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15 cantinhos escondidos que revelam a essência de SP

por: Brunella Nunes

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Numa grande cidade, parece que sempre estamos a procura de alguma coisa, sem nem saber o que. Cheia de veias pulsantes, avenidas barulhentas, poluições de todos os tipos e mazelas sociais, ela tem tudo para dar errado, mas de alguma forma dá certo. É numa pequena parada para desacelerar que a gente tem aquele momentinho olho no olho e encontra formas de amá-la. Para celebrar seus 464 anos, eis aqui 15 cantinhos escondidos que são a verdadeira essência de São Paulo, essa louca insuportavelmente apaixonante.

Quem é que nunca sentiu aquela vontade de ir embora daqui? Surtou de raiva em filas, quis bater no vizinho mala, gritou por sua própria vida no trânsito ou declarou guerra ao primeiro ser humano que viu pela frente na hora do rush no metrô. É, você é paulistana (o), nem que seja de alma. E a gente aqui é assim, ama odiando. Odeia, amando. O mais engraçado é que, no final das contas, depois de tantas incertezas, imprevistos, atrasos, medos, revoltas e lutas diárias, sobrevivemos nessa São Paulo e carregamos um pouquinho dela por onde quer que a gente vá.

Os botecos das esquinas com aqueles garçons que já são da família; as ruas e praças que a gente insiste em transformar em praia; o mar de prédios que a gente gosta de admirar da janela; e até aquele temporal que cai do nada e destrói guarda-chuva faz a gente rir, nem que seja pela desgraça cheia de graça. São essas pequenas coisas que tornam São Paulo uma mãezona, que diz que não cabe mais ninguém em casa, mas arruma um jeitinho de receber sempre mais um. Que dá bronca, mas afaga. Tem horas que eu penso: como é que eu vou dizer adeus assim? Na real, ninguém sai de Sampa…só diz um até logo e ainda clama saudades quando está longe.

Abaixo estão alguns motivos para você sentir falta da capital paulista:

Café Floresta

Nem todo café bem tirado nessa cidade fica em cafeterias da moda. Tradicional, o Café Floresta se ‘esconde’ dentro do Copan, um dos prédios mais icônicos da capital e tem seu café, feito com grãos próprios, já reconhecido como um dos melhores. Comandado pelo português de 80 anos, Adelino Pereira dos Santos, o lugar foi aberto em 1979 para servir aquele bolinho gostoso da tarde e um suco de laranja também muito bem feito. É um lugar autêntico, com apenas um balcão, honesto e muito bem localizado.

Sensorial Discos

Tem vezes que a Sensorial pode passar despercebida, mesmo em plena Rua Augusta. Ao lado do brechó B.Luxo, a loja de discos, cervejas artesanais e bar de música conta com muito mais do que se vê em suas prateleiras. A programação inclui sarau, apresentações musicais e lançamento de livros. É um lugar bacana para fuçar, comprar novidades, beliscar e conhecer bandas/artistas novos.

Galeria Ink

Antes tarde do que nunca, os terraços (não curto a palavra rooftop, ok?) de São Paulo estão ganhando vida! Uma novidade das boas é a Ink Gallery, que ocupa o topo da Galeria do Rock, um dos edifícios mais clássicos da capital. Juntando estúdio de tattoo/piercing, barbearia, bar e galeria, o espaço abriu recentemente, mas já ganhou corações. Tem até árvores lá em cima! Pegue uma cerveja e aproveite os dias sob a luz do sol no quinto andar, onde – quando não há movimento – uma paz surreal impera, mesmo no caótico Centrão.

Tapera Taperá

A Galeria Metrópole já abriga algumas coisinhas legais e tem capacidade de abraçar muito mais. Um destes lugares é o Tapera Taperá, que a primeira vista é só mais uma livraria, mas calma. Eis aqui uma biblioteca, com cerca de 3 mil títulos para empréstimo gratuito. Os assuntos são variados, de filosofia à arquitetura; diplomacia, HQs e literatura das periferias. Além disso, é um espaço cultural que promove debates, exibição de filmes e documentários, exposições, lançamentos de livros e revistas. Enfim, um cantinho de respeito!

Peixaria Mitsugui

Um lugar tradicional que virou hype da noite para o dia, a Peixaria Mitsugui está mais disputada do que assento no metrô às 18h da tarde. Quem comanda a culinária oriental é o sushiman Antônio Kleber Carneiro, funcionário da casa desde 1996. O local, forrado de antigos azulejos azuis, foi aberto em 1979 e mantém suas raízes em pequenas atitudes: clientes antigos, pessoas com deficiência ou acima de 75 anos têm preferência na reserva. E sim, o atendimento é só com reserva. Boa sorte!

La Belle de Jour

Taí um lugar que dispensa grandes apresentações. Criativa, colorida e chamativa, a banca de flores La Belle de Jour dá o ar da graça no bairro de Moema. Difícil passar pela calçada sem dar uma paradinha para admirar ou comprar lírios, rosas, bonsais e o que mais capturar os olhos. Criada dentro de uma antiga banca de jornal, é inovadora e diria que bem necessária para quebrar o cinza de SP.

Boca de Ouro

Se você está em São Paulo e ainda não se sentou em um balcão de bar, então…você falhou em ser paulistano, meu! Cantinho de derrotas, histórias de amor bem ou mal sucedidas e confissões com quem está do outro lado, este é um dos lugares mais valiosos da cidade, independente de qual balcão você esteja. Mas, para não perder viagem e beber com estilo, vá ao Boca de Ouro. Tenha tempo para se deliciar com o bolovo e os drinks bem elaborados, que valem cada centavo. Por R$ 15 pilas sai o clássico da casa, o Macunaíma, feito com cachaça, Fernet Branca, limão-taiti e açúcar.

