Inspiração

“Eu sou todas as mulheres”: vítima de estupro conta em carta por que não precisa se identificar

por: Redação Hypeness

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Uma das coisas que ficou clara nas últimas ocorrência de estupro aqui no Brasil é que para noticiar tal fato nós, como mídia, não precisamos divulgar os nomes das vítimas para repassar essa informação. Por motivos óbvios de medo e vergonha. E a corrente que surge agora é de depoimentos anônimos sobre estes tristes casos. Conheça mais um deles.

Aconteceu em Stanford, uma das faculdades mais bem conceituadas do mundo localizada na Califórnia. A garota de 23 anos foi sexualmente abusada por um ex-nadador da instituição. Em seu depoimento ela preferiu não ser identificada, pois diz ser “todas as mulheres”.

Foi em 2015. Brock Allen Turner a estuprou enquanto ela estava inconsciente e foi condenado a seis meses de prisão porque uma pena mais longa teria “um impacto grave sobre ele”, de acordo com o juiz. E durante a condenação, a vítima leu uma carta para o agressor descrevendo o “impacto grave” que a agressão teve sobre ela. ps.: esse nome sim merece ser divulgado. É de um criminoso adulto.

“Eu fui bombardeada por perguntas específicas e detalhadas que dissecaram minha vida pessoal, minha vida amorosa, minha vida familiar. Perguntas vazias, acumulando detalhes triviais para tentar encontrar uma desculpa para esse cara que me deixou seminua antes mesmo de sequer se preocupar em perguntar o meu nome., escreveu.

“Quantos anos você tem? Quanto você pesa? O que você comeu naquele dia? O que você comeu no jantar? Quem fez o jantar? Você bebeu durante o jantar? Não, nem mesmo água? Quando você bebeu? Quanto você bebeu? De que recipiente você bebeu? Quem deu a bebida a você? Quanto você geralmente bebe? Quem deixou você na festa? A que horas? Mas onde exatamente? O que você estava vestindo? Por que você foi àquela festa? O que você fez quando chegou lá? Tem certeza que você fez isso? Mas que horas você fez isso? O que essa mensagem significa? Para quem você enviou a mensagem? Quando você fez xixi? Onde você fez xixi? Com quem você fez xixi do lado de fora? Seu telefone estava no modo silencioso quando sua irmã ligou? Você se lembra de colocá-lo em modo silencioso? É mesmo? Porque, na página 53, eu gostaria de frisar que você disse que ele estava configurado para tocar. Você bebia na faculdade? Você disse que era viciada em festas? Quantas vezes você apagou? Você ia a festas em fraternidades? Seu relacionamento com seu namorado é sério? Você é sexualmente ativa com ele? Quando vocês começaram a namorar? Você trairia algum dia? Você tem algum histórico de traição? O que você quis dizer quando falou que queria recompensá-lo? Você se lembra de que horas você acordou? Você estava vestindo um cardigã? Qual era a cor do seu cardigã? Você se lembra de mais alguma coisa daquela noite? Não? OK, bom, vamos deixar o Brock completar.

E hoje ela se ao lado de garotas no mundo todo. “Nas noites em que vocês se sentirem sozinhas, quando duvidarem, eu estou com você. Eu luto todos os dias por vocês. Eu acredito em vocês”, anuncia a garota.

“Mantenho o anonimato para preservar minha identidade. Venho como uma mulher comum que está esperando para ser ouvida. E esta não é a história de mais uma universitária bêbada que fez escolhas ruins. Agressão não é acidente.”. É crime.

E se você ainda não aprendeu a respeitar o anonimato, aula número 1:

Foto via Pinterest


Redação Hypeness

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