Matéria Especial Hypeness

A palavra lixo precisa ser reciclada e já tem gente fazendo isso

por: Redação Hypeness

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Já percebeu como a palavra “lixo” tem uma conotação negativa? Tão negativa que ela é até usada como xingamento por aí. Lixo, entulho, porcaria, resto, sujeira… Nada disso presta certo? Será mesmo?

Pois é, vamos combinar em primeiro lugar que, muito mais negativa do que a palavra que nós usamos, é a quantidade de lixo que produzimos: só no Brasil, são mais de 250 toneladas de lixo por dia [1]. A pesquisa AbreIpe, de 2012, indicou que cada brasileiro produz em média 383 quilos de lixo por ano [2] – ou seja, mais de 1 quilo de lixo por dia.

No mundo, estima-se que este número chegue a 1,3 bilhões de toneladas ao ano, se considerarmos apenas os resíduos urbanos [3], mas estes resíduos correspondem a apenas 2,5 % do total de lixo gerado pelo planeta [4]. É, você já deve ter sacado que a coisa é bem mais grave do que parece.

E quem acha que a produção de lixo é um problema de países subdesenvolvidos já pode começar a repensar essa ideia. A relação é exatamente a inversa: quanto mais desenvolvido um país, mais lixo ele tende a gerar. O gráfico abaixo deixa isso mais do que claro (quanto mais escura a cor do país, maior a quantidade de resíduos sólidos gerados por pessoa ao dia):

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Imagem via.

Afinal, é engano pensar que nossa responsabilidade pelo lixo termina quando colocamos ele para fora de casa. Daí em diante, ele parece desaparecer magicamente, mas não é assim que funciona. Muitas coisas que jogamos fora podem permanecer por muito tempo em nosso planeta. Isso acontece até mesmo com as sacolinhas plásticas que usamos para envolver o lixo: elas demoram mais de 100 anos para se decompor – no caso dos sacos de papel, esse tempo cai para cerca de 6 meses [5].

Dessa forma, tudo que consumimos fica por aqui: pode ser acumulado como resíduo em um aterro ou retornando ao ciclo da natureza. Por isso, é importante repensar nossa relação com o lixo a partir da perspectiva dos três R’s: Reduzir, Reutilizar e Reciclar.

Na prática, Reduzir significa pensar nos resíduos muito antes de que eles se tornem “lixo”, partindo de uma perspectiva de que o consumismo por si só já acarreta uma enorme quantidade de entulho. Ou seja, é a prática de repensar nossas escolhas sempre que vamos consumir algo: buscar itens com menos embalagens e comprar somente o necessário são pequenas atitudes que qualquer um pode começar a praticar em seu dia-a-dia e ajudam a diminuir a nossa pegada ecológica.

Projeto Gaveta

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Uma iniciativa inovadora nesse sentido é a do Projeto Gaveta (falamos dele aqui), criado por Giovanna Nader e Raquel Vitti Lino. A proposta é justamente repensar nossa relação com a moda e com o consumismo. Para isso, elas criaram eventos que mostram como é possível se vestir com estilo sem precisar comprar roupas a toda hora.

Tudo começou quando perceberam que, assim como todas as suas amigas, elas tinham roupas de sobra no armário. Foi aí que decidiram trocar as peças como uma maneira de economizar dinheiro. “A partir daí a ideia evoluiu e decidimos fazer um evento não só para nossas amigas, e sim para todo mundo que queria participar e ao fim da nossa primeira edição tivemos 75 participantes e mais de 4.000 peças recolhidas”, conta Giovanna. O lema do Gaveta não poderia ser outro: ser mais e ter menos.

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Mas o impacto da iniciativa vai muito além de permitir que as pessoas troquem suas peças para manter o armário cheio de novidades. A industria da moda é a segunda mais poluente do mundo, perdendo apenas para a de petróleo. Essa indústria é responsável por 20% da poluição das águas dos rios, temos roupas suficientes no mundo que poderiam abrigar várias gerações a frente”, lembra ela.

