Meu Guarda Roupa é Hype

Magá Moura: ‘colaboro para que as mulheres se amem mais, da maneira que bem entendem’

por: Brunella Nunes

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Sabe aquela pessoa que não passa despercebida? A Magá Moura é assim. Autêntica, colorida, excêntrica e de personalidade única, essa baiana residente de São Paulo trabalha como Relações Públicas e Cool Hunter. Não por acaso, é figurinha marcada em eventos que vão desde a sua veia esportista até o puro creme do hype. Ultrapassando a linha da estética, ela rompe padrões das mais variadas formas e no Meu Guarda Roupa é Hype de hoje você vai saber o por quê.

Nascida em Feira de Santana, entre quatro mulheres da família, a 29 anos atrás, Margareth não é só um rótulo, se é que isso cabe à ela. É uma pessoa que se expressa como bem entende através de seu visual, focando na militância negra e feminista, sem deixar a paixão fashion de lado. Ao chegar em São Paulo, viu a mãe prosperar de empregada doméstica à costureira, garantindo uma casa própria na quebrada da Cidade Ademar até chegar ao Itaim, onde atualmente tem um ateliê.

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Com uma referência dessas, fica claro o quão alto Maga considerou voar, passando por dois mochilões na Europa, onde estudou fashion marketing. E até hoje está assim, decolando cada vez mais alto, chegando a ser ela mesma a oitava cor do arco-íris. Quando a vi em um evento de skate, a uns três anos atrás, estava com as tranças rosas que chamaram a atenção do mundo da moda, a consolidaram como digital influencer e fez brotar na cabeça de várias meninas a liberdade de poder ser o que quiser. E não há limites para a criatividade, que vai de suas madeixas, sempre renovadas, às suas escolhas de vida. Aliás, hoje ela está de um jeito; amanhã já pode estar completamente diferente nos seus looks.

Conversei com ela sobre um bocado de coisas, incluindo estilo, é claro, porque ela consegue também o status de diva. Haja Maga no mundo!

Com qual idade você começou a desenvolver seu estilo? Como foi essa evolução para o que você é hoje?

O que sou hoje tem muito mais a ver em ter descoberto a minha potência, em ser uma mulher forte, que se ama, que tem muita autoconfiança e é decidida. Tudo que passei e passo na vida faz parte dessa construção, dos bullyings aos momentos de glória! rs… Tudo é um eterno aprendizado. Meu estilo é uma extensão da minha personalidade, do que vem de dentro pra fora e não ao contrário.

Qual é a peça que mais te define e por quê?

Um casaco colorido que comprei num brechó de Londres em 2014. Ele tem tudo que amo: muitas cores, uns botões diferentes e é uma peça super rara e amo exclusividade, já que uma pessoa única! rs. Fora que 2014 foi um ano muito importante na mudança da minha vida profissional e essa viagem contou muito em tudo isso. Saí do meu trabalho numa multinacional e fui me arriscar a ser blogger, primeiro destino foi Londres, a cidade onde eu havia estudado Fashion Marketing em 2012 e que me trouxe motivação em ser uma pessoa ainda mais confiante e até da web. Acho que por isso eu quis voltar pra lá, mas dessa vez para compartilhar o que eu viveria e ainda participar do London Fashion Week. Esse casaco usei na semana de moda, foi puro sucesso, ele é lindo, não foi caro e toda vez que uso me traz ótimas recordações.

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E o seu cabelo, hein, que é objeto de desejo de todxs…como ele veio à tona, com as tranças coloridas? Você sempre teve cabelo afro? O que seu cabelo diz sobre você?

Passei por algo que a maioria das meninas negras passam: a destruição capilar por conta dos processos químicos. A gente crescia se achando feia e com as pessoas confirmando isso, chamando de “cabelo duro, pixaim, prende esse cabelo”, daí toda essa necessidade de alisar e ser “aceita” nos padrões. Quando meu cabelo caiu inteiro por conta de química, eu tive duas opções: raspar ou trançar o pouco que restava. Ainda não tinha essa segurança que tenho hoje, se não raspava! rs…Então fui pras tranças. Daí houve uma mudança total de vida, nunca havia me identificado tanto com um cabelo, nunca havia me sentido tão linda, poderosa e tão negra. Depois fui variando as cores, em 2014 (o meu ano!rs) fiz elas rosas, sucesso mundial até hoje! rs…Daí pra frente me joguei nessa parada de mudar a cor, o estilo, o bom que meu cabelo está preservado, longe das químicas, só crescendo maravilhoso no meio das braids.

