Projeto conta as histórias das pessoas com seus livros favoritos

Se todo romance conta uma história, a verdade é que o livro não acaba na sua última página. Da história que se encerra começa outra, a partir do livro, no coração, na cabeça e na vida do leitor. São os personagens que pertencem às histórias contadas nos livros, mas que não estão em suas páginas – nós, que mudamos a cada nova leitura. É a história dos leitores e seus livros preferidos que o projeto História além da capa escolhe contar.

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O projeto, portanto, reúne relatos de como livros e suas histórias mudaram a história e a vida de seus leitores – a relação de leitores com seus livros preferidos, e como esses livros mudaram suas vidas. Sentimentos, lembranças, sonhos, alegrias e tristezas, histórias banais ou sagas intermináveis, tudo vale e é bem vindo – tal qual nas melhores páginas da literatura.

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Reunimos aqui dois relatos, mas no site do projeto ou em sua página no facebook muitas outras histórias podem ser lidas. É um ótimo recurso para se recolher recomendações literárias (e uma boa sugestão de pauta para um papo numa mesa de bar), e se comover com os diversos sentidos profundos que um livro pode revelar em nossas vidas e sobre nós mesmos.

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Um livro, afinal, é maior do que o mundo – assim como são infinitas as possibilidades de crescermos e nos transformarmos a partir de nada além do que a fina leitura de uma página depois da outra.

Livia Pamplona, Fragmentos de um discurso amoroso, de Roland Barthes

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Meu livro não é linear, mas eu acho que a vida também não é. Ele funciona pra mim mais ou menos como um catálogo de momentos que todo mundo passa, mas que ninguém consegue expressar com palavras. Eu identifico momentos da minha vida nele e é assim que ele faz todo o sentido pra mim. Ele me dá uns tapas na cara porque me passa a sensação de que eu não tô sozinha nas coisas que eu passo na vida. Eu tinha muita dificuldade de entender no início, mas acho que era porque eu ainda não tinha vivido o suficiente. Eu só gostei do livro quando parei de tentar entender o que tava escrito. Assim como os nossos pensamentos, as vezes ele não tem sentido. O autor é um pouco pessimista, mas eu não me sinto sozinha quando leio. De vez em quando a gente acha que tá sozinho e que ninguém vai entender o que estamos passando, então é bom descobrir que existem pessoas que entendem sim.

Thays, A insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera

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Eu li o livro numa época em que eu estava passando por vários problemas, inclusive de saúde. Eu tive Síndrome do Pânico, então ele me ajudou muito, porque falou diretamente comigo, exatamente da forma como eu me sentia naquele momento. Até hoje eu leio e eu vejo muito de mim no livro, mas eu consigo separar as coisas. Não sei se “separar” é bem a palavra, mas é porque quando você tem Síndrome, todos os problemas parecem mais intensos. Coisas muito simples tornam-se muito grandes, e no livro você vê muito isso, principalmente na Tereza. Então até hoje quando eu leio, e eu tenho mania de grifar livros, eu consigo saber porque eu marquei aquela página em especial, eu lembro exatamente como eu me sentia na hora. Eu consigo entender o livro, mesmo que não seja mais pra mim.”

© fotos: divulgação