Roteiro Hypeness: um dia no Templo Zu Lai em São Paulo

“Aqueles que não protegem o seu país, mas, ao contrário, o traem, quando este é destruído, perdem seu próprio lar. Não são eles mesmos seus inimigos?”. Esta frase, ainda muito atual, foi escrita pelo venerável Mestre Hsing Yün. Ele é o fundador da Ordem Budista de Fo Guang Shan e do maior monastério budista da América Latina, o Templo Zu Lai, em São Paulo, que o Hypeness foi conhecer num domingo festivo.

No dia 8 de fevereiro foi celebrado oficialmente o Ano Novo Chinês de 2016, que por conta do Carnaval foi comemorado no templo Zu Lai somente em 21 de fevereiro. A festa, com cerimônias, apresentações culturais, luz e comida acontece gratuitamente e neste ano reuniu milhares de pessoas que acompanharam de perto a chegada do Ano do Macaco de Fogo.

Isso significa que até 27 de janeiro de 2017 o regente do horóscopo da China trará bons fluídos, inovação e progresso para aqueles que semeiam o bem, tendo o juízo de justiça em mente. A celebração, como em todos os anos, foi um lugar de harmonia e boas energias permeando entre as várias lanternas vermelhas que nos deixam com os olhinhos brilhando.

A parte mais aguardada do evento são as apresentações de performance, luta, coral e dança que acontecem no pátio principal. Um dragão foi formado por mulheres, o que surpreendeu positivamente o público. Mais para o final, um outro dragão, carregado por várias pessoas, também se apresenta, fazendo a tradicional Dança do Dragão. Todos os espetáculos são marcantes e cheios de vida.

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A 34 km da capital, o templo fica num ponto tranquilo de Cotia, cercado de verde e de muitas estátuas de Buda e outras figuras importantes do budismo. Caminhar entre o bambuzal, sentar-se perto do lago ou adentrar a sala de cerimônias nos mostra o que é, de fato, encontrar um bocado de paz no meio do caos da metrópole. Há espaço de sobra para a contemplação e o tempo nem se atreve a correr, então é só curtir e se concentrar na beleza do local.

Antes de passar pelo portal notamos as estátuas que simbolizam monges iluminados, os 18 Arhats, nome que simboliza que a iluminação foi alcançada após ensinamentos vindos de outra pessoa – ao contrário de Buda, que alcançou por si mesmo. Cada um deles têm sua própria história, importância e significado, assim como todos os outros monumentos presentes no templo.

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Para entender melhor sobre as mais variadas formas de Buda que encontramos por aí, recomendo uma ida ao Museu de Arte Sacra Budista, modesto, mas de grande valia a compreensão básica da religião e suas figuras. Foi lá onde entendi melhor sobre a suástica, símbolo que infelizmente ficou mais associado ao nazismo do que qualquer outra coisa.

Milenar, ele não foi criado por Adolf Hitler, como muitos pensam. Pouco se sabe sobre sua origem, mas de maneira geral, está associado à pureza, longevidade e harmonia universal, mesmo que ainda assim carregue os mais diversos significados e possui finalidades distintas ao redor do mundo. O símbolo invertido, chamado de Manji, é visto cravado no peito do Buda Abhaya Mudra.

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Na loja você encontra o Buda nas suas mais variadas formas e preços, além de livros, acessórios e itens de decoração. O templo ainda conta com uma bela sala de meditação, uma cafeteria e uma biblioteca. A programação extensa envolve cursos (ioga, meditação, kung fu, Tai Chi Chuan…), retiros de meditação e cerimônias, além de almoço vegetariano a um preço muy amigo. Antes de ir, é bom conhecer as regras de conduta e se o grupo tiver menos de 15 pessoas não há necessidade de agendamento prévio.

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Para finalizar uma pauta tão espiritualizada, deixo abaixo um dos grandes legados do Mestre Hsing Yün, que entre tantos feitos é o atual mestre budista mais conhecido e respeitado na Ásia, ao lado de Dalai Lama. A Ordem de Fo Guang Shan, criada por ele, se espalhou por 220 templos ao redor do mundo, com sede em Kaohsiung, Taiwan. Mesmo que você, assim como eu, não seja budista, acho que é sempre válido conhecer as mensagens que cada religião passa e absorver o que há de melhor nelas.

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1 – Descubra seu maior defeito e disponha-se a corrigi-lo.

2 – Escolha até três exemplos de vida e determine-se a segui-los.

3 – Tenha força e sabedoria para resistir às tentações do mundo.

4 – Cultive a força da tolerância de forma a compreender, aceitar, assumir responsabilidades, ter determinação e melhorar as circunstâncias externas. Então, passe a cultivar a tolerância pela vida, a tolerância por todos os dharmas e a tolerância pelos dharmas não-surgidos, de maneira a transformar o cultivo da tolerância em força e sabedoria.

5 – Aprenda a se adaptar à pressão externa e não se deixe afetar por ela.

6 – Seja ativo e destemido. Pense antes de agir.

7 – Envergonhe-se do que ignora, do que é incapaz, do que o torna impuro e rude.

8 – Faça com frequência algo que toque o coração das pessoas.

9 – Sinta-se bem sob qualquer circunstância, siga as condições corretas, esteja sempre livre de aflições e faça tudo com alegria no coração.

10 – Ser corajoso e virtuoso é ter a capacidade de admitir os próprios erros.

Templo Zu Lai
Estrada Fernando Nobre, 1461 (Acesso pelo Km 28,5 da Rodovia Raposo Tavares) – Cotia/SP
Tel: (11) 4612-2895

Horários: de terça feira à sexta feira: das 12h às 17h; sábados, domingos e feriados: das 9h30 às 17h; segundas-feiras: Fechado (mesmo em feriado).

Todas as fotos © Brunella Nunes