Roteiro Hypeness

Centro de Empoderamento em Floripa atrai pessoas do mundo todo em busca de novo modo de vida

por: Redação Hypeness

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Ao chegar na praia da Barra da Lagoa – um dos bairros manezinhos mais tradicionais de Florianópolis – é preciso um olhar atento para se notar um letreiro branco discreto no meio da montanha que diz: Rosemary Dream.

Ao adentrar o portão de madeira do Rosemary, sente-se logo que o lugar tem uma energia própria. Talvez seja pela sua localização num recanto natural de tirar o fôlego, cercado pelo mar, pelo canal da Barra da Lagoa, por piscinas naturais e por montanhas de se perder de vista. Talvez seja pelas pessoas sorridentes que te recebem como se você fosse um amigo de longa data. Talvez por toda a história digna de filme que fez com que aquele lugar surgisse.

Existe um quê de mistério no Rosemary Dream. Não é um hostel, mas hospeda visitantes do mundo todo. Não é uma comunidade alternativa, mas pessoas do mundo todo convivem em grupo com um propósito comum. Não é um restaurante, mas serve refeições deliciosas e nutritivas. Não é um espaço de eventos, mas recebe diversos tipos de atividades relacionadas ao bem estar e autoconhecimento.

Rosemary é tudo isso, mas não só isso. Talvez a dificuldade em descrever o espaço venha de sua originalidade. O Hypeness foi até lá para investigar mais de perto.

As mentes – e os corações – por detrás do Rosemary Dream são dos israelenses Yaniv Charlap, 30, Cormoran Lee, 31, e Yotam Elmakias, 31. Quando os dois primeiros chegaram no Brasil para uma viagem de turismo alguns anos atrás, jamais poderiam imaginar que fixariam residência aqui. “O Brasil foi o primeiro destino que eu escolhi para começar uma viagem pelo mundo na qual eu passaria por 17 países. Nunca mais consegui sair daqui. Joguei fora as outras 16 passagens compradas”, conta Yaniv com um olhar que não denota nenhum arrependimento pelas passagens perdidas, enquanto sentamos no meio da mata para fazer essa entrevista e conhecer a história desse lugar que mais parece ter saído de filme.

Hypeness – Como vocês vieram parar em Florianópolis?

Yaniv Charlap – Minha ideia de vir para o Brasil começou quando eu era bem jovem e comecei a treinar capoeira. Eu sempre tive uma paixão que não conseguia explicar com relação ao Brasil, e a capoeira acentuou muito isso. Eu estava em Israel e decidi que queria viajar pelo mundo.

Nesse mesmo tempo, Cormoran, que era meu amigo de longa data, disse que viria passar um mês comigo no Brasil. Nossa vida era muito diferente, mas éramos melhores amigos, com os mesmos valores, que tinham ido para caminhos distintos – eu estava no ramo de empreendimentos imobiliários e ele tinha saído para viajar o mundo de barco, e naquele tempo estava trabalhando num iate na Alemanha.

Nosso estilo de vida sempre inspirou um ao outro. Eu sempre sentia que precisava de mais Cormoran na minha vida, e ele sentia que precisava de mais Yaniv na vida dele.

Nos encontramos em Fortaleza, depois fomos para Jericoacoara onde passamos 20 dias. A gente se integrou muito com a comunidade local. Conhecíamos todo mundo, ficamos muito próximos e as pessoas começaram a vir até a gente. A gente levava as pessoas para todo tipo de aventura, demos aula de capoeira, e várias outras coisas. Foram dias mágicos.

Lá a gente conheceu uma amiga que era de Florianópolis e ela nos convidou para passar o Natal em Florianópolis com a família ela. Nunca tínhamos ouvido falar em Floripa, mas fomos. Foi ela que nos levou para Barra da Lagoa pela primeira vez.

Era 28 de dezembro de 2015. Quando vimos aquele lugar lindo, aquele canal desaguando no mar, largamos nossas coisas, saímos correndo e pulamos na água na hora. Falamos: esse é o lugar onde a gente quer ficar.

H – E como foram os dias seguintes na Barra da Lagoa?

YC – Não queríamos ficar hospedados num hostel. A gente queria ficar no meio dos locais, nos integrar com a comunidade. Começamos a ir pra montanha, conhecer os pescadores, as famílias manezinhas. Fomos ficando muito próximos deles.

