Matéria Especial Hypeness

Designer cria relógios com materiais descartados encontrados nas ruas do Rio de Janeiro

por: Paulo Moura

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Ingredientes principais: madeiras de demolição e câmaras de pneu. Para o retoque final: pinceladas de tintas orgânicas. Conte 90 minutos. Eis o tempo necessário para que o designer carioca João Victor Azevedo, com o apoio de potentes impressoras 3D, faça a sua receita de moda sustentável na Maré Relógios.

João trabalha em uma pequena oficina de não mais do que 35 metros quadrados na incubadora do Instituto Gênesis da PUC, onde também é professor de artes e design. Produz atualmente cerca de 40 peças únicas por mês, que são vendidas sob encomenda através do seu e-commerce e também em alguns pontos no Rio, São Paulo, Fernando de Noronha e Inhotim. “Customizamos cada relógio de acordo com a preferência do cliente. Cada peça tem uma numeração de série”.

O estalo para investir no desenvolvimento de relógios sustentáveis veio na época dos preparativos da Olimpíada, época em que se viam caçambas atulhadas de restos de obras em todo canto da cidade. Formado em design industrial e com um estágio em uma fábrica de mobiliário, João fez seu primeiro protótipo com madeira, porém ainda usando couro e resina. Acionou uma rede de contatos ligados ao trabalho com reaproveitamento de materiais, como a Mancha – sobre a qual já falamos aqui – e chegou a um modelo ideal, com os mostradores feitos com tinta orgânica em papel kraft, e as pulseiras com câmaras de pneu ou tecidos de lona reciclada.

Recentemente, a empresa passou também a produzir relógios com sobras de jeans e latas de alumínio. “Conversando com amigos, identificamos que esses materiais tem um descarte muito grande, tanto por parte da indústria, quanto dos consumidores”.

Segundo João, cerca de 80% da indústria de relógios está na China. Considerando que para tornar viável uma importação faz-se necessário ter uma quantidade mínima de mil unidades, pense a pegada de carbono envolvida no transporte de alumínio, latão e solventes de um lado para outro do mundo!

Mas será que as pessoas já encaram a sustentabilidade como um diferencial na hora de escolher entre consumir um produto ou outro? “Sim, estamos caminhando a passos largos nesse sentido. Imagine que tivemos clientes que não usavam mais relógios e resolveram voltar a usar só por conta da nossa proposta de reduzir ao máximo possível o impacto ambiental”.


Paulo Moura

Jornalista paulistano que adotou o Rio de Janeiro como casa. Possui mais de 15 anos de experiência em comunicação corporativa e é sócio-diretor da Agência VIRTA. Apreciador de cerveja, comida ogra, mar e tudo aquilo que combina ou remete a ele.

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