Fotografia

Ele não podia pagar por sua câmera dos sonhos – então imprimiu uma em 3D

por: Vitor Paiva

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O conceito de “Faça-você-mesmo”, também conhecido como DIY (do inglês Do It Yourself), mais do que um slogan punk ou um mote de incentivo pessoal, pode ser de fato um mote e modelo de vida, a ser aplicado como motivo ideológico, político, ou simplesmente como uma via para se contornar dificuldades cotidianas – como a falta de dinheiro. O fotógrafo londrino Paul Kohlhaussen tinha em seus sonhos uma porção de câmeras com as quais gostaria de trabalhar; diante da falta grana para consegui-las, ele decidiu resolver a questão ao estilo DIY: Paul fez ele mesmo sua câmera dos sonhos.

Como um Frankestein reunindo as melhores características de suas câmeras preferidas, Paul se baseou em uma lente Schneider Kreuznach 90mm f/8 Super Angulon para desenvolver o resto das peças, e basicamente imprimiu a câmera através de um serviço chamado 3D Hubs, uma impressora 3D online. Diante do arrojo do projeto, o serviço de impressão online concedeu a Paul uma bolsa de 500 dólares para ele criar sua câmera dos sonhos.

A inspiração para o formato veio da câmera Mamiya 7, mas o projeto reuniu também a proporção da tela da Hasselblad XPan, e a maneira de carregar o filme foi inspirada na clássica Leica M. A câmera foi projetada em 8 diferentes módulos impressos, e ganhou o apelido de “Monstro Ciclope Mostarda”. A câmera tira fotos em filme 120 no formato 6×14, e não possui ajustadores de foco, sempre ajustado ao infinito. Mas sua dinâmica modular justamente permite que o Monstro Ciclope receba diferentes lentes e espaçadores focais.

Pelos exemplos das foto abaixo, tiradas com a câmera, é possível perceber o incrível feito de Paul, independentemente de qualquer comparação com as câmeras ditas profissionais. Afinal, o gosto de realizar algo com as próprias mãos e superar limites impostos é parte da força de fazer, você mesmo, seu sonho – tudo, assim, fica mais bonito; até mesmo as fotos.

© fotos: Paul Kohlhaussen

 


Vitor Paiva

Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta e Só o Sol Sabe Sair de Cena.

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