Matéria Especial Hypeness

Inspirado pelas redes indígenas, estudante brasileiro faz sucesso no maior salão de design do mundo

por: Redação Hypeness

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Como muitas crianças brasileiras, o designer Lucas Pereira Lima gostava muito de brincar de carrinho de rolimã em sua infância. Diferentemente da maioria, porém, sua parte preferida não era propriamente andar no carrinho, mas sim montá-lo: projetar e realizar as diversas formas que criava para cada carrinho era sua verdadeira brincadeira. Essa brincadeira revelou-se uma vocação, que aos poucos foi se tornando um sonho de se tornar uma profissão. Lucas, aos 20 anos, é aluno de Design de Produto no Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, e hoje começa a ganhar o mundo – e prêmios – com seu trabalho. E tudo começou por causa de uma rede.

Quando ainda era calouro na Belas Artes e soube da parceria do Centro Universitário com o Salão Satélite de Milão, que traria um estande com trabalhos dos alunos, Lucas primeiramente não teve coragem. Ir a Milão para participar do maior salão de design do mundo parecia para ele um sonho delirante. Faltando um mês para o fim das inscrições, porém, ele decidiu tentar, e começou do zero um trabalho para se inscrever a fim de ir ao salão. A Belas Artes foi a única instituição de ensino brasileira a participar do Salão.

“Algo em mim estava me dizendo que eu deveria arriscar e isso estava tirando o meu sono. Foi um mês de muito trabalho duro, com um projeto começado do zero. Não tinha muita experiência e nem conhecimento, e nesse mês eu aprendi tanto quanto em um semestre inteiro de faculdade, em questões de processos, tentativa e muitos erros, trabalho e pesquisa de campo, onde achar certos materiais e como trabalhar com eles da maneira correta. Depois de um mês com muitas noites sem dormir o primeiro protótipo da Rede Águida estava pronto”. Com seu projeto pronto, o sonho se tornava realidade – sua rede foi aprovada, e Lucas apresentou seu trabalho em Milão.

Apesar de ser paulistano, Lucas é filho de nordestinos, e foi criado sob tais costumes somado à influência e sua admiração pela cultura indígena. Foi desse ponto de partida essencial que ele decidiu criar uma rede, renovada em beleza, conforto e ergonomia, mas sem abrir mão da tradição, como seu primeiro projeto.

“Na casa dos meus avós a presença da rede sempre foi algo constante, e desde pequeno eu adorava ficar deitado balançando”, ele diz. “Meus tios pescavam e eles mesmos que trançavam suas próprias redes de pesca, o que também serviu de inspiração no momento de projetar a Águida”. O nome da rede veio como uma homenagem à sua avó.

A Águida portanto renova um design tipicamente latino-americano e ancestral. Antigamente feitas com cascas de árvores, as redes de tecido fazem parte do cotidiano e do conforto de muitas casas brasileiras. A rede de Lucas se inspira em tal tradição e no mobiliário indígena e se funde com premissas do design contemporâneo: feita com materiais sustentáveis, a rede traz a inovação dos bolsos laterais e de ser presa a um suporte desmontável –  deixando de exigir os ganchos presos a alguma parede ou suporte – aliada à história e ao valor emocional que a peça possui.

A não ser pelo suporte, desenhado por ele mas feito por um serrilheiro, a Águida é toda feita à mão somente por Lucas – dos nós aos acabamentos, como pinturas. “Eu vejo o trabalho artesanal como uma forma de dar vida a algo. Acredito que quando você realiza um trabalho com suas próprias mãos você insere uma alma nesse objeto, e transmite um valor pessoal muito intenso”, ele diz.

Segundo Lucas, a recepção da Águida em Milão foi a melhor possível, podendo apresentar seu trabalho a pessoas do mundo inteiro, que não teriam acesso não fosse a participação da Belas Artes no Salão – muitas delas, segundo ele, jamais tinham visto uma rede. Desde então, tudo para ele mudou.

“Recebi alguns convites para apresentar a Águida em outras exposições,  como a Spoga Gafa em Cologne, na Alemanha, o Design Pier em Nova York e no Promotedesign no design Weekend de Milão em 2018. Estou tentando administrar para ver esses convites se concretizarem cada vez mais daqui pra frente”, afirmou. “Depois dessa conquista as coisas mudaram radicalmente e muitas oportunidades estão surgindo para mim e o apoio da Belas Artes tem sido fundamental na construção da minha trajetória”.

A cadeira Switch, uma recriação de Lucas para a cadeira de balanço

Desde então, Lucas foi um dos ganhadores do concurso Verallia Design Awards 2017 pelo voto popular – com seu projeto da garrafa Hurricane – e do concurso “Sentar para Unir”, promovido pela Belas Artes em parceria com a Delinear Móveis, onde apresentou outro móvel, a cadeira Horizon, que foi exposta do Design Week. A Horizon já está sendo fabricada e comercializada pela Delinear.

A cadeira Horizon
A parceria da Belas Artes com o Salão Satélite parece ter aberto as portas da profissão de designer – e do mundo – para Lucas. E agora o mundo parece até pequeno: dos carrinhos de rolimã às feiras internacionais, seu talento traz a certeza de que resta muito para esse ainda estudante de design conquistar.

Além do Salão Satélite de Milão, a Belas Artes é a única instituição de ensino brasileira presente na SP-Arte, o maior festival de arte da América Latina, no SXSW, o maior festival de inovação e novas mídias, e na London Fashion Week, uma das quatro maiores semanas de moda do mundo.

Tais experiências internacionais que o Centro Universitário oferece aos alunos são possibilitadas através de parcerias com outras universidades no exterior, criando assim atividades personalizadas para cada curso – através do departamento de International Office. Contando com o catálogo de cursos da STB, o International Office oferece cursos de idiomas, ensino médio, extensão universitária, programas de trabalho remunerado, programas para executivos, estudantes e famílias durante as férias escolares, além de viagens de aventura e voluntariado.

 

 

© fotos: divulgação/reprodução


Redação Hypeness

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