Matéria Especial Hypeness

Já é possível empreender legalmente no ramo da cannábis no Brasil; saiba como

por: Stephanie Bevilaqua

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Enquanto discute-se por aí se pode ou não pode, se é legal ou ilegal, já tem muita gente que sabe que tempo é dinheiro e está fazendo grana com a ganja – e não estamos falando de tráfico. Mas aí você se pergunta: mas como se a maconha ainda é proibida? Cola na grade que a gente vai te mostrar o que já está rolando de empreendedorismo verde por aqui.

Deixemos de lado toda e qualquer hipocrisia e pensemos que eu, você e mais uma boa galerinha por aí fuma, usa, faz óleo… Portanto, somos parte de uma rede ativa de usuários que demandam produtos e serviços – muitos que já existem em terras tupiniquins

Existem várias, inúmeras formas de ganhar dinheiro em cima da danada. Aqui no Brasil, além de ter todo o kit tabacaria com seda, dichavador, filtro, bong; já tem gente vendendo adubo, estufa, lubrificante, roupa, cosmético… E pode ser um pouco surreal pensar no crescimento expressivo desse mercado enquanto a erva ainda não foi descriminalizada. Mas vou te contar que estão todos otimistas e que tudo indica que a rede só tem a crescer.

Não deixe de ver: mitos e verdades a maconha no Brasil hoje

Fernando Santiago é advogado e empreendedor jurídico. Seu trabalho é investigar a capacidade de complicações legais antes mesmo que elas aconteçam. Depois do mensalão, seu último terreno de atuação, agora Santiago dedica-se ao nada pouco fértil campo da maconha.

Além de ser ativista e defender usuários julgados como traficantes, Fernando agiliza e assessora projetos rentáveis ligados à maconha e nos apresenta esse universo de forma bem positiva. “Eu comecei a voltar meu trabalho para a Cannábis em 2014 e desde então eu tenho cada vez mais demanda. Passei a estudar esse mercado e a observar os modelos que vinham de fora e readaptá-los para a realidade daqui. Tem dado tão certo que hoje me falta tempo para atender todo mundo”.

Fernando também acredita que o maior problema de começar um negócio cannábico é sem dúvida o preconceito. “Estamos em um processo de ‘evangelização’ agora. Tudo é uma questão de educar. Eu mostro o que está rolando, o que já tem, como funciona e conversa toma outro rumo”.

Empreender com maconha é fazer apologia?

“Fazer apologia é mandar a pessoa fumar. É dizer: consuma maconha. Em 2011, por exemplo, ganhamos o direito de liberdade de expressão ao legalizar as marchas da maconha. Uma conquista por vez”, explica Fernando. “Complicado mesmo fica para quem encara o segmento medicinal ou cosmético que necessita da matéria prima da Cannábis – e aí sim tem que seguir na clandestinidade”.

Uma saída possível para o crescimento desse mercado parece ser a gourmertização. Taxados como produtos de lifestyle, os “ricos da erva” usam e abusam de acessórios caríssimos bem como aceleração de projetos nas gringas, com nomes em inglês e todo o pacote gourmet. E tem dado bastante certo.

“É justamente esse pessoal que têm participado de feiras mundo afora levando os projetos do Brasil e trocando experiência com quem já deu os primeiros passos. Nosso futuro vai deslanchar por conta deles!”

Mas Fernando alerta que o importante mesmo é fortalecer o cenário brazuca antes mesmo da descriminalização para que quando a tão esperada surja em nossas vidas esse mercado tenha força nacional e não seja colonizado pelo estrangeiro.

Um dos nomes que viaja o mundo representando o Brasil é o Umnove Setequatro. A verdade mesmo é que a gente tem sim um segmento específico que contempla quem tem grana para pagar. Porque eu tenho um carro que é minha loja. Viajo pela América Latina e vou comprando o que vejo de interessante relacionado à maconha. Tudo de pouquinho porque muita coisa eu não consigo importar. Ou seja, é super exclusivo” conta o dono a coisa toda, Willy.

umnovesetequatro

Foto: Facebook Umnove Setequatro

Outro nome de peso no exterior é o Who is Happy: uma rede social que há dois anos atua na geolocalização de consumidores de Cannábis. João Paulo Costa é um dos co-founders do aplicativo e descreve este como o Foursquare da maconha. “Você nunca sabe quem está fumando um por perto. Ou seja, a nossa ideia é sustentar um espaço onde as pessoas podem se comunicar sobre o assunto indicando sua fumacinha de quanto e onde acendem um baseado”, diz.

“Como eu tenho epilepsia, eu tenho uma forte relação com a maconha – que substitui o uso de alguns remédios. Foi assim que eu vi uma oportunidade: por que não um espaço para trocar ideia sobre ela?”.

Para preservar a privacidade de quem usa o app a localização é feita com a precisão de um quilômetro, bem como os nomes dos usuários não são compartilhados. Além de apoiadores, o WIH visa lucrar indicando lojas legalizadas (no caso de outros países) nos arredores ou aqui mesmo com publicidade de lifestyle, laricas e afins.

whoishappy

Foto: Ganja Talks

E o JP vai longe. Além do app, também organiza o Ganja Talks, um festival e ciclos de cursos 420 no formato de palestras, bate papos, projeção de filmes e exposição, que tem como objetivo legitimar o conhecimento da cultura canábica no país. Ano passado o Hypeness participou e você pode ver tudo o que aconteceu aqui.