A gente conheceu uma pessoa que falou que tinha uma casa no meio da montanha em construção ainda, que não estava pronta. Fomos lá ver e falamos: é aqui! Fizemos uma proposta para ele: a gente te ajuda a terminar de construir a casa e você nos deixa ficar. Ele topou. Ajudamos ele a terminar a casa e ficamos lá por uns 3 meses, vivendo, ainda sem saber, o que seria o estilo de vida do Rosemary Dream.

A gente acordava, fazia muito exercício físico, nos alimentávamos de forma mais natural possível, ia pro meio do mato correr descalços, ficávamos horas e horas filosofando sobre a vida…a gente não conseguia parar de falar sobre a vida. Começávamos às 6 da tarde e terminávamos as 5 da manhã. A gente não sabia o que estava acontecendo. Nunca tínhamos nos sentido tão cheios de vida assim antes. Com tanta energia. Muitas sincronicidades começaram a acontecer pra gente nesse período.

H – E da onde surgiu a ideia de comprar um terreno na Barra da Lagoa?

YC – Esse tempo na montanha foi tão intenso, nos transformou tanto, que a gente decidiu que iria procurar um pedacinho de terra para comprar lá.

Fomos até uma imobiliária e eles disseram que tinha uma montanha incrível que pertencia a uma senhora ali bem de frente pro canal da Barra da Lagoa. A terra era da família dela há muito tempo, e eles disseram que ela era uma senhora muito especial, que todo mundo a conhecia. O nome dela: Rosemari. Eles não sabiam dizer se ela de fato queria vender o terreno, mas que eles iriam sondar com ela se existia essa possibilidade.

Dois dias depois, eles nos ligaram e falaram que tinham conversado com a Rosemari e que ela estava disposta a conversar. Ela estava doente e achava que não teria mais condições para cuidar da terra e que iria nos encontrar no dia seguinte para conversar.  A gente mal podia acreditar.

No dia seguinte, marcamos de nos encontrar com ela e vem chegando de longe uma senhora baixinha, com um chapéu enorme, carregando um monte de plantas nas mãos. Elas nos cumprimentou, mas não deu muita bola pra gente. Nos chamou para segui-la. Entramos no terreno atrás dela e ela começou a plantar as mudas que tinha nas mãos.

Como tínhamos vindo da imobiliária, achávamos que ela ia falar da estrutura, das construções, da parte burocrática do terreno. Mas ela só falou das plantas!

Ela nos contou que nos últimos 40 anos vinha criando ali um jardim botânico, com plantas do mundo todo. Ela começou a nos dar uma aula sobre plantas medicinais, foi mostrando tudo pra gente, falando nome científico, o nome indígena, o nome brasileiro de cada uma delas. Enquanto ela explicava, não parava de andar pelo terreno plantando.

Ficamos nove horas com ela andando e plantando, enquanto ela contava as histórias de cada planta. A gente não comeu. Não paramos. Estávamos exaustos, e ela não parava, com uma energia que a gente não acreditava. Foi uma experiência muito marcante pra gente.

H – Como vocês se sentiram?

YC – A gente ficou absolutamente fascinado por aquele lugar. Era um paraíso. Nos apaixonamos de um jeito que é difícil explicar. A gente não sabia quanto custava. Não sabíamos se teríamos dinheiro. Não falamos do preço. Mas naquele momento a gente decidiu que precisávamos comprar aquela terra. A gente sentia que ali seria o espaço onde a nossa vida mudaria.

Depois disso, começaram as negociações, que duraram 5 meses. Imagina só, a gente parou a nossa vida. Eu ainda tinha as passagens para viajar para vários lugares. Cormoran tinha o trabalho no iate para onde voltar. E a gente não sabia o que iria acontecer. A gente conversava com os proprietários e eles falavam: “daqui há algumas semanas a gente volta a conversar”.

Só que não sabíamos o que fazer. Tínhamos parado a nossa vida. E a gente nem sabia se eles iriam querer vender a terra mesmo! Só nos restava acreditar. Foi um teste de fogo para gente. Tivemos que praticar muita paciência, confiança, humildade, fé. Cancelamos oficialmente todos os nossos planos, decidimos que não importava quanto tempo demorasse a gente iria fazer esse projeto acontecer.

