Debate

Escola de samba leva crítica política e social à avenida e viraliza nas redes

por: Redação Hypeness

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No carnaval do Rio de Janeiro, a escola Paraíso de Tuiuti foi para a avenida com o enredo “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”, do carnavalesco Jack Vasconcelos. A agremiação falou sobre os 130 anos da Lei Áurea, contextualizando o tema para o presente e mostrou que, mesmo que de forma diferente, a escravidão permanece até hoje.

Com muita ironia, a escola fez críticas a reforma trabalhista mostrando um folião fantasiado de Michel Temer na fantasia intitulada “presidente vampiro do neoliberalismo”. Os protestos contra o governo de Dilma Roussef também foram lembrados com batedores de panela nas fantasias da ala “Manifestoches” vestindo camisa da seleção brasileira de futebol.

As reformas trabalhista e da previdência foram criticadas em alas como a “Guerreiros da CLT” e a arquibancada respondeu à passagem da escola aos gritos de “Fora, Temer”.

A passagem da Paraíso do Tuiuti foi bastante celebrada na Sapucaí, (já que seu samba-enredo foi de longe o mais bonito da noite) e também nas redes sociais.

A escola chegou ao topo dos Trending Topics do Brasil e do mundo do Twitter logo após o desfile por conta de sua temática polêmica. Inclusive, alguns internautas fizeram brincadeiras comparando o desfile a situações que geralmente acontecem em protestos de grupos de esquerda.


Confira a letra do samba da escola:

Irmão de olho claro ou da Guiné
Qual será o valor? Pobre artigo de mercado
Senhor eu não tenho a sua fé, e nem tenho a sua cor
Tenho sangue avermelhado
O mesmo que escorre da ferida
Mostra que a vida se lamenta por nós dois
Mas falta em seu peito um coração
Ao me dar escravidão e um prato de feijão com arroz

Eu fui mandinga, cambinda, haussá
Fui um rei egbá preso na corrente
Sofri nos braços de um capataz
Morri nos canaviais onde se planta gente
Ê calunga! Ê ê calunga!
Preto Velho me contou, Preto Velho me contou
Onde mora a sengora liberdade
Não tem ferro, nem feitor

Amparo do rosário ao negro Benedito
Um grito feito pele de tambor
Deu no noticiário, com lágrimas escrito
Um rito, uma luta, um homem de cor
E assim, quando a lei foi assinada
Uma lua atordoada assistiu fogos no céu
Áurea feito o ouro da bandeira
Fui rezar na cachoeira contra bondade cruel

Meu Deus! Meu Deus!
Se eu chorar não leve a mal
Pela luz do candeeiro
Liberte o cativeiro social
Não sou escravo de nenhum senhor
Meu Paraíso é meu bastião
Meu Tuiuti o quilombo da favela
É sentinela da libertação

Imagens: Reprodução


Redação Hypeness

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