Roteiro Hypeness

Fomos descobrir o melhor da arte de rua de Madrid

por: Mari Dutra

Publicidade Anuncie

Nosso ponto de encontro são duas esculturas de cabeças gigantes localizadas ao lado da estação de trens Atocha, em Madrid. Quando chego, Javier já espera para começar o tour em frente às obras, de autoria do artista Antonio López García.

Na próxima 1 hora e meia, ele irá guiar um pequeno grupo de interessados na arte de rua da cidade. Em plena terça-feira de inverno, apenas eu e o artista italiano Smoe nos arriscamos a encarar o passeio em uma Madrid que amanheceu com a temperatura de 1°C.

O passeio começa com uma breve introdução sobre a história do graffiti e do estêncil (ou “stencil”). Quem pensa que esse tipo de manifestação artística é algo moderno irá se impressionar ao descobrir que os primeiros registros do gênero surgem com as pinturas rupestres, quando as mãos humanas são usadas como molde para desenhos em cavernas. Obviamente, ainda faltavam milênios para que a tinta em spray fosse inventada, mas nossos antepassados se viravam como podiam: com flores, frutas, sangue de animais e cinzas eram criados pigmentos que serviam para encher de arte as comunidades da época.

Das paredes das cavernas às paredes das ruas, as técnicas foram sendo aperfeiçoadas até chegar aos graffitis modernos que encontramos hoje ao passear pelo bairro de Lavapiés, uma região onde se misturam várias culturas – estima-se que pessoas de 90 nacionalidades diferentes vivam no local. A arte aqui também vem de todas as partes do mundo: Brasil, Itália, Argentina – e, claro, da Espanha.

Nossa primeira parada acontece na comunidade autogestionada Esta es una Plaza (Dr. Fourquet, nº 24), um espaço que agrega obras de diversos artistas ao lado de uma horta urbana. Entre obras com temática política, como o mural em que se lê “Quiseram nos enterrar, não sabiam que éramos semente“, e mudas de plantas, seguimos descobrindo mais sobre a arte na cidade.

Um dos responsáveis pelo espaço comenta que gostaria de fazer com que os muros externos fossem como os da La Tabacalera, em que quadrantes delimitados foram oferecidos a diferentes artistas – apesar disso, a arte de rua foi mais rápida e se alojou no lugar antes de que as regras impusessem quem pintaria o quê e onde.

La Tabacalera é justo o ponto seguinte do tour. Antes uma fábrica de tabaco, o espaço foi hoje convertido em um enorme museu e centro cultural. Suas paredes externas foram pintadas pela última vez em 2016 e devem ser cobertas por novos artistas este ano, em uma mostra denominada Muros Tabacalera.

Saindo dali, uma pausa para um dos momentos mais esperados do tour: a oportunidade de fazer o próprio stencil. Como paredes livres são escassas na cidade, a obra é feita em papel – e pode ser levada para casa como uma lembrança do passeio. Javier tira da mochila uma lata de spray, um bastão de madeira e um molde feito com uma chapa de raio-x, um material durável e que pode ser reutilizado diversas vezes (um dos benefícios da técnica).

De autora a artista, fui convidada a fazer minha primeira obra. Ta-Dã! ⤵️

Depois da minha estreia no mundo da arte, damos sequência ao passeio em direção a El Campo de Cebada (Calle de Toledo, 56), outro núcleo de arte urbana na cidade. Localizado onde antes ficava uma piscina pública no bairro de La Latina, o espaço hoje é mergulhado em arte. Apesar de momentaneamente fechado, existe a possibilidade de ver o local através de escotilhas que deixam observar a arte que repousa dentro dos tapumes.

Os tours de arte de rua em Madrid custam € 15 (cerca de R$ 60) e são oferecidos em inglês ou espanhol. Os passeios podem ser reservados diretamente no site da Cool Tour Spain.

Fotos: Mariana Dutra/Hypeness


Mari Dutra
Depois de viver na Argentina, na Irlanda e na Romênia, percebeu que poderia carimbar o passaporte mais vezes caso trabalhasse remotamente. Hoje escreve para o Hypeness e mantém um blog de viagens, o Quase Nômade, em que conta mais de suas experiências pelo mundo.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Obra de Niemeyer em Milão completa 40 anos e fotógrafa brasileira registra sua imponência