Seleção Hypeness

8 discos brasileiros que têm tudo a ver com Miranda, um dos nossos melhores produtores

por: Redação Hypeness

Publicidade Anuncie

Por trás de todo grande disco invariavelmente há um grande produtor. Seja pela ofício fundamental de transformar em som aquilo que a banda ou o artista sonha, seja por de fato meter a mão na massa, tocar, compor, conceber concretamente o disco com a banda, o fato é que o trabalho de um produtor é determinante para a alquimia que transforma uma coleção de canções naquele som e registro específico que nem mesmo o artista sabia que sonhava – e poucos fizeram tanto e com tanto êxito pelo rock brasileiro como Carlos Eduardo Miranda, falecido recentemente, aos 56 anos

Nascido em Porto Alegre, Miranda dedicou boa parte da sua vida aos discos e às bandas. Transitando com naturalidade entre o mainstream e o underground, foi responsável pela produção de dezenas de grandes discos brasileiros e pela descoberta de outros tantos artistas e bandas – Miranda não só foi um grande produtor musical como era também especialmente querido e admirado por todos.

Foi ele quem capitaneou, na metade dos anos 90, o selo Banguela Records (ao lado dos integrantes do Titãs), responsável pelo lançamento da carreira e dos primeiros trabalhos de artistas como Raimundos, Mundo Livre S/A, Little Quail & The Mad Birds, Graforréia Xilarmônica e mais.

Miranda à época do Banguela

O Banguela Records foi o mais ousado gesto de afirmação e oxigenação do rock alternativo em todo o Brasil na época e até hoje. Se o rock brasileiro sobreviveu aos anos 1990, ao surgimento do digital, à internet e tantas outras turbulências, um dos principais nomes a se agradecer é o de Miranda.

Com alguns dos discos que produziu para o selo

Em homenagem ao seu trabalho e ao seu bom espírito, separamos aqui alguns dos grandes discos que produziu e outro punhado de artistas que descobriu, como uma maneira de lembrar sua vida.

1. Raimundos – Raimundos (1994)

O primeiro disco dos Raimundos foi também o disco mais bem-sucedido lançado pelo selo Banguela, de Miranda e dos Titãs, e possivelmente o mais importante produzido por Miranda. Raimundos não só fundou a carreira de uma das mais importantes bandas brasileiras dos anos 1990 (e é o melhor e mais interessante disco dos Raimundos, em sua mistura crua de hardcore com pop e ritmos nordestinos) como seu sucesso ajudou a abrir caminho para todas as bandas de rock dessa geração, como uma renovação no fôlego do estilo pelo Brasil na metade dos anos 1990. O disco vendeu mais de 400 mil cópias, tornando-se um dos pontos comerciais e de crítica mais altos da carreira de Miranda como produtor e olheiro.  

2. Samba Esquema Noise – Mundo Livre S/A (1994)

Misturando samba, punk, rock e pop com ritmos pernambucanos, o primeiro disco da banda Mundo Livre S/A foi provavelmente o mais ambicioso trabalho estético e de produção do selo Banguela. Além de anunciar a chegada de uma das mais interessantes bandas da época, Samba Esquema Noise ajudou a solidificar o sucesso do selo e a confirmar a chegada do movimento MangueBeat, ao lado de Chico Science, como o mais importante acontecimento musical dos anos 1990 no Brasil.

3. Maskavo Roots – Maskavo Roots (1995)

Produzido por Miranda e Nando Reis, o primeiro disco da banda de Brasília Maskavo (então chamada Maskavo Roots) misturava rock, reggae e ska em canções pop (a faixa “Tempestade” foi incluída no repertório de shows do Skank) e confirmou a renovação de ritmos e misturas que marcava boa parte dos trabalhos do Banguela, e a capacidade criativa de Miranda em tornar tais misturas em um som interessante e palatável.

