Já pensou em começar seu dia numa balada matinal? A gente foi sentir de perto essa good vibes

O despertador deveria ter tocado, mas me deixou na mão. Às 07h15 fui acordada no susto e já no desespero por não estar na Vila Madalena, em SP. Isso porque às 7h30 começava a Wake, balada matinal que tem o objetivo de deixar todo mundo energizado, bem diferente do ritmo em que eu estava. Estressada e morrendo de preguiça, arrastei meu corpo até o endereço pra saber afinal o que levava as pessoas a levantarem da cama dançando.

É engraçado como as coisas fluíram, apesar de eu não ter acordado no horário que planejei. O trânsito da caótica São Paulo colaborou tanto comigo que só pode ter sido um presente divino. A Av. Paulista estava sorrindo, mas eu ainda não. Sim, o bom e velho mau humor matinal. Me deixa, mano!

Fiquei disputando com o Waze quem estaria certo no horário previsto para chegada e bem, eu perdi. Por incrível que pareça, demorei cerca de 25 minutos para ir do Ipiranga à Vila Mada, o que chamo de milagre se a gente levar em conta a distância e o horário.

A Wake, que nesta edição aconteceu no bar Alto da Harmonia, começa com uma aula de ioga, que foi ministrada pelo moçambicano e terapeuta holístico Zé Miguel.

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Pelo chão se espalhou tanta gente que não sobrou um lugarzinho pra atrasada aqui. Mas tudo bem, meu estresse já tinha passado e eu estava em outra dimensão, bem longe daquela coisa louca que é uma metrópole. A ioga, que eu já pratico quando posso, traz uma paz que é difícil de explicar. Ali era só good vibes e incensoAula terminada, o DJ Vitor Kurc começou a subir o som, que era tão zen quanto a galera que organiza o evento.

A música então embalou os corpos que antes se relaxaram naquele mesmo chão. Num ritmo progressivo, quando me dei conta já estava me balançando também, mesmo que discretamente. Sem alcoólicos e nem tóxicos, o que alimentava as pessoas era a energia yogui, a música e uma mesa com comidas e bebidas saudáveis. Mas sinceramente o interesse em dançar era maior do que o desjejum. Ninguém ficou parado. Mesmo.

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Os músicos Rodrigo Sha (Saxofone) e Alan Gonçalves (percussão) acompanharam o ritmo do DJ, e performers chegaram para incrementar a festa com suas cores e movimentos. Despertamos. A quantidade de sorrisos por metro quadrado logo pela manhã foi uma coisa que eu nunca tinha presenciado. Estavam todos bem, animados, tranquilos e dispostos. Uns sentiam a música com movimentos mais leves, enquanto outros pulavam como se não houvesse amanhã. Sem contar a roupa, que poderia ser até mesmo seu pijama. O salto alto é substituído por chinelo ou rasteirinhas. A maquiagem? Zerada, assim como os julgamentos.

No meio da galera alto astral estava a consultora Tatiana Viana, que já participou de várias atividades da Mandalah, uma consultoria global de inovação consciente, e pela primeira vez se juntou à Wake. Essas experiências te ajudam a se reconectar com você mesmo e compartilhar com outras pessoas que estão na mesma vibe. Com certeza muda o jeito de começar o dia, energiza e nos deixa muito conscientes de tudo o que está por vir, com uma disposição melhor”.

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A ideia das festas matinais, que acontecem mundo afora e no Estados Unidos ganha o nome de Daybreaker, é exatamente essa. No caso da Wake, o intuito é  desafiar as pessoas a protagonizarem mudanças positivas em suas vidas. A primeira, pra mim, foi definitivamente acordar numa balada e não ir dormir podre após uma noitada, como acontecia quando eu era jovem (cof, cof!).

O ritual antes de um longo dia de trabalho também inclui meditação e massagista, tudo para que você não seja aquela pessoa a destruir o dia de alguém ou o seu próprio dia. E isso não é só blá blá blá, não. Existem estudos científicos que comprovam mudanças psicológicas e físicas no corpo de quem se entrega à práticas como esta. Segundo pesquisas da  Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), o ato de meditar turbina os domínios cognitivos, fazendo com que se desacelere a perda de massa cinzenta do cérebro, responsável por tais funcionamentos.  

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Feita com base na doação, de equipamentos como o mat de ioga à locação, a Wake cobra um valor por ingresso, que vai de R$ 35 a R$ 70 – dependendo do lote -, destinando 100% do lucro a um projeto social presente no evento. Nesta edição a verba foi para a CTC Digital, uma escola social de marketing digital para jovens que estão ou finalizaram o ensino médio na rede pública. Às 9h30 se fez uma roda para agradecer a todos (inclusive o Hypeness – gratidão!), enviar energias, ver uma apresentação de Gui Vitali e ouvir a voz suave de Nicole Salmi cantando. Chegava ao fim aquela manhã de tantos contrastes.

Você prefere acordar ou despertar? Eu despertei. Se todas as manhãs fossem assim, eu flutuaria sobre essa Terra.

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As próximas Wakes – que acontecem não só em São Paulo – podem ser acompanhadas pelo Facebook. No dia 11 de novembro a Mandalah comemora seus 10 anos e fará uma edição da balada matinal, além de palestras e uma festa noturna inspirada no festival Burning Man. Saiba mais aqui.

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Todas as fotos © Brunella Nunes & Fábio Feltrin

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