H – Como surgiu o nome do projeto?

YC – Um dia eu estava conversando com meu pai que estava em Israel e ele perguntou: “Como é o nome da senhora proprietária do terreno?”. Eu falei: “Dona Rose, Rosemari.” E ele falou: esse é o nome do projeto!

Eu adorei a ideia. Corri para o Cormoran, que estava fazendo uma fogueira, contei o nome e ele adorou. Seria Rosemary Dream (a versão em inglês de Rosemari). A gente ia ter a honra de dar continuidade ao sonho da Dona Rose. Contamos para ela e para a família sobre a ideia do nome. No princípio ela não gostou tanto assim, mas o esposo dela olhou para gente com um olhar diferente de aprovação. Ele tinha gostado. A gente disse para ela então que não sabíamos se ia mesmo ser esse nome, mas em todas as apresentações do projeto a gente já estava o chamando de Rosemary. Não teve mais jeito. Ficou Rosemary Dream.

H – Antes mesmo de comprarem o terreno, já tinham voluntários querendo ajudar no projeto. Como isso aconteceu?

YC – No começo, pensamos em encontrar sócios. Falamos com todas as pessoas na nossa roda de amigos que achávamos que teriam alguma identidade com o projeto. Mas ninguém se animou. Todo mundo falava que não podia largar suas vidas para se jogar num projeto no Brasil que era só um sonho na cabeça de dois malucos.

Até que um casal de amigos nossos, de Israel, decidiu vir. Eles vieram, e a gente levou eles para morar na casinha no meio da floresta com a gente. Não tinha chuveiro. Tinha uma quantidade de mosquitos absurda. A gente estava acostumados, mas para eles foi demais. Eles não acreditavam no que a gente estava fazendo. Achavam que era uma loucura. A gente passava o dia todo estudando, criando conceitos, fazendo apresentações, com muito entusiasmo, sem nem saber se conseguiríamos comprar o terreno.

A experiência foi muito intensa para eles. Eles não se adaptaram e foram embora. De novo, era só eu e Cormoran e o nosso sonho.

Nesse dia, eu cheguei para o Cormoran, olhei nos olhos dele e falei: “Vai ser só eu e você. Você sabe que você vai mudar sua vida. Que vai se mudar para o Brasil. Que vai ter muitos desafios. Estamos entrando numa comunidade de pescadores, não falamos português direito, não sabemos o que as pessoas vão achar disso. Não vai ser fácil. Mas você está pronto?” E ele falou que sim.

A gente percebeu então que tudo o que tínhamos vivido nas nossas vidas até então, estava sendo uma preparação para aquele momento. Estávamos prontos. A gente sentou juntos por três dias e escrevemos a primeira visão do que seria o projeto. A gente não sabia o que iria nascer dali. Mas sentíamos algo muito forte nos nossos corações que era maior do que a gente. Racionalmente, hoje, olhando para trás, não sei explicar de onde veio aquela força toda.

H – E quando chegaram de fato os primeiros voluntários?

YC – Escrevemos a descrição do projeto no site Workaway e foi um grande sucesso. Pessoas começaram a nos ligar, querendo se voluntariar. Nessa época, a gente alugou um apartamento perto da praia para termos internet, começamos a fazer contato com as pessoas e elas começaram a vir! A gente não tinha nada, não tínhamos terra, não sabíamos direito o que era esse projeto, mas as pessoas começaram a chegar.

Estávamos apenas vivendo a vida dos nossos sonhos – imersos na natureza, fazendo conexões reais com as pessoas, tratando pessoas com amor, sem álcool ou qualquer tipo de drogas, cozinhando e comendo comida saudáveis…era só um sonho, mas começou a contagiar as pessoas.

Os voluntários não couberam mais no apartamento onde estávamos, tivemos que alugar outros espaços, e quando vimos estávamos com 20 voluntários criando a Rosemary, sem nem sabermos o que era a Rosemary. A gente fazia diversas atividades com eles: capoeira, trilhas na montanhas de olhos vendados, acordávamos as 5 da manhã, fazíamos exercícios no meio da natureza, filosofávamos sobre a vida… A gente formou um laço de amizade muito forte.

H – Nesse começo, era somente você e Cormoran. Quando o Yotam chegou?