Casa que Tem

Descolada e moderninha, a loja de decoração é daquelas que você quer levar tudo. Dividindo espaço com uma unidade da Padaria Orgânica, esse cantinho na Vila Madalena é inspirador e ótimo para fuçar. Peças de design, quadros, plaquinhas, luminárias, vasos e pequenos mimos dividem a atenção do público. Só tome cuidado para não estourar o limite do cartão de crédito!

Coletivo Pura

Um dos espaços culturais mais bacanas da cidade, o Redbull Station também pode ser aquela paradinha para forrar o estômago. Lá dentro tem uma cafeteria descolada, comandada pelo Coletivo Pura, da dupla Maurício Muñoz (ex-Spot, Astor e Ritz) e Vinícius Rioli (Felix Bistrot). Com preços justos, o menu conta com pratos, porções e comidinhas elaboradas com ingredientes orgânicos, além de drinks e um café bem gostoso. Poderia ficar horas ali, de bobeira.

Centro de Memória do Circo

Muita gente passa ali pela Galeria Olido sem se dar conta da pequena maravilha que existe ali dentro. Além de um cinema a preços populares, essa é a casa do Museu do Circo, um dos lugares mais lúdicos da cidade. O espaço se dedica a contar a história circense do Brasil, por meio de maquetes, figurinos, áudio, vídeo e apresentações culturais. É muito lindinho e cheira a nostalgia.

O Melhor Pedaço da Pizza

Outro dia eu estava bem a toa e me deparei com uma portinha daquelas mais tradicionais, quase em frente à Galeria do Rock (na entrada pela Rua 24 de maio). Pra mim, não existe São Paulo (nem vida) sem pizza, então eu obviamente fui atraída por tal nome, nada modesto. E foi uma agradável surpresa. Os pedaços de pizza vendidos no local são muito bons, sem frescura e com um custo-benefício excelente. É para comer com as mãos (ou com luvas de plástico, que o dono deixa no balcão) e pedir mais uma, e mais uma, e mais uma…

Teatro do Centro da Terra

Em Perdizes, o Centro da Terra é um espaço cultural autônomo que abriga no mesmo edifício um ateliê, uma praça de convivência com um café, um terraço, salas multiuso, uma escola de arte para crianças de 5 a 15 anos e um teatro com palco italiano em seu subsolo. É gerido por uma companhia sem fins lucrativos, responsável por promover espetáculos teatrais, shows e performances.

Tabuleiro do Acarajé

O que seria de São Paulo sem sua miscigenação? Provavelmente um poço de chatice. Para sentir o gostinho do Nordeste, o Tabuleiro do Acarajé vem para nos salvar! Perto da Praça Roosevelt (que também é um dos lugares mais dahoras dessa cidade!), o espaço é pequenino, mas o aconchego é garantido em cadeiras colocadas na calçada. Três baianas servem o quitute sequinho, bem recheado e muito bem preparado. Se você tiver sorte consegue garantir a sobremesa, que não é algo fixo no menu.

Luz da Villa

Numa travessa da Vila Mariana, a Luz da Villa é daqueles cantinhos que escondem vários lugares num só endereço. Tem uma loja com peças novas e usadas, vestidos de festa e acessórios legais, além de um café/restaurante num jardim de respeito. Os ambientes são agradáveis, a curadoria de peças é interessante, o atendimento é gentil e os preços são bons.

Desculpe a Poeira

Foi a partir do próprio acervo de livros que o jornalista Ricardo Lombardi criou o pequeno grandioso sebo em Pinheiros. O nome do local faz alusão à frase de epitáfio sugerida pela crítica e escritora Dorothy Parker: “Excuse my dust”. Por ali se espalham livros usados em bom estado e edições especiais de revistas com preços amigáveis. Além de vender, também compra, então separe as suas relíquias.

*bônus: Padoca Vegan

Para não me esquecer dos veganos, peguem essa dica valiosa. No ano passado conheci a Padoca Vegan, padaria 100% vegana que fica numa casa na Vila Madalena. O café da manhã na garagem foi inesquecível! Estava tudo gostoso: cinnamon roll, café vietnamita (com leite de coco), pão na chapa, carolina, iogurte natural da casa com granola e até um pão com “calabresa”, sem origem animal. O cardápio é extenso e dá vontade de pedir tudo. Por enquanto, só abre durante alguns dias, então tem que ficar de olho na página do Facebook para saber as datas.

Foto 1: reprodução/Patrícia Gomes | foto 2: divulgação | foto 3: © Brunella Nunes | foto 4: divulgação | foto 5: divulgação | foto 6: © Brunella Nunes | foto 7: divulgação | foto 8: divulgação | foto 9: © Brunella Nunes | foto 10: divulgação |  foto 11: reprodução/suapizzaria.com | foto 12: divulgação |  foto 13: divulgação |  foto 14: divulgação |  foto 15: © Brunella Nunes


Brunella Nunes
Jornalista por completo e absoluto amor a causa, Brunella vive em São Paulo, essa cidade louca que é palco de boa parte de suas histórias. Tem paixão e formação em artes, além de se interessar por ciência, tecnologia, sustentabilidade e outras cositas más. Escreve sobre inovação, cultura, viagem, comportamento e o que mais der na telha.

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