Pioneirismo

Agora uma pioneira no assunto é a Ultra420, primeira head shop (termo usado em inglês para designar a loja que vende produtos relacionados principalmente ao uso da cannabis, fumo e outras substâncias psicoativas) do Brasil. “É o sonho do ativismo junto a redução de danos, realizado através de muito suor, pé na porta, altos e baixos, recriminações e discriminações que se tornaram realidade em forma de realização pessoal e profissional”, me conta Verena Isaack, uma mana empreendedora da ganja. “O Alê (Alexandre Perroud) criou a Ultra420 em 1993 e agora em abril completamos 23 anos de história”.

Tudo começou também com inspiração de fora. “Em 1986, o Alê morou na Califórnia e conheceu o universo das head shops. Voltando ao Brasil, começou a procurar por sócios e todos riam dele. Até que um casal norte-americano topou a sociedade. Ele foi para os EUA levando apenas seu cartão de crédito e um sonho. Estourou o limite do cartão, comprou alguns bongs, sedas e pipes e trouxe tudo na mala. Assim, nascia a Ultra420”.

O Alê contou mais sobre essa e outras histórias em duas matérias super especiais para o Hypeness:

Como era ser maconheiro na época da ditadura

Na Califórnia dos loucos anos 1980 descobri minha real vocação: a maconha

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Foto: I Hate Flash/arquivo pessoal

“Quando abriu a loja, na Galeria Ouro Fino, a polícia foi fazer batida lá sete vezes, sempre por denúncia. As pessoas compravam uma seda ou um bong e guardavam o kit junto com a maconha e quando os pais encontravam e perguntavam onde tinham comprado o aparato…. Só esqueciam de dizer que haviam comprado a erva com o traficante. Os pais ligavam na delegacia e denunciavam a loja. O delegado conseguia o mandado e iam fazer a busca. Mas, a Ultra420 sempre fez tudo de forma muito correta. A ideia sempre foi vender parafernália, e nunca maconha. Depois da terceira batida, o advogado do Ale conseguiu um Habeas Corpus para que ele andasse no bolso, caso algo acontecesse. Fora a bagunça no estoque e as batidas na parede buscando fundo falso, nada de grave aconteceu.

Hoje, fora a loja na Galeria Ouro Fino, a Ultra tem franquia do Rio de Janeiro, e agora em maio mais uma em Campinas. O negócio está tão fino que eles criaram até a primeira vending machine de produtos de head shop do Brasil lançada no Lollapalooza desse ano. Olha só:

ultra420

Fotos: redes sociais Ultra420

Ainda na contramão da cara da política brasileira hoje, tem muita gente otimista colocando a mão na massa e se jogando no empreendedorismo cannábico como por exemplo é o caso do Alex Nazaré que migrou do ramo do açaí pra vender hoje potes que garantem o armazenamento perfeito da erva com a THCombo. Importado dos EUA, hoje ele traz o produto no atacado e no varejo e distribui em forma de head shop – essa tal de tabacaria contemporânea.

Cones Dia pra Geral!!! "Bora" Que o Fumingo é de paz. Conheça nossos líderes de venda!

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“Como empreendedor eu vi o que já tinha e o que faltava dentro do mercado de tabacaria. E foi assim que comecei a trazer o material para armazenamento. Hoje eu importo um plástico regulamentado pela U.S. Food and Drug Administration, FDA, que garante a conservação da molécula e maior qualidade para conservação da maconha – não absorvendo nada do produto para o plástico nem vice e versa. Diferente do açaí, que eu comecei com R$ 25 mil, esse negócio eu tive um capital inicial de R$ 500 que de um ano para cá está indo super bem. Acho que o maior problema mesmo é preconceito como que trabalha e a pessoa já acha que você é vagabundo, alguns têm medo de se aproximar e custa muito entender todo esse universo, diz Alexandre.

Bom, por isso cá estamos 😉

Quer começar o seu?

Batemos um papo com o João do Who Is Happy que em 4K e direto dos EUA ele compartilhou com a gente algumas dicas para quem quer começar como empreendedor na área da Cannábis:

Já no Brasil, o Fernando (advogado que apresentamos lá em cima) acaba de lançar uma aceleradora de start ups do tipo por aqui. A Maratona Ignition – Edição Lifestyle é primeiro programa de pré-aceleração de negócios e empresas desenvolvido no DF. Serão selecionados até 10 projetos para participar de um dia imersivo com atividades de mentoria, networking e prototipagem. E ao final do evento, um deles será premiado com aporte para se tornar realidade, incluindo espaço físico de trabalho, exposição de produtos em lojas colaborativas e mentorias com especialistas desse segmento.

Para se inscrever, clique aqui.

Animou?!

Força na peruca, fogo na bomba e boa sorte! 😉

Fotos destaque e interna: arquivo pessoal e Ultra420

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Stephanie Bevilaqua
Depois de uma relação de amor e ódio com São Paulo e o jornalismo, hoje vivo em Buenos Aires para me dedicar ao cinema. Ou seja, acrescentei mais duas coisas na lista da vida para amar e odiar.

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