Por isso mesmo, uma das ideias do projeto é justamente lançar um novo olhar sobre essa indústria e questionar o que o mercado da moda impõe. A iniciativa não poderia ter dado mais certo: ao longo de 3 anos, elas calculam ter colocado em circulação mais de 22 mil peças que já não eram mais usadas. “É importante ressaltar que nossas peças são 100% reaproveitadas, o que não vai para a rede de troca por não estar em bom estado, doamos para quem precisa. Já foram 3 instituições de caridades e esse ano realizamos a primeira edição do Gaveta na Rua, em que montamos uma loja no centro de São Paulo para moradores de rua e pessoas necessitadas”, conclui Giovanna.

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Fotos: Divulgação

Mesmo assim, a gente sabe que é difícil reduzir o consumo a uma quantidade realmente insignificante. E, embora qualquer um possa deixar de comprar supérfluos, como roupas em excesso, eletrônicos e bobagens em geral, é impossível deixar de comprar comida. Tudo bem que tem gente que realmente encara essa ideia e só come comida que iria para o lixo ou faz uma jornada em busca da autossustentabilidade, mas é claro que nem todo mundo está disposto a uma mudança tão radical em seu estilo de vida.

Orquestra de reciclados

Nesses casos, a melhor proposta é buscar uma maneira de reutilizar o que iria para o lixo. Pode ser criando brinquedos com caixinhas de leite, usando aqueles potinhos de vidro para guardar seus temperos ou seguindo o exemplo desta orquestra, cujos instrumentos são todos feitos de coisas que iriam para o lixo.

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O projeto surgiu na favela de Cateura, em Assunção, no Paraguai com o auxílio do professor Flávio Chavez e do músico Luis Szaran. Os dois decidiram criar uma orquestra com os jovens da comunidade, muitos dos quais possuíam vocação musical. Porém, um novo problema apareceu: a falta de recursos para comprar os instrumentos.

Por sorte, outro talento também se escondia pelas ruas da favela: o artesão Nicolas Gomez, com a habilidade de transformar peças encontradas no lixo em instrumentos musicais. Assim nascia a Orquesta de Reciclados de Cateura, que já se apresentou no Brasil, no Panamá, na Colômbia e nos Estados Unidos.

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O som criado por eles não deixa nada a desejar quando comparado aos instrumentos tradicionais e até um filme já foi o feito sobre a criação da orquestra – no Brasil, a produção ganhou o nome de Landfill Harmonic – Uma Sinfonia de Espírito Humano. No trailer abaixo (em inglês) você descobre mais sobre o projeto e ainda escuta um pouco da música criada pelos meninos da Cateura:

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Fotos via

A iniciativa só prova o que a gente já sabia: com boa vontade, muito do que parece lixo para alguns pode se transformar em objetos úteis para outras pessoas. É só uma questão de refinar nosso olhar e perceber que algumas coisas podem ganhar um destino bem mais interessante do que a lixeira de nossas casas.

Quando isso não acontece, é importante focar na reciclagem. Muitos materiais, como o papel e o plástico, podem ser reciclados apenas uma determinada quantidade de vezes, enquanto o vidro e o alumínio, por exemplo, podem ser reciclados infinitamente – mas é preciso lembrar que o processo também gera impactos ao meio ambiente, ainda que menores do que a produção de novos itens com as mesmas características.

Instituto Guandu

Por mais que não se fale sobre o assunto, a matéria orgânica também pode ser “reciclada”. Calma, não vale começar a misturar todo o lixo, não! Nós estamos falando é da compostagem, uma prática que pode ser feita por qualquer pessoa e ajuda a completar o ciclo da natureza quando se tratam de resíduos orgânicos, transformando este resíduo em adubo.

