Entrevista Hypeness

Liniker: ‘É difícil perceber que precisamos sair de casa para sermos respeitadas’

por: Rafael Nardini

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A sensação de estar no principal festival de tecnologia e desenvolvimento do planeta não é nova para Liniker. A artista este em Austin no ano passado e volta agora com quatro datas diferentes de apresentações, na capital do Texas. Em uma delas, na churrascaria Fogo de Chão, na ação Be Brasil, da Apex, conversamos com a cantora e compositora.

Já na expectativa do lançamento de um novo single, a canção Lava, que quebra o hiato desde o lançamento do álbum Remonta, Liniker falou sobre influências – o futuro novo álbum deve apresentar uma guinada para os Caramelows -, sobre viagens, SXSW e também sobre existir e resistir em momentos tão difíceis como os atuais.

“O Brasil que eu sou e que eu resisto lá. Fora do Brasil, eu também sinto as coisas que sinto lá. Sou uma artista, uma cantora, que leva a própria verdade. Que busco, por meio disso, buscar o respeito não só para mim, mas para outras pessoas”, conta ela.

O melhor da nossa conversa você acompanha a seguir.

Segundo ano aqui em Austin. Você consegue aproveitar? Chegar em uma nova cidade, entender o que ela oferece, aproveitar. Dá para aproveitar o SXSW na música?

Liniker: Ano passado chegamos com muito mais tempo. Então deu para sentir o fluxo da cidade, dar tempo em fila para ver os shows que a gente queria. Este ano a gente chegou segunda (12), dormimos e o dia seguinte já começou full time na correria. Mas é muito gostoso. A gente acaba aproveitando mais esses encontros que vão rolando espontâneos e sem planejar.

Aqui se discute tecnologia, inovações e um ambiente de discussão de futuro. Como é estar em um ambiente desses no momento em que o Brasil parece que olha para o passado?

Todo mundo tem muita vontade de ver algo novo, que se modifique, de ver algo que beneficie uma coisa mais global. Fico feliz vir pela segunda vez, de saber que são poucas bandas brasileiras que estão aqui.

Parece que tem um novo single para sair…

Sim!

Queria saber se dá falar de influências. A banda tem mudado com o tempo e queria entender o que vocês estão ouvindo. 

Esse som é de uma música nova chamada Lava e já faz parte do processo do nosso segundo disco. E é muito doido que o meu processo como compositora e cantora mudou com as coisas que eu vivenciei, com os lugares que fui, pelas pessoas conheci. E da banda também, de nós como um coletivo, se transformar junto e essa música nova vai mais para um lugar de dub, com muita pegada de reggae, um afrojazz brasil. Tem soul, claro, que temos muito na nossa veia. Mas não tanto quanto no Remonta, que é um disco mais classudo, um disco mais chique, eu diria… Com um arranjo mais certinho. Lava tem uma coisa mais “sugeirona” assim, mais jogado. É um jogado fazendo direito, mas jogado.

Ainda dentro dessas influências. Mudou o que você está ouvindo? Pegar uma banda que tem uma veia do soul quase americano para ir para o dub, mudou muito o que você tem ouvido?

Tenho ouvido muita coisa que não ouvia antes. Muita coisa instrumental e estou amando. Uma banda brasileira que tocou hoje, a Silibrina, que não tinha escutado. Quero chegar e baixar álbum. Tem uma banda que chama Menahan Street Band, americana, de Nova York. Relançaram um disco do Wu-Tang Clan, que gosto muito. E muita coisa de jazz.

Em uma recente entrevista, você disse que era hora de usar a arte como forma de resistir. Você que é uma artista brasileira com projeção internacional, é importante levar qual mensagem? Que Brasil você quer trazer para fora do nosso país?

O Brasil que eu sou e que eu resisto lá. Fora do Brasil, eu também sinto as coisas que sinto lá. Sou uma artista, uma cantora, que leva a própria verdade. Que busco, por meio disso, buscar o respeito não só para mim, mas para outras pessoas. E, às vezes, é muito dolorido quando chego no South by Southwest e sou conhecida pelas pessoas, sou respeitada, e o quão difícil é a gente perceber que precisamos sair de casa para sermos respeitadas. Isso é muito triste, às vezes. Mas, entendo que, enquanto artista, poder proporcionar esse olhar de fora para a gente é muito importante.  E saber que tem outras pessoas fazendo. Quando vejo a Linn da Quebrada ganhado Berlinale, ganhado o Festival de Berlim, com um filme que ela escreveu, que ela dirigiu com outras pessoas. Saber que nós estamos nos movimentando, que estamos falando pela gente e também por todas as outras.

Entre a invenção da roda e o lançamento da primeira nave espacial, uma coisa continua a mesma: a vontade humana de se recriar e ser impulsionada adiante.

Assim é o SXSW 2018. E esse é o DNA Hypeness.

O futuro é mais rápido, desafiador e inspirador do que se poderia imaginar. E é por isso que nossa passagem por Austin, para ver o SXSW de pertinho, tem um só objetivo: trazer para você hoje o que pode mudar o mundo amanhã.

Bora descobrir qual será a próxima grande ideia?

Nossa cobertura é um oferecimento Tinder.

Yuri Andreoli e Lucas Lopes


Rafael Nardini

Editor e repórter com dez anos de pé no barro no jornalismo digital. É torcedor de arquibancada, fake de músico, comprador de vinis esquisitos e curioso na cozinha.

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