Cobertura Hypeness

Fomos conhecer o Festival de Parintins e refletir sobre o futuro da água no planeta

por: Bel Garcia

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O Hypeness foi especialmente convidado para conferir de perto um dos maiores festivais folclóricos a céu aberto do Brasil, o 52º Festival Folclórico de Parintins. 

Navegamos por 12 horas de Manaus a Parintins e, durante a hospedagem em um Navio-Hotel, aconteceu o Water Summit 2017, uma conferência organizada pela Coca-Cola Brasil e pelo CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), para discutir e dialogar sobre as idéias que serão levadas ao 8º Fórum Mundial da Água em 2018, pela primeiríssima vez no Brasil e que deve receber em torno de 40.000 pessoas de todo o mundo. (As edições anteriores do Fórum aconteceram em Marrocos, Holanda, Japão, México, Turquia, França e o último, que foi há 2 anos, na Coréia do Sul).

Você sabia que 35 milhões de pessoas no Brasil não têm água tratada em casa? Que 100 milhões de famílias estão sem saneamento? Há seca no Nordeste, houve racionamento no Sudeste, no Centro-Oeste e inclusive Brasília já sofre com a escassez de água. Dados dizem que se nada for feito, em 2030, 2 a cada 3 pessoas enfrentarão problemas com a água.

Na Amazônia é onde está a maior quantidade de água doce do país, mas é o lugar que tem menos tratamento. Em Parintins, a segunda maior cidade do Amazonas, se vê lixo nas ruas e esgoto a céu aberto, o que revela a falta de saneamento básico tão necessário para a saúde das pessoas e preservação do meio ambiente. Mário Mantovani (na foto com o microfone) do SOS Mata-Atlântica estava lá e afirmou que todas as nascentes dos rios do Brasil estão desprotegidas. Com isso, duas perguntas são importantes: Teremos água para todos? Teremos água para sempre?

Alguns prédios e empresas já estão fazendo a sua parte quando instalam o mecanismo de reutilização da água. Segundo Pedro Massa, Diretor de Valor Compartilhado, (à direita na foto), a Coca-cola Brasil (que usa o líquido precioso em todos os seus produtos) começou a se empenhar fortemente em direção à sustentabilidade. Desde 2016 passou a devolver à natureza o dobro da água que usa em seu processo produtivo, por meio de programas de reflorestamento e conservação de bacias hidrográficas e de eficiência e reúso nas fábricas. No Brasil, os programas já atingem mais de 103 mil hectares. (Para quem quiser saber mais, aqui e aqui).

A questão é essa: Sem água não tem saneamento; sem saneamento a saúde fica prejudicada e as pessoas acabam ficando doentes; com isso, não frequentam a escola; e sem educação, têm dificuldades de se inserirem no mercado.

O que precisa? União de parceiros; soluções criativas no uso da água e na produção dos alimentos; tecnologia; pesquisa; educação; mudar atitudes. Os recursos não são infinitos. Segundo Alan Bojanic, representante FAO no Brasil, 1,3 bilhões de alimentos são desperdiçados; seja por conta do sistema de armazenamento ou de escoamento precário. Para fazer 1kg de carne, se usa 12 mil litros de água. Se desperdiçamos carne, desperdiçamos água.

Tudo isso acontecendo é de cortar o coração. E é possível ficar ainda mais impressionado quando se assiste de perto o que Parintins (com toda essa questão do saneamento) consegue produzir. O Festival Folclórico é simplesmente fenomenal. A paixão, o ritmo, as alegorias, as danças, tudo é muito intenso! Para Ramom Morato, Coordenador de Agroecologia do IDESAM (Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia), além de ser uma exaltação da natureza, em ser indígena e em ser caboclo, o festival pode contribuir para a preservação, a conservação e a sustentabilidade da Amazônia, pois ele exalta a cultura amazonense e as empresas privadas que patrocinam, ajudam a trazer atenção para tudo isso. Parintins hoje é uma vitrine de conhecimento, de cultura, de criatividade e de inovações artísticas. Estes artistas participaram da abertura das Olimpíadas Rio 2016, foi lindo!

Assim que se chega no Amazonas, no aeroporto de Manaus e pelas ruas já é possível entrar no clima do evento. A energia que envolve é impressionante. O bumbódromo (na forma de um estádio) fica em Parintins, uns 400km de Manaus. É possível ir de avião (de 40min a 1h saindo de Manaus) ou de barco (de 6h a 24h dependendo da embarcação).

A cidade tem cerca de 100.000 habitantes e nessa época chega a receber 50.000 turistas. Lá você pode se hospedar em pousadas e hotéis ou na casa dos moradores. As apresentações só começam a noite, mas pela manhã, logo cedo já se vê pessoas na fila para pegar um bom lugar na arquibancada do bumbódromo. Isso não é necessário se você comprar outro setor, como as cadeiras ou os camarotes. E para quem não conseguiu entrar, há um telão do lado de fora. Ou seja, não há escapatória, a festa se dá dentro e fora.

O festival acontece uma vez por ano e é feito a céu aberto com somente duas escolas, o Caprichoso (azul) e o Garantido (vermelho). Elas competem por 3 noites seguidas, cada uma tendo de 2h a 2h30 para se apresentar. Ao todo, 21 itens são avaliados. As apresentações devem ser assistidas como se fosse uma ópera, com começo, meio e fim. O tempo todo há um apresentador, que vai narrando o que está acontecendo e o que virá, um levantador de toadas, que é o responsável por cantar as músicas de seu boi e a marujada ou batucada que são os músicos e instrumentistas. Enquanto um lado se apresenta, o outro fica quieto, pois se houver qualquer tipo de vaia ou desrespeito, a escola perde pontos. Se você for pela primeira vez e não souber ainda para qual lado irá torcer, tente sentar cada dia em um lado, mas há quem diga que não é você quem escolhe o boi, e sim o boi que te escolhe.

O Garantido já foi vencedor 31 vezes e o Caprichoso 22 (incluindo 2017 e o empate de 2000). O boi originalmente veio do maranhão (bumba meu boi), mas assume uma identidade amazônica muito forte como Boi Bumbá, exaltando as lendas e os rituais amazônicos, a natureza, os costumes dos ribeirinhos, a mitologia indígena e a espiritualidade. Hoje em dia todo esse show tem por trás cursos de artes com historiadores, que foi um pedido dos próprios moradores da região. É impressionante a inovação e a criatividade que utiliza, inclusive, materiais simples como a juta, sementes, fibras e cipó.

É excelente saber que cada vez mais pessoas estão se juntando para contribuir, refletir e apontar soluções para garantir a sustentabilidade nos nossos recursos hídricos. O Hypeness agradece o convite da Coca-Cola Brasil e esperamos que os leitores possam se inspirar e cada um fazer a sua parte, valorizando cada vez mais as micro e macro empresas que se importam e zelam pelo meio ambiente. Vamos cuidar do que é nosso!


Bel Garcia
Psicóloga e psicanalista

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