Criatividade

10 séries que mais parecem uma viagem psicodélica

por: Vitor Paiva

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As séries de TV tornaram-se sem dúvida o mais interessante formato audiovisual para que autores e diretores contêm as mais diversas histórias – das mais banais às mais loucas tramas. A concorrência é extrema e é preciso ser original para se destacar entre as milhares de séries que hoje povoam os canais de TV e plataformas de vídeo da internet – assim como o imaginário dos espectadores.

Algumas séries, porém, tanto no passado quanto no presente se destacam por premissas realmente fora do normal. Muitas das séries mais bem sucedidas e bem recebidas pelo público, quando olhadas com atenção revelam-se enredos totalmente fora da casinha, com histórias tão loucas quanto fascinantes. Séries de tipos e estilos diversos, muitas aparentemente normais, mas em verdade, totalmente psicodélicas. Assim, em homenagem à criatividade e à saudável loucura de tais criadores, separamos aqui 10 séries, incluindo alguns dos maiores sucessos de todos os tempos, cujo as premissas e os enredos são realmente malucos.

1. Alce & Alice

Como a maioria dos jovens adultos no planeta terra em 2018, o trio de protagonistas dessa série tem um objetivo apenas: o sucesso. William, o pretenso Autor, é um jovem rico, filho de uma senadora corrupta. Alice, a estagiária, é uma estudante de cinema de família ortodoxa. E Stive é o ator de talento duvidoso com sérios problemas de abuso de substâncias. Seu objetivo: criar uma web-série que se torne um fenômeno cultural. Um triângulo amoroso entre um casal de meia idade e um alce – sim, o animal chifrudo, comumente encontrado nas florestas do Canadá.  

Para levar aos espectadores do Brasil e do mundo essa história de amor inter-espécie, o trio precisa superar os percalços que ameaçam tanto suas sanidades quanto suas vidas, enfrentando antagonistas como perversos executivos de TV, policiais obcecados pela verdade, o diretor de cinema internacionalmente consagrado Jorge Furtado, entre muitos outros. Cheia de metalinguagem e referências à cultura pop, Alce & Alice está disponível no Net Now, Google Play e Vimeo On Demand, e o primeiro episódio está disponível de graça no Youtube.

2. Bojack Horseman

Um desenho animado ambientado em Los Angeles, que debocha de forma realista de temas como política, celebridades e atualidades, e trata sem piedade (e com muito humor ácido) de assuntos densos como depressão, traumas, sexo, palavrões, vícios e autodestruição. Até aí, tudo certo. O único porém é que, nessa realidade paralela, seres humanos e animais antropomórficos (animais não-humanos com características humanas atribuídas) convivem lado a lado. Assim, seres humanos e seres meio humanos, meio cavalos (como é o caso do personagem principal) interagem sem maiores constrangimentos. Bojack Horseman havia sido uma estrela nos anos 1990, e quer retomar seu status de celebridade. Ele, porém, precisa lidar com as demandas de diversos personagens igualmente loucos – inclusive um cão, famoso por outro sitcom dos anos 1990, chamado Sr. Peanutbutter. Tá bom de loucura?

3. Twin Peaks

A premissa de Twin Peaks era simples e comum: um misterioso assassinato a ser resolvido. Como tudo dirigido por David Lynch é mais profundo, surpreendente e surreal do que parece, o que se sucede a partir da investigação, diante dos suspeitos e dos personagens em geral, é uma sequência de loucuras atrás de loucuras. Sonhos, visões, experiências sobrenaturais, violências, gigantes e fantasmas fizeram de Twin Peaks, mesmo cancelada após a segunda temporada, uma das mais amadas – e bizarras – séries de todos os tempos, de tal forma que, mais de 20 anos depois, em 2017 novos 18 episódios foram criados para continuar a história.

4. Santa Clarita Diet

Preparando sua segunda temporada para 2018 no Netflix, Santa Clarita Diet parte de um cenário bastante comum para uma série: uma bela família do subúrbio dos EUA, atravessando suas crises e alegrias no coração da abastada classe média americana. Há, porém, um pequeno contratempo com a corretora de imóveis e mãe Sheila Hammond, vivida por Drew Barrymore: ela se torna uma morta-viva, que desenvolve o nada singelo hábito de comer carne humana. Como seguir a vida “normal” tendo que lidar com essa particularidade? O fato de uma grande estrela como Barrymore protagonizar uma série tão peculiar parece tornar tudo ainda mais estranho.

