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‘Vivemos na melhor cidade…’: Fomos ver a exposição multimídia ‘São Paulo, a Capital Tropicalista’

por: Gabriela Rassy

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Enquanto muitas pessoas ainda seguem na sala de jantar preocupadas em nascer e morrer, o Movimento Tropicalista bate na porta dos 50 anos de surgimento. Com músicas, sorrisos e lutas na bagagem, os acontecimentos que começaram naquele número 43 da Avenida São João ainda ecoam pela cidade e repercutem as experiências de um grupo que já provou por A + B que sim, seriam os grandes expoentes da música nacional.

Em meio à um momento político conturbado, em caras de presidentes, em grandes beijos de amor, São Paulo – a Capital Tropicalista chega para nos levar por um túnel do tempo não tão distante aos debates que ressurgem. O Centro Cultural São Paulo abre as portas e tapa as luzes da sala Tarsila do Amaral para receber uma experiência sensorial que nos leva de volta a férteis e reprimidos tempos nos idos de 1968.

Experiência sim, pois exposição não exprime o que acontece naqueles 617 metros quadrados totalmente vedados da luz exterior. Um livreto na entrada conta sobre o espaço, além de trazer entrevistas com Tom Zé e Augusto de Campos, ambas feitas em 1986 pelo músico e pesquisador Cid Campos. Eles eram também expoentes da época, junto a Caetano, Gil, Rita Lee e os Mutantes, Gal Costa, Torquato Neto, entre tantos outros que viveram na “melhor cidade da América do Sul” ou naquela de “oito milhões de habitantes, Aglomerada solidão”. Este último, poeta e jornalista que ganha os holofotes merecidos recentemente com o filme Torquato Neto — Todas as horas do fim, de Eduardo Ades e Marcus Fernando.

"São Paulo, A Capital Tropicalista" é uma experiência sensorial sobre o movimento

“São Paulo, A Capital Tropicalista” é uma experiência sensorial sobre o movimento

Adentrando a sala, começam as projeções mapeadas do VJ Spetto, na curadoria de