Debate

‘Garotas bonitas não comem’: menina de 11 anos se suicida e expõe crueldade dos padrões de beleza

por: Redação Hypeness

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O suicídio de uma menina irlandesa de apenas 11 anos tem chamado a atenção da opinião pública na Irlanda, não só pela naturalidade trágica da ocorrência, mas também pelas supostas razões que a levarem a tirar a própria vida.

O caso aconteceu em 2016, mas foi revelado somente agora. Milly Tuomey se suicidou após publicar uma mensagem em que dizia não aceitar a própria aparência.

Desde 2015 ela tem preocupado os pais, que foram alertados por amigos da filha. Milly chegou até a ser matriculada em um acampamento psicológico no fim daquele ano, e nessa época foi descoberto um diário da garota onde ela falava sobre sua vontade de morrer.

Milly sofria tanto que chegou a se cortar e escrever “garotas bonitas não comem” com seu próprio sangue, segundo relato da mãe ao jornal The Irish Examiner.

Milly se matou aos 11 anos de idade

No dia 1º de janeiro de 2016, a jovem subiu para o seu quarto e afirmou estar entediada. Pouco tempo depois, ela foi encontrada no cômodo em estado crítico. Morreu após três dias internada no hospital.

O suicídio é uma questão que vem sendo tratada como crítica pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O ato é a segunda principal causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos, de acordo com o órgão.

Ela escreveu “garotas bonitas não comem” com o próprio sangue

Só que o debate aqui é sobre padrões de beleza.

Uma pesquisa realizada pela marca de cosméticos Dove em 2014 aponta que, entre 6.400 mulheres entrevistadas, apenas 4% se definiram como belas. Além disso, 59% delas afirmaram sentir pressão para ser bonita.

O choque com o caso de Milly fez com que as pessoas, mais uma vez, chamassem a atenção para esse problema.

saí pra correr no por do sol e, quando voltei, abri essa notícia. meu coração, que batia todo acelerado, murchou. onze anos. uma menina de onze anos se suicidou porque não tava feliz com sua própria aparência. hoje no almoço, eu confessei pra um amigo o quanto odiava odiar meu corpo. durante anos fiquei sem usar regata porque tinha horror aos meus ombros e braços largos – procurei vários nutricionistas, segui ~ dietas da moda ~ várias vezes e isso nunca me fez feliz. fiz 8 anos de ginástica olímpica, treinava 7h por dia, minha estrutura obviamente é larga. aos poucos, tenho aprendido a gostar disso. mas já deixei de sair de casa algumas vezes por insegurança. desde os 15 vivia de dieta, e isso num determinado momento acarretou num distúrbio alimentar. aí eu fui aos poucos descobrindo a quantidade de amigos que passam pela mesma situação; conheço gente com bulimia, compulsão alimentar, anorexia e por aí vai. esse não é um post pra falar sobre dietas. esse é um post pra pedir um favor: se olhe no espelho e aprenda a se amar de verdade. não é tarefa fácil, eu sei – a indústria é tenebrosa e faz a gente lutar arduamente contra a "imperfeição". mas o nosso corpo é a nossa história. e tem coisas na história que a gente não pode mudar. outras, sim… mas sempre com carinho e cuidado. o feminismo me ensina muito sobre amor próprio. e quero espalhar essa ideia pelo mundo porque acho que as mulheres precisam ser mais legais com elas mesmas. Rupi Kaur escreveu em seu livro: "todos nós nascemos bonitos, a grande tragédia é que nos convencem de que não somos". somos, sim. todo mundo tem coisas boas dentro de si. então que elas prevaleçam, sempre, a esses ideais superficiais. é importante se movimentar, procurar exercícios que te fazem bem – e buscar sempre se alimentar da forma mais natural possível. e se conectar com o agora, tentar alinhar mente e corpo, pra achar a paz. eu queria ter dado um abraço nessa menina e corrido com ela na praia. nesse verão, do jeito que estiver, eu vou botar meu biquíni e mergulhar no mar. espero encontrar vocês lá.

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Fotos: Reprodução


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