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‘Não preciso de homem para gostar de Star Wars’: O que de melhor aconteceu na Virada Nerd em SP

por: Brunella Nunes

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Muito se engana quem acha que a vida de um(a) nerd é pacata. Ao longo do ano, a agenda fica lotada de eventos como o Anime Friends, o Brasil Game Show e a Comic Con. No último fim de semana, acompanhamos a Virada Nerd em SP, que relembrou os passos da HQ no Brasil a partir da história da Devir, editora e distribuidora criada para espalhar a cultura geek em terras tupiniquins.

O Museu da Imagem e do Som foi o cenário principal dessa jornada de 32 horas de programação ininterrupta e gratuita, com palestras, workshops, promoções de histórias em quadrinhos, demonstrações de sketches, encontro com artistas, música, torneios de RPG e jogos de tabuleiro. Logo na entrada, já avistamos várias pessoas sedentas por um ou vários dos mais de 1.000 títulos expostos nas mesas, que formavam um verdadeiro mar de super-heróis e heroínas, além de outros personagens inesquecíveis.

Entre eles estava “Como Star Wars Conquistou o Universo”, um livro que destaca a importância de um dos maiores fenômenos da cultura pop. Me chamou a atenção também as edições especiais da Turma da Mônica, feitas em formato graphic novel. Em “Caminhos” está um recorte de como os personagens Franjinha e Bidu se tornaram melhores amigos.

O evento destacou ainda, não só nas prateleiras mas também em um de seus painéis, a obra de Will Eisner, renomado e inovador quadrinista norte americano, autor de obras como “Pequenos Milagres”, uma coletânea de contos de sua própria juventude, recheada de reflexões e dualidades. Se você ama HQ’s, precisa ter o nome desse cara na estante de casa.

Quem circulou pelo térreo do MIS com certeza viu o Batman por lá. Mas não foi nos quadrinhos, não, e sim numa escultura que estava sendo feita pelo artista plástico Diego Johnson, que nunca havia esculpido o super-herói. A base é de madeira e o material que eu uso é o clay, próprio para esculturas de estúdio.

“Escolhi o Batman porque fez parte da minha infância. Vi o filme do Tim Burton e adorei. E além de gostar do jeito que ele é, eu acho que permite várias interpretações, então aqui eu estou fazendo a minha releitura dele”, explicou.

Ao longo dos dias de Virada, os debates contaram com participações de Christopher Kastensmidt (prêmio Nebula por “A Bandeira do Elefante e da Arara”); Walter Simonson (roteirista do personagem “Thor”, que falou por streaming); Fábio Moon e Gabriel Bá (“10 pãezinhos”); Sidney Gusman (MSP); Jean Luc Cano, Julien Telo e Julien Blondel (roteiristas e desenhistas de “Elric – O Trono de Rubi” – Mythos Editora).

No painel sobre o que podemos esperar do episódio 8 de Star Wars, que estreia no dia 14 de dezembro, uma ótima surpresa: mulheres no comando! Sim, as minas dominaram o palco. Fabíola Forchin, Andi Gutierrez (Conselho Jedi São Paulo), Bárbara Prince (Editora Aleph) e Carol Pimentel (Panini) trouxeram temas legais à tona, como o machismo nosso de cada dia, que no meio nerd gera uma incansável batalha de nível de conhecimento.

“Acho que é medieval esse comportamento. Tem um tipo de machocrata que quer humilhar a mulher. Será que não podemos conversar? Eu preciso de uma carteirinha de nerd?”, indagou Carol, acrescentando que quando editava – em seu trabalho – as HQ’s de Homem Aranha e X-Men, chegava a receber ofensas horríveis.

“Sempre ligam o nosso conhecimento ao de um cara. Eu não preciso de um homem para gostar de Star Wars!”, pontuou Fabíola, que alimenta uma boa e polêmica teoria sobre Os Últimos Jedi. “Eu acho que o Luke vai para o lado negro da força, para salvar a Rey”. Será? A resposta teremos muito em breve e a expectativa está nas galáxias de tão alta!

Outro ponto discutido é o romance entre os personagens Finn e Poe, algo que muitos fãs começaram a agitar e “shippar” na internet. “O Chuck Wendig, um autor de livros de Star Wars, comentou que os fãs estão criando uma expectativa tão grande em cima disso, que se eles não forem, vai ficar feio para a Disney! Se enrolarem de novo nesse filme, vão ficar queimados”, divagou Bárbara. Vale lembrar que as produções têm aumentado o nível de representatividade e há chances reais do casal vir à tona.

O próximo passo a ser dado, porém, vem do público nerd, que precisa abrir cada vez mais espaço para as mulheres não só terem o devido respeito dentro da cena, mas também a liberdade de poder ser fã de N coisas dentro da cultura pop sem nenhum macho cobrando “lição de casa” ou testando seus conhecimentos. Na internet não faltam denúncias sobre o sexismo nos eventos e fóruns de fandom, quando na verdade todos deveriam dividir o mesmo espaço para trocar figurinhas e dividir o amor pelos mesmos temas.

A editora Devir aproveitou a ocasião para celebrar seus 30 anos de história. A empresa começou a operar em 1987 com sistema de distribuição direta de gibis e aqueceu o mercado de comic shops no país. Depois se expandiu para Portugal, Espanha e outros países da América Latina. Entre suas publicações estão obras de nomes importantes como Laerte, Angeli, Lourenço Mutarelli, Irving Tripp, Neil Gaiman e Frank Miller.

Um de seus principais feitos foi, também, o lançamento do fanzine “Recado”, uma espécie de newsletter quando a internet nem existia direito, que contava novidades deste universo e o que estava por vir em suas publicações. Além disso, popularizou no país o RPG (Role Playing Game), jogos de interpretação, produzindo a versão em português de Magic: The Gathering, desde 1995, entre outros.

Depois de muita nerdice, o evento foi encerrado lindamente com a apresentação ao vivo da banda Marcial de Cubatão, que tocou músicas de Game of Thrones, Power Rangers, entre outros clássicos que a gente pira, porque todo mundo tem um lado geek.

 

 

Fotos por © Fábio Feltrin e Brunella Nunes


Brunella Nunes

Jornalista por completo e absoluto amor a causa, Brunella vive em São Paulo, essa cidade louca que é palco de boa parte de suas histórias. Tem paixão e formação em artes, além de se interessar por ciência, tecnologia, sustentabilidade e outras cositas más. Escreve sobre inovação, cultura, viagem, comportamento e o que mais der na telha.

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