Uma iniciativa interessante nesse sentido é do Instituto Guandu, criado pela jornalista Fernanda Danelon, em 2012. Depois de exercer a profissão por quase 20 anos, ela se especializou em sustentabilidade, economia criativa e agroecologia. Com isso, foi descobrindo coisas das quais não tinha conhecimento, como o fato de São Paulo ter famílias que se dedicam à agricultura orgânica.

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Não demorou para que Fernanda percebesse que havia também o outro lado: o da gastronomia. “Cada vez mais restaurantes estavam buscando utilizar alimentos orgânicos. Foi quando surgiu a ideia do Instituto Guandu. Nós fazemos a coleta seletiva diária dos resíduos e levamos para a compostagem. Depois, esse mesmo material é usado para criar uma horta com alimentos que voltam para a mesa dos restaurantes”, conta ela.

O projeto é ainda mais importante pelo fato de que é proibido realizar compostagem de quantidades maiores do que 100kg na cidade de São Paulo. Além disso, a Anvisa não permite que restaurantes armazenem lixo e compostagem – mas Fernanda lembra que “isso seria realmente difícil, pois exige muito espaço e pessoal qualificado para realizar a tarefa”. Segundo ela, outro problema gerado a partir da proibição da compostagem em São Paulo é o transporte dos resíduos, que muitas vezes precisam viajar de 100 a 200 quilômetros para encontrar um destino adequado – o que não é nada sustentável.

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O Instituto Guandu hoje coleta cerca de 2 toneladas por dia de 17 restaurantes, sendo um hotel. Em dois anos de atividade, já deixamos de jogar nos aterros e lixões mais de 1.200 toneladas de resíduos orgânicos”, lembra ela. O material é levado para áreas de compostagem em Campinas e Jundiaí, onde a prática é permitida.

Mesmo assim, Fernanda lembra que a capital paulista produz cerca de 7 mil toneladas de resíduo orgânico por dia. Dessa forma, apesar de ainda ser pequeno, o impacto gerado pela iniciativa é essencial, pois evita que os resíduos sejam jogados em aterros, onde geram materiais nocivos ao meio ambiente como o chorume e o metano.

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Para conscientizar sobre a nossa relação com o lixo, a Sony Pictures Television Networks, responsável pelo Canal Sony e pelo AXN no Brasil, criou a campanha global de conscientização e responsabilidade ambiental Picture This: Picture a Better World.

No Brasil, a iniciativa levou a um projeto colaborativo em parceria com o Instituto GEA e com a FAAP – Fundação Armando Alvares Penteado, em que alunos dos cursos de graduação de Comunicação e Marketing da instituição criaram vídeos de 30 segundos abordando temas que permeiam estes 3R’s que falamos acima. O projeto começou em março e os vídeos passaram a ser divulgados no início deste mês nos dois canais, em comemoração à semana mundial do meio ambiente.

Com a iniciativa, a Sony Pictures Television Networks quer engajar a comunidade e incentivar o público a fazer algo para melhorar sua relação com o meio ambiente. Por isso mesmo, o projeto buscou nos alunos da FAAP a vontade de fazer acontecer e se aliou com a GEA, que tem conhecimento para educar sobre a questão ambiental. A distribuição ficou por conta dos canais do grupo.

Para produzir os materiais, os alunos contaram com a consultoria de Ana Maria Domingues Luz, ambientalista e Presidente do Instituto GEA, além de ter o apoio dos professores da FAAP e dos profissionais do Canal Sony e do AXN no momento de construir uma chamada para a televisão, desde o roteiro até o processo de edição.

O resultado é genial e pode ser conferido nos quatro vídeos abaixo:

A iniciativa faz parte de uma campanha global da Sony Pictures Television Networks, lançada em setembro de 2015 em 30 idiomas e 178 países ao redor do globo, que fazem parte da cobertura geográfica dos canais do grupo.

Para saber mais, confira também o site do Picture This e não deixe de curtir a página no Facebook e seguir o perfil no Twitter da iniciativa.

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