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Alunos de arquitetura da UFMG se recusam a fazer casa com área para empregados

por: Mari Dutra

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Uma disciplina intitulada “Casa Grande” levantou polêmica na Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Além do nome da disciplina remeter ao período escravocrata brasileiro, seu conteúdo também reforçava essa referência e incluía a criação de um projeto de residência com quartos e banheiros para oito empregados.

Diante disso, o Diretório Acadêmico da Escola de Arquitetura (DAEA UFMG) publicou uma nota de repúdio sobre a disciplina e o projeto exigido por ela através de sua página do Facebook. A nota começa com uma pequena recapitulação da história brasileira, com referências a casa grande e à senzala, símbolos de hierarquia e separação entre escravos e a família do senhor do engenho.

“Após 129 anos da abolição da escravidão no Brasil, no entanto, a estrutura escravocrata ainda segue presente no cotidiano brasileiro. Como discutido em diversas disciplinas na EAD-UFMG, o quarto de empregada, por exemplo, tem como origem a segregação escravista. Ele surge como uma solução para separar empregados e patrões que permaneceram vivendo juntos após a abolição, em 1888.”

A disciplina, ministrada pelo professor Otávio Curtiss, propunha a criação de um projeto de residência localizada em um condomínio de alto padrão na cidade de Nova Lima, vizinha de Belo Horizonte. Dentro da estrutura da casa deveriam ser criadas 5 suítes com banheiro completo, bem como uma zona de serviço, com “cozinha, lavanderia, despensa, depósito, quartos e banheiros para 8 empregados“.

NOTA COLETIVA DE REPÚDIO À DISCIPLINA CASA GRANDEBelo Horizonte, Julho de 2017À comunidade,Nós, estudantes do…

Posted by DAEA UFMG on Thursday, July 27, 2017

Os estudantes também questionam a oferta da disciplina, cujo conteúdo e o próprio nome são problemáticos e perpetuam o racismo e a segregação social, e pedem o seu cancelamento. A nota foi publicada na última quinta-feira, 27, e, desde então, já foi compartilhada por mais de 1,2 mil pessoas, recebendo quase 700 comentários, tanto positivos quanto negativos.

Foto: Carol Gayao/Wikimedia Commons


Mari Dutra
Depois de viver na Argentina, na Irlanda e na Romênia, percebeu que poderia carimbar o passaporte mais vezes caso trabalhasse remotamente. Hoje escreve para o Hypeness e mantém um blog de viagens, o Quase Nômade, em que conta mais de suas experiências pelo mundo.

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