O que aconteceu em Portugal 10 anos após a legalização do aborto

Em fevereiro de 2007, a população portuguesa ia às urnas para decidir por uma mudança importante em sua política de saúde pública: graças aos votos de 59% dos eleitores, o aborto passou a ser permitido até a décima semana de gravidez, e os procedimentos poderiam ser feitos com auxílio do governo. Qual o balanço após 10 anos de mudanças?

Antes da mudança da lei, as condições para o procedimento ser permitido eram má formação do feto, risco de morte para a mãe ou estupro. Como todos os abortos eram feitos ilegalmente, era difícil precisar quantos deles eram feitos no país. Estima-se que o número chegava a 20 mil por ano na década de 1990.

Segundo o balanço do Expresso, os casos cresceram de 18.607 em 2008 para 19.921 em 2012, período em que a crise financeira atingiu Portugal com mais força. Desde então, os números caem ano a ano, e em 2015, último período analisado pela Associação para o Planejamento da Família, totalizaram 15.873 casos, diminuição de 10% em relação ao primeiro ano de legalização.

Além de o número total de abortos ter diminuído após a descriminalização, as mortes por causa do procedimento também caíram: os números possíveis de apurar dizem que 14 mulheres perderam a vida em procedimentos clandestinos entre 2001 e 2008, mas somente uma desde a mudança da lei. Desde 2012, quando o caso foi registrado, nenhuma morte ocorreu.

A maioria das IVGs (Interrupção Voluntária da Gravidez) é feita através de medicamentos. 70,8% dos casos se dão dessa maneira, e 29,2% por procedimento cirúrgico. Em 2015, 95,7% das mulheres que passaram pelo processo decidiram adotar um método contraceptivo para evitar uma nova gravidez indesejada.

Então, nos últimos 5 anos, o resumo é de diminuição do número de abortos, diminuição da reincidência e NENHUMA morte. E aí? O que pensa de tudo isso? Deixa sua opinião nos comentários!

Todas as fotos © Simona Regina on VisualHunt