YC – Desde o começo, quando pensávamos em alguém para criar o projeto com a gente, o primeiro nome que vinha na cabeça era sempre o do Yotam. Ele chegou depois de 7 meses. Ficamos muito felizes que isso aconteceu porque tínhamos certeza que ele entendia a essência do projeto. Esse sempre foi um exemplo para gente de simplicidade, de conexão verdadeira com a natureza, de humildade, que são alguns dos valores principais do Rosemary. Você olha nos olhos dele e pode ver isso. Pode ver que é tudo verdadeiro.

H – E como foi o dia em que finalmente fecharam o negócio e compraram o terreno?

YC – Foi depois de 5 meses de ansiedade e espera! A gente não podia acreditar. Eu e Cormoran subimos na moto no dia de assinar o contrato, ele me abraçando, a gente cantando, muito emocionados. O sentimento foi muito louco. A gente assinou o contrato finalmente. Ainda demorou um mês para podermos entrar no terreno. Em 30 de junho de 2016, finalmente nos mudamos para a montanha dos sonhos com os voluntários.  

Seguimos o trabalho intenso de desbravar a terra e principalmente de entender o que era aquele projeto que estava nascendo. Foi nesse período que surgiu a ideia de que o que estávamos fazendo era um Centro de Empoderamento. As pessoas estavam ficando empoderadas ao trabalhar naquele projeto. Mais autênticas. Mais fortalecidas. Mais vivas. E a gente queria expandir isso, trazer mais pessoas do mundo inteiro para poderem viver essa experiência.

H – E porque vocês acham importante a vida em comunidade?

YC – Hoje em dia, depois de viver esse tempo em comunidade, acho que não existe melhor forma de viver. Um dos nossos maiores problemas atuais na sociedade é a depressão, que muitas vezes é causada pela solidão, isolamento. E isso está acontecendo em todas as faixas etárias. Você pode viver numa cidade como Nova York, mas mesmo assim sentir solidão. São muitas pessoas, mas poucas conexões reais.

Quando você vive em grupo, você conhece todas as pessoas. Você é importante para todas elas. Você cumprimenta todo mundo, abraça todo mundo, se conecta com todos. Você se sente mais preenchido. Você se sente parte de algo. Se você vive numa cidade, isso não acontece. As pessoas não fazem parte de um coletivo muitas vezes. A gente tem amigos, mas os amigos tem suas vidas, não existe uma conexão de propósito, de valores. A conexão acaba sendo mais fraca. Numa comunidade, a conexão é forte. Você se sente parte de um grupo que pode criar mudanças na sociedade, viver um outro estilo de vida.  Isso é incrível.

H – O que é o estilo de vida do Rosemary?

YC – Nossos pilares são muito simples. Em primeiro lugar, é estar saudável. Estar saudável começa com nutrição e com a consciência sobre o que é estar saudável. Existe uma falta desse conhecimento, a gente sabe muito pouco sobre nosso próprio corpo.

Hoje em dia é difícil entender o que é bom ou ruim para o nosso corpo, porque as empresas alimentícias não querem que saibamos o que existe dentro dos produtos industrializados. Por exemplo, a pessoa olha um produto onde está escrito “sem açúcar” na embalagem. E a pessoa acha que é saudável, sem perceber que para ser sem açúcar, muitas substâncias químicas prejudiciais ao nosso corpo foram inseridas ali! Então em primeiro lugar, é preciso entender o seu corpo, observar como você se sente após se alimentar e escolher os melhores combustíveis para o seu corpo.

A segunda parte seria se exercitar, mas é importante pensar em qual tipo de exercício. No Rosemary, praticamos o que chamamos de “natural movement” (movimentos naturais) – subir em árvores, escalar, nadar… Se exercitar naturalmente significa treinar com as coisas que você tem ao seu redor, com a natureza. Mesmo nas cidades, é importante inserir exercícios naturais no nosso dia a dia, como subir as escadas para o escritório ao invés de usar elevador; deixar mais o carro na garagem e caminhar mais; não ter medo de usar o seu corpo.  A gente de desacostumou a fazer isso. A gente acorda, entra no carro, se senta, chega no escritório, se senta, volta para casa, senta no sofá.

Podemos voltar a usar o nosso corpo sem medo. Ter um corpo forte significa poder usá-lo em todas as situações da sua vida. Significa estar com o corpo pronto para usá-lo numa situação em que você realmente vai precisar dele, numa emergência, seja para você ou para ajudar alguém. Você se sente útil de verdade nesse mundo.

