentos.

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Segundo Goodman, o usuário de heroína é historicamente retratado como um marginal perigoso, sem face ou opinião, como se o uso de drogas representasse sua existência como um todo. As fotos e as falas procuram justamente iluminar outros aspectos dessas vidas, em seus trabalhos, com suas famílias, sem amenizar o problema, mas evidenciando uma totalidade mais complexa e humana.

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Abaixo, algumas imagens e as palavras das três pessoas retratadas.

Cheryl:

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“Nós precisamos que vocês vejam que não somos monstros estereotipados. Somos pessoas como vocês, mas com um vício. Algo que fazemos um pouco mais do que outros. Olhe para essas imagens com doçura, pois poderia ser sua filha, seu filho fazendo o mesmo que eu, escondendo isso de vocês pela maneira que vocês o olham. (…)”

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“Eu só espero que tenham uma perspectiva melhor sobre como é a vida de um usuário de heroína ou o que é preciso fazer para conseguir a droga. Que é possível se conseguir ajudas melhores para usuários, e assim o mundo seria mais seguro, mais sereno.”

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Johnny:

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“Essa foto representa a mim como alguém tentando não infrigir as leis, catando algumas garrafas para ganhar um dinheiro. Dessa forma, posso me alimentar. O que falta nessa foto são os seguranças que normalmente me ameaçam. E não há motivos, pois não estou machucando nem roubando ninguém. É isso que está faltando. Essa é a mensagem que não está chegando”.

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Marie:

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“Eu não sou só uma junkie. Tenho pessoas que se importam comigo e por quem eu me importo. A pessoa que vocês veem com uma seringa na mão não é a única pessoa que eu sou”.

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“(com o tratamento) eu não preciso mais estar em becos, como costumava. Estou em um ambiente seguro, sem o risco de me infectar ou transmitir doenças. Minha saúde está segura”.

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Uma coisa que fica clara de início é a certeza de que olhar o usuário como um criminoso por princípio, alguém que merece a exclusão, é não só desumano, como alimenta a marginalização de um mercado que, ao permanecer irregular e ilegal, fomenta violência e doença sem necessidade.

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A guerra mundial às drogas não deu certo, e esse é claramente um problema de saúde, e não de polícia – e os três usuários retratados garantem que o tratamento que recebem, com drogas de qualidade comprovada, sem precisar do submundo e de meios espúrios para conseguir controlar o vício, lhes salvou a vida.

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A série completa pode ser vista no site do fotógrafo.