4. Coisa de Louco II – Graforréia Xilarmônica (1995)

Uma das mais loucas bandas do rock brasileiro, os gaúchos do Graforréia Xilarmônica lançaram um disco imenso e realmente interessante em sua estréia, com arranjos criativos sobre as peculiares canções de amor que marcam o trabalho. Ciente de não se tratar de um disco com forte potencial radiofônico, Miranda apostou na importância da qualidade e da criatividade da banda, e lançou um dos melhores discos do Banguela. Hoje o disco é uma raridade, onde o clássico do rock gaúcho “Amigo Punk” foi lançado pela primeira vez.

5. Virgulóides? – Virgulóides (1997)

Ainda que se trate de uma banda de um só sucesso, quem ouvia rádio ou assistia a MTV em 1997 sabe o quanto a faixa “Bagulho no Bumba” era onipresente, e o tamanho do estouro que os Virgulóides provocaram com esse disco. Tendo vendido mais de 200 mil cópias, o disco saiu pelo selo Excelente Discos, feito por Miranda após o fim do Banguela.

6. Acústico MTV – O Rappa (2005)

Coroando o sucesso que a banda carioca O Rappa vinha conquistando desde os anos 1990 (quando estouraram com uma bela ajuda de Miranda), em 2005 a banda reuniu seus maiores sucessos em versões acústicas para a grife da MTV. Em post, a banda afirmou ser o Acústico um dos discos de quem mais têm orgulho, e disse ser Miranda uma das coisas “mais legais que já aconteceram na música contemporânea”.

7. C_mpl_te – Móveis Coloniais de Acaju (2009)

Lançado em 2009 pelo Trama, o segundo disco dos brasilienses do Móveis Coloniais de Acajú confirmou a banda como uma das mais interessantes e bem sucedidas da leva de bandas alternativas surgidas nos anos 2000 – e a própria incessante curiosidade de Miranda rompendo os anos 1990 e se renovando na década seguinte. O segundo disco dos Móveis trazia também a mistura de ska e rock com o humor que lhe é peculiar, mas de forma mais enxuta e direta, como que em um trabalho mais maduro. Miranda também produziria o disco seguinte da banda, De Lá Até Aqui, de 2013.

8. Treme – Gaby Amarantos (2012)

O disco de estréia da cantora paraense Gaby Amarantos foi em verdade dirigido por Miranda, e produzido por Luis Félix Robatto. Miranda manteve forte relação com a cena musical paraense ao longo dos últimos anos, e Treme não só anunciou a chegada para o grande público de uma das mais interessantes cantoras brasileiras, como trouxe ao mainstream a música do Pará. O disco também confirma o ecletismo de Miranda, indo muito além e com fluência e qualidade do rock.

Além de produtor, Miranda era também jornalista e “olheiro”, descobrindo ou apontando para o trabalho de artistas que se tornaram imensas referências no cenário da música pop e do rock no Brasil – alguns deles lançados diretamente por selos ou plataformas concebidas e/ou dirigidas por Miranda, como o já citado Banguela, Excelente Discos ou o Trama Virtual.

Muitos dos artistas citados com discos na lista acima foram também descobertos por Miranda, e nomes como Skank, Cansei de Ser Sexy, Cordel do Fogo Encantado, Edu K, Planet Hemp e Sepultura fizeram questão de vir a público sublinhar o quanto suas carreiras não seriam as mesmas não fosse pelo empurrãozinho incessante e o incansável trabalho de Miranda.

Por trás da franca e doce inclemência e seriedade que marcou seu trabalho como produtor e jurado de programas como Ídolos e Astros – pelo qual se tornou mais célebre e conhecido do grande público nos últimos anos – e da personalidade combativa e ousada, havia um coração generoso e um amigo dedicado – e um grande contador das melhores histórias de bastidor do rock e da música brasileira.

Miranda na bancada do programa Ídolos

Miranda ajudou a todos que pôde, colecionou amigos, trabalhos e histórias, e pertence, ao lado de nomes como Liminha, Pena Schmidt, Mazzolla e Tom Capone, ao imortal panteão dos grandes produtores do rock e do pop brasileiros.

© fotos: divulgação


Redação Hypeness

Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Tudo que você precisa saber sobre a projeção na parede do Riviera