Um outro pilar forte do nosso estilo de vida é a conexão com a natureza. No Rosemary temos essa preocupação muito forte de preservar a natureza, cuidar dela, respeitá-la. Mesmo vivendo numa cidade grande, é sempre possível estar atento, observando a natureza, tendo consciência sobre ela e de como você é parte dela. Só de criar essa conexão você vai perceber a diferença na sua paz interna. Se você se perde na selva de concreto e se esquece que veio da natureza, acredito que será difícil encontrar um verdadeiro equilíbrio na sua vida.

Acreditamos também na importância de viver com propósito, com valores. Cada pessoa tem seus próprios valores, as coisas em que ele acredita, que estão conectadas ao seu coração. E tudo que acontece na sua vida é conectado a isso, quer ele saiba ou não. O trabalho que ele vai escolher, suas relações, seu estilo de vida,  etc.

Por isso é importante saber quais são seus valores e viver de acordo com eles. Isso significa que suas ações estão alinhadas com o que você acredita. Você se torna uma pessoa confiável, principalmente para você mesmo. Você sabe quem você é. E naturalmente começa a impactar outras pessoas, fazer algo que seja maior do que a gente, viver em serviço. Viver sem isso é viver sem propósito.

Outra coisa que é muito importante no Rosemary é poder ter a liberdade de se expressar com naturalidade. Viver sem medos de julgamento, medo de outras pessoas, medo de não ser bom o bastante. É ter a habilidade de viver cada momento com intensidade. Se você ama, você ama de verdade. Se você chora, você chora de verdade. Se você dança, você dança de verdade. Você deixa sua criança interior sair e esse fogo dentro de você vai causar muitas mudanças na sua vida. Isso afeta diretamente na energia que você irradia para o mundo. Quando você consegue se expressar de verdade nas coisas mais simples, como na dança, você consegue se expressar também em outras áreas da vida mais importantes, porque você não tem medo de julgamentos. Você pode viver seus sonhos.

Outro valor que faz parte do nosso modo de viver é estar atento sobre como tratamos as pessoas na nossas vidas. Ser alguém que está sempre doando. Manifestando amor. Cuidando dos outros. Isso volta para você. Fale de forma gentil com as pessoas. Use boas palavras. Trate-as com respeito. Escute-as. Lembre-se de seus nomes. Tenha conversas produtivas. Ajude sempre que possível. Não tenha medo de estar perto das pessoas, de compartilhar seu conhecimento, trabalhar com outras pessoas, criar com outras pessoas. Traga-as para sua casa, vá até a casa delas. As pessoas estão vivendo muito separadas – “essa é a minha casa, essas são as minhas coisas, esse é meu trabalho, essa é a minha vida”. A ideia é perceber que estamos juntos. Se você precisa eu vou te dar o quanto que eu puder. Remover um pouco esse sentimento de separação que temos.

E para fechar a lista dos nossos pilares, seria manter sempre essa vontade que temos dentro da gente para nunca parar de crescer, subir nossos padrões sempre. Crescer em todos os aspectos. Ser um melhor ser humano. Nos comprometer com o nosso desenvolvimento pessoal constante. Essa vontade de crescer  é a força da vida. Sem crescer, você começa a regredir. A gente se empodera e empodera as pessoas ao nosso redor também.

Isso seria o nosso estilo de vida em poucas palavras – saúde, viver de acordo com seus valores, conexão com natureza, auto-expressão, liberdade, propósito, amar, servir, e cuidar das outras pessoas e continuar sempre crescendo.  

H – Baseando nisso, vocês criaram uma metodologia. Pode falar mais sobre ela?

YC – Nosso modo de viver deu origem a um método que chamamos de Monkey, Monk and Modern Human (Macaco, Monge e Homem Moderno), que representam saúde, mente e o lado social.

Monkey é a parte relacionada à saúde – nutrição, exercícios, auto-expressão conexão com natureza, o nosso lado mais selvagem. Monk é tudo conectado à mente, equilíbrio emocional, crescimento, auto-disciplina, consciência. Modern Human é o lado de viver em sociedade, se conectar com pessoas, compartilhar, colaborar, criar um trabalho alinhado a sua essência, etc.

