‘Não é não!’: Campanha contra assédio vai espalhar tatuagens temporárias no Carnaval

por: João Vieira

Patrocinado por: Canal Verão

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Em 2017, Barbara Menchise, Aisha Jacob, Julia Parucker e Nandi Barbosa desenvolveram uma campanha contra o assédio que se espalhou pelo carnaval de rua do Rio de Janeiro e fez sucesso entre as mulheres.

A ideia era colar uma tatuagem temporária nas moças que fossem curtir a folia com uma frase direta: “Não é não!“. O projeto surgiu quando as amigas conversavam sobre uma triste e corriqueira realidade dos festejos brasileiros. Uma garota foi agarrada, tentou se desvencilhar e disse: “Não! Eu falei não, você não entende? Não é não!”.

Foi a gota d’água e, ao mesmo tempo, o ponto de partida para a campanha. O grupo de amigas reuniu 40 mulheres em um grupo de WhatsApp e arrecadou cerca de 3 mil reais para bancar as 4 mil tatuagens.

Elas se espalharam por todos os cantos. Nos blocos oficiais, nos escondidos, no sambódromo, na praia… e agora, vão ganhar o Brasil.

No carnaval de 2018, a ideia ganhou contornos mais firmes. Foi realizada uma campanha online mais abrangente de captação de recursos, somando 20 mil reais, que serão distribuídos em tatuagens por seis cidades do Brasil: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Olinda.

As “minas” do ‘Não é Não!’

“No carnaval, percebi que existia uma potência no uso do corpo para (a mulher) se manifestar. E também no carnaval a gente sente muito forte que o fato de a mulher estar com menos roupa intensifica o assédio que já existe no no cotidiano”, afirma a cineasta Julia Parucker, uma das idealizadoras do Não é Não, ao site Hysteria.

Como na primeira edição, as tatuagens serão entregues apenas às mulheres. Mas isso não quer dizer que os homens não possam apoiar a iniciativa.






Fotos: Divulgação


João Vieira

Com seis anos de jornalismo, João Vieira acredita na profissão como uma ótima oportunidade de contar histórias. Entrou nessa brincadeira para dar visibilidade ao povo negro e qualquer outro que represente a democracia nos espaços de poder. Mas é importante ressaltar que tem paixão semelhante pela fofoca e entretenimento do mais baixo clero popular.