5. Rabbits

Como um mestre no ramo de contar histórias malucas, o diretor americano David Lynch tinha de aparecer mais uma vez nessa lista. Sua segunda menção é tão estranha que nem mesmo sua categoria é fácil de compreender: enquanto uns dizem que Rabbits é uma série de curta metragens, o próprio Lynch diz se tratar de um sitcom. Seja como for, são oito episódios em que três seres com corpo de humanos e cabeça de coelhos – um deles vivido por Naomi Watts -, travam bizarros diálogos entrecortados por gargalhadas aleatórias. A descrição da série diz: “Em uma cidade sem nome inundada por uma chuva contínua… três coelhos vivem com assustador mistério”. Aterrorizante e totalmente bizarro.

6. Rick and Morty

A premissa do desenho animado Rick and Morty é clássica: as aventuras de um cientista louco ao lado de seu neto em viagens interdimensionais. O resultado, porém, é bem louco: Rick Sanchez é um velho cientista excêntrico e alcoólatra, que possui verdadeiro desprezo pelas instituições tradicionais. Tendo como contraponto seu ingênuo neto Morty, que sofre as aventuras e as tensões familiares com angústia extrema. Entre incríveis inventos tecnológicos e bizarros milagres científicos, muito niilismo e uma dose intensa de crítica à contemporaneidade, o resultado é um desenho mordaz e bastante louco.

7. The Leftovers

Se valendo de um cenário entre o distópico e o pós-apocalíptico, The Leftovers se dá a partir de um evento nada discreto: o desaparecimento súbito, simultâneo e instantâneo de 2% da população mundial, ou cerca de 140 milhões de pessoas – sem explicações maiores. A partir de tal fato, bizarros cultos religiosos emergem, milagres acontecem, viagens à realidades paralelas se dão e até novos profetas surgem, formando uma interessante e um tanto estranha série, que exibiu seu último episódio em junho desse ano.

8. Super Vicky

Simpático sucesso da segunda metade da década de 1980, Super Vicky (chamada em inglês de Small Wonder) foi incluída nessa lista também para lembrarmos que a bizarrice está presente em premissas para séries de TV desde sempre. Apesar de feita para família e crianças, sua premissa é no mínimo esquisita: uma família de engenheiros cria um robô idêntico a uma garota, que se passa por sua filha adotiva, chamada Vicky. A garota-robô, no entanto, possui superpoderes, como uma força sobre humana e a capacidade de se esticar feito fosse de borracha – com uma atriz criança fazendo uma voz e movimentos de robô o tempo todo. Que tal?

9. O Dentista Mascarado

Diferentemente da maioria das séries aqui citadas, esse programa brasileiro foi recebido com críticas negativas e se tornou um fracasso. Exibido pela Rede Globo, O Dentista Mascarado desperdiçava o talento de Marcelo Adnet em uma história tão louca quanto desinteressante: um dentista que durante o dia combate às cáries e outros problemas dentários e que, à noite, luta contra o crime. Ao seu lado, seu assistente (responsável também por suas próteses dentárias) e sua secretária. Mesmo tendo um grande elenco, nem sempre o estranho se revela interessante.

10. 3%

Primeira série brasileira desenvolvida para o Netflix, 3% se passa em um contexto pós-apocalíptico, em um mundo totalmente devastado e miserável – com escassez de água, comida, energia e higiene. Ao completar 20 anos de idade, porém, cada cidadão tem o direito de tentar ser aprovado no Processo, uma seletiva que pode permitir a mudança do Continente para o Maralto, onde os recursos são abundantes e a vida ainda é digna. Nas provas físicas, psicológicas e até filosóficas, no entanto, somente 3% dos participantes é aprovado. Essa estranha série fez sucesso, principalmente fora do Brasil, e sua segunda temporada está prevista para 2018.

© fotos: reprodução


Vitor Paiva

Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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