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Seu humor do dia influencia a maneira como você se veste?

Completamente, mas tô sempre de bom humor.

O que não pode faltar na mala e no armário de Maga Moura?

Tênis, brincos divertidos e roupas coloridas.

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Por muito tempo, as mulheres que não se rendiam ao salto alto eram reprimidas. Você parece estar sempre bem confortável e longe do salto agulha. Podemos dizer que você é uma sneaker head? Quantos pares de tênis tem?

Não tem nada pior do que você se sentir desconfortável com algo, né? Eu me sinto assim com salto. Raramente quando uso é plataforma e olhe lá. Sou louca por sneakers, me considero uma sneaker head mais simplinha! rs…Tenho uns 100 pares.

Qual dica você dá para quem quer aliar conforto e estilo?

Os tênis são ótimas opções pra você usar num look e ficar style e confortável. Comprem um Air Max, pode ser o 90. É maravilhoso de lindo e vai com tudo!

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Quem são as pessoas que você admira na vida e na moda, aquelas que te inspiram a ser esse arco-íris ambulante maravilhoso?

A minha mãe é a minha maior inspiração de vida. Também tenho muita admiração pelas minhas irmãs, fui criada apenas por mulheres e elas todas são incríveis. Na moda eu amo a Baddie Winkle.. Sou eu velhinha! rs

Você é nordestina e negra. Enfrentou preconceito quando chegou em SP? Como enxerga isso hoje, em que o empoderamento está, enfim, trazendo alguns resultados contra o racismo?

Sim, muito! Nordestina, negra e era pobre. Não que agora eu seja riquíssima, mas as condições são diferentes de quando cheguei em SP. rs…Fico muito feliz com todo empoderamento que nós, mulheres negras, temos hoje em dia. Na minha adolescência não se falava nisso, eu não tinha orgulho e nem reconhecimento de mim mesma, não me via e portanto não me sentia representada na midia. Há uma nova geração de mulheres fortes e cheias de si, a web nos permite mostrar que a gente manda também, que somos formadoras de opinião, que temos poder de compra, etc…O mercado percebeu e está nesse momento, fazendo o que deveriam. Passamos a ser vistas em algo que sempre fizemos parte, mas éramos invisibilizadas.

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Como você manja dos paranauês da moda, acha que ela está mais inclusiva? O que ainda falta no mundo fashion?  

As minhas necessidades com a moda não são muitas. Atualmente o mercado diz “olhar para todos” , mas, por exemplo, tenho amigas plus size que ainda não se sentem incluídas nessa didática. Há sempre o não ou o mal explorado… Mas a melhor parte disso é que existem marcas pequenas, muitas vezes criadas por quem não se sente incluído, que criam e geram novos negócios mais focados e com preços acessíveis.

Como digital influencer você se sente responsável pela autoestima de outras garotas? Elas te procuram para pedir conselhos? Como é essa relação?

Não sou responsável, mas sou parte importante desse processo para algumas delas. Colaboro para que as mulheres se amem mais da maneira que elas bem entenderem, com o estilo que elas quiserem bancar e sair por aí sambando na cara da sociedade! rs… Recebo inúmeras mensagens de pessoas me contando como fiz parte de seu processo de autoestima e autoconfiança, pedindo conselhos também… Acho foda e isso é o mais maravilhoso do meu trabalho como influenciadora digital, transcende de ser mais um perfil desses com muitos seguidores e nenhuma relevância na vida das pessoas. Toda vez que recebo esse tipo de mensagem fico emocionada e tento responder todas elas.

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Todas as fotos: reprodução/Magá Moura


Brunella Nunes
Jornalista por completo e absoluto amor a causa, Brunella vive em São Paulo, essa cidade louca que é palco de boa parte de suas histórias. Tem paixão e formação em artes, além de se interessar por ciência, tecnologia, sustentabilidade e outras cositas más. Escreve sobre inovação, cultura, viagem, comportamento e o que mais der na telha.

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