Porque a ideia do Rosemary não é necessariamente incentivar as pessoas a viverem na natureza. A ideia é criar um lugar que oferece para as pessoas as habilidades que elas precisam para melhorar suas vidas. A maioria de nós está vivendo na sociedade moderna, então nossa ideia é ajudar a melhorar a nossa vida na sociedade e não simplesmente abandoná-la. Então nosso propósito é que as pessoas possam experienciar esse estilo de vida no nosso espaço e consigam levar esses valores – ou uma parte deles – quando voltarem para suas casas. É muito simples. Se cada um melhorar um pouquinho, criaremos um impacto enorme no mundo, nossas crianças terão um futuro melhor. Temos que ajudar um aos outros, pois a transformação não acontece de forma solitária.

H – No Rosemary Dream nenhum tipo de drogas é permitido, nem álcool. Por que?

YC – Porque sentimos que drogas são apenas um escape, uma fuga. A gente ama a vida. Se você viver a vida da melhor forma, você não precisa de nada que te faça escapar da vida.

Se você precisa de álcool para se expressar, você fica dependente disso. Ao invés de superar seus medos, você usa uma muleta para isso. Acreditamos que se você se esforçar para superar seus medos, se livrar do julgamento, e viver do jeito que te faz bem, você não precisa de álcool nem de outras substâncias para isso.  Quando você se livra dessas substâncias, você começa a encontrar formas naturais de alcançar esses resultados sozinho.

H – E aqui vocês recebem pessoas do mundo inteiro, é uma comunidade feita de diferentes culturas. Por quê?

YC – Porque a gente não acredita na separatividade. Acreditamos que as diferenças culturais são muito bonitas, porque aprendemos muito com os outros. No momento em que deixamos de olhar o outro como separados de nós, quando quebramos as barreiras a gente se conecta. A gente não precisa de separação, somos todos os mesmos. Achamos que já passou da hora de percebermos isso. Então vamos nos unir, aprender, criar laços reais, ao invés de julgar as pessoas pelas diferenças.

H – O que seriam os “jantares em família” que acontecem no Rosemary?

YC – A gente criou essa tradição no Rosemary. Duas vezes por semana, fazemos um jantar aberto para amigos e amigos de amigos, todos se sentam para comer juntos, para se alimentar de comidas nutritivas de verdade.

A gente tem uma mesa bem grande que fica no chão para que todos possam comer juntos, pois estamos todos juntos. É muito importante que todos sintam isso. Até isso é estranho para as pessoas, porque elas estão acostumadas a se sentar sozinhas para comer. Comer junto abre espaço para comunicação, para a criação de laços entre as pessoas.

Antes do jantar a gente sempre faz um pequeno cerimonial, agradece pela comida, explica sobre a comida. A gente também faz sempre alguma dinâmica com as pessoas, para incentivá-las a falar, a se expressar, para tirá-las da zona de conforto, porque é muito fácil se sentir pequeno, não visto, quase desaparecendo. A gente não deixa isso acontecer. Sempre surge aquela tensão no ar, do tipo: “será que eles vão me chamar para ir lá na frente?”. Isso é proposital. Porque as pessoas tem medo de serem julgadas, e se isso acontece, elas não podem ser elas mesmas. Por isso no Rosemary praticamos o não julgamento.

Na hora de comer, a gente come de cócoras, em pequenos banquinhos no chão, porque cadeiras não são boas pro nosso corpo. São confortáveis, mas são ruins pra nossa postura. A gente come com hashis para comermos mais devagar, prestar atenção na comida…é diferente de simplesmente pegar um garfo cheio de comida e colocar na boca. Exige mais presença.

H – Além de receberem voluntários e pessoas que querem se hospedar por alguns dias, vocês também tem um programa de empoderamento que dura 30 dias, o Heart Attack. Pode falar mais sobre ele?

YC – Como percebemos que muitas vezes as pessoas precisam de algo maior, mais tempo, mais comprometimento para realizar mudanças, nós criamos um programa incrível e único no mundo chamado HEART ATTACK (que inclusive vai ter uma turma nova começando em abril de 2018.)

A gente chama esse programa de Heart Attack (Ataque Cardíaco, em português) porque queremos criar o mesmo impacto na vida da pessoa que um ataque cardíaco ou alguma outra doença séria criaria. Por que esperar até você ter 60, 70 anos de idade, ficar doente e só então entender o que importa de verdade na vida? Nós queremos fazer isso com as pessoas muito antes, para que elas despertem essa consciência e possam viver sua vida da forma que realmente escolherem. É um choque, mas o melhor choque que elas poderiam imaginar.

As pessoas vem passar 30 dias aqui com a gente, nos quais nos aprofundamos no nosso método através de vários workshops, atividades e muitas experiências que fazem as pessoas saírem completamente de suas zonas de conforto e descobrir um monte de coisas novas sobre elas mesmas. É muito bonito observar esse processo.

A gente ensina para essas pessoas técnicas que vão ajudá-las a se desafiar em diversas situações e mostrar para elas quem elas são. As pessoas acabam descobrindo vários potenciais que estavam escondidos dentro delas mesmas. O programa empodera as pessoas de uma forma que nem elas acreditavam que seria possível. Eles descobrem todo esse poder, todas essas ferramentas que eles tinham dentro deles, mas que nunca tinham usado até hoje.

É um mergulho interno profundo onde as pessoas tem a chance de analisar suas vidas, entender porque estão onde estão hoje. É um passo muito importante, porque muitas vezes fazermos um monte de coisas na nossa vida sem nem entender o porque estamos fazendo isso. Então nesse processo ajudamos as pessoas a visualizar isso e enfim poder escolher se aquilo faz sentido ou se querem mudar suas vidas.

Chacoalhamos todo o sistema que eles estão acostumados e oferecemos várias ferramentas para eles possam fazer transformações verdadeiras. Isso é só uma parte do que eu posso dizer, já que o elemento da surpresa é uma parte importante desse programa. Esse é o Heart Attack.  

H – Quando lemos avaliações das pessoas que passaram pelo Rosemary, muitas vezes surgem palavras como “especial”, “mágico”, “único”, “transformador” como descrição. Por que as pessoas que conhecem o Rosemary tem essa sensação?

YC – Acho que quando as pessoas chegam aqui, elas não estão esperando o que vai acontecer. É algo muito único. Algumas pessoas acham que estão chegando num hotel, pousada, um hostel bacana, mas eles chegam aqui e percebem que existe um modo de viver diferente. Eles percebem que as pessoas tratam uns aos outros de forma diferente. Comem de uma forma diferente. Fazem atividades diferentes. Então as pessoas ficam com essa pergunta: “que lugar é esse?”. Isso faz a experiência especial. Sem falar na energia mágica que o lugar tem, toda a natureza…eu sinto que esse lugar tem uma energia própria que é muito especial. A gente só amplifica isso.

Isso tudo começou com a Dona Rose, que infelizmente faleceu em janeiro de 2018. Mas o sonho dela continua vivo. E nos sentimos muito honrados e privilegiados de estarmos dando continuidade a ele.

H – Qual impacto vocês querem criar na vida das pessoas que vem aqui?

YC – A gente quer que as pessoas voltem para casa se sentindo mais vivas. Mais gratas por suas vidas, por estarem vivos aqui no planeta Terra. Mais colaborativas. Mais saudáveis. Mais autênticas. Mais empoderadas para fazer e criar o que quiserem. E eles podem fazer isso implementando em suas vidas algumas das coisas pequenas que eles aprenderam aqui através do exemplo.

A gente acredita que a nossa maior contribuição não é através de um ensino formal – é através das vivências, da experiência. Só de nos visitar, ou de se hospedar aqui por alguns dias, já é possível se inspirar e levar mudanças para sua vida. A única coisa que acontece é a abertura de um novo portal na mente das pessoas que abre caminho para uma nova forma de viver na sociedade. Quando esse portal se abre, não dá mais para fechá-lo. Estamos todos vivendo juntos e influenciando uns aos outros no planeta Terra, então cada pessoa que melhora, melhora o mundo também de alguma forma. Estamos conectados.

Para saber mais, acompanhe o Rosemary Dream nas redes sociais – Facebook e Instagram.

E para saber mais sobre o programa Heart Attack – que tem ainda tem vagas para a turma de abril de 2018 – clique aqui.

Fotos: Krunal Padhiar ; Pedro Cruz 

Foto de Capa: Nalu Fotografia.


Redação Hypeness

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