Debate

Diretor de empresa é acusado de romantizar assédio com texto sobre ‘profundo desejo’ por colega

por: João Vieira

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O diretor da Base Marketing, Stalimir Vieira, está sendo acusado de romantizar o assédio sexual no ambiente de trabalho por conta de um artigo publicado no jornal Propmark, voltado ao mercado publicitário.

Intitulado “Assédio”, o texto traz o que, de acordo com Stalimir, seria um personagem apaixonado por uma colega de trabalho.

Na publicação, ele descreve o rapaz como um homem que “acordava de manhã, já excitado por saber que em uma hora estaríamos dividindo o mesmo ambiente. Para, como sempre, desfrutar de você chegando, sorrindo um bom dia vibrante entre os lábios carnudos e os dentes perfeitos”.

O empregado descrito ganha poder e se torna chefe. Stalimir, em seguida, descreve uma situação em que os dois se encontram em sua sala.

“A pele do seu braço tocou a pele do meu. Num esforço monumental, avaliei o que você me pedia e aprovei. Bem que eu merecia um beijo porque a ideia não era tão boa assim. Quase falei essa bobagem, mas me contive. Então, você levantou e disse: ‘Chefe, tô precisando de aumento’. Levantei também. Ficamos assim, olhos nos olhos, você afastou levemente os lábios e seu peito arfava. Voltei a sentar. Você saiu. E eu escrevi o meu pedido de demissão”.

O texto foi bastante questionado pelos leitores por não dar o devido valor ao assédio sexual dentro das empresas, especialmente considerando o título do artigo.

A Propmark se posicionou tirando a sua responsabilidade e dizendo que Stalimir Vieira gozou do “direito universal de liberdade de expressão”.

Já o Stalimir se justificou dizendo que a intenção era, justamente, causar desconforto e provocar justamente a reação negativa. “Resolvi ir fundo na provocação e me travesti do ‘nojento’. Para denunciá-lo, expô-lo, envergonhá-lo. Consegui. Uma pena que uma parte dos leitores tenha confundido o personagem com o articulista”, escreveu.

Um leitor, porém, fez a seguinte observação sobre a manobra utilizada pelo comunicador.

“Faltou lembrar que o responsável pelo entendimento da mensagem é o autor e não o público. Que criar por criar, por uma simples ideia é exercício de iniciante, não de quem ‘tem história’ em comunicação. Errou feio, errou rude. Errou como um principiante, errou como autor, errou como profissional e ainda levou o veículo junto, mostrando uma certa falta de responsabilidade sobre aquilo que faz”.

Fotos: Reprodução


João Vieira

Com seis anos de jornalismo, João Vieira acredita na profissão como uma ótima oportunidade de contar histórias. Entrou nessa brincadeira para dar visibilidade ao povo negro e qualquer outro que represente a democracia nos espaços de poder. Mas é importante ressaltar que tem paixão semelhante pela fofoca e entretenimento do mais baixo clero popular.

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