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A comovente história de superação e glória de Rafaela Silva, o primeiro ouro brasileiro nos jogos do Rio 2016

por: Vitor Paiva

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Não podia ser melhor nem mais emocionante: o primeiro ouro brasileiro nas olimpíadas do Rio veio de uma mulher negra e carioca, que começou a lutar em um projeto social. Rafaela Silva tornou-se a segunda campeã olímpica brasileira da história com um wazari aplicado sobre a adversária, a mongol Sumiya Dorjsuren e, em lágrimas após a luta, deixou claro o quanto a vitória foi uma redenção às críticas que recebeu após a derrota em Londres, em 2012.

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“Depois da minha derrota, muita gente me criticou, disse que eu era uma vergonha para minha família, para meu país. E agora sou campeã olímpica”, afirmou Rafaela, após o ouro. “Para uma criança que saiu da comunidade com cinco anos e começou no judô por brincadeira é demais. Eu dedico a todo mundo”, disse Rafaela, que saiu da comunidade da Cidade de Deus para se tornar a maior judoca da história do Brasil – Rafaela tornou-se campeã olímpica e mundial, depois do título mundial também conquistador no Rio, em 2013.

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A história de Rafaela é caprichada em superações e dramas, até atingir esse auge nas olimpíadas do Rio. Seus primeiros passos no Judô se deram em uma academia montada em sua rua, na Cidade de Deus. Dalí Rafaela foi treinar no Instituto Reação, criado por Flávio Canto e seu técnico, Geraldo Bernardes, para ensinar judô em comunidades carentes. Em 2008, se tornava campeã mundial sub-20.

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A participação nas Olimpíadas de Londres foi de tal forma traumática que Rafaela cogitou abandonar o esporte. Depois de ser eliminada por aplicar um golpe ilegal, a judoca recebeu uma enxurrada de mensagens racistas e vexatórias pela internet. Foi com o suporte da família, de Canto, Bernardes e de uma psicóloga que ela conseguiu reencontrar seu eixo e se preparar para o mundial de 2013 e os jogos do Rio. Rafaela venceu ambos os campeonatos e, com isso, tornou-se também primeira colocada do ranking internacional de judô um ano após a derrota em Londres.

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Nascida e criada até os oito anos na Cidade de Deus, Rafaela foi colocada pelos pais no judô para tentar direcionar a energia da filha brigona – ela peitava qualquer um na comunidade, fosse menina ou menino. Rapidamente o técnico viu nela um diamante bruto que, agora devidamente lapidado, chega ao topo de seu esporte – não poderia haver história melhor para ser coroada com o lugar mais alto do pódio e o primeiro ouro brasileiro nesses jogos.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta e Só o Sol Sabe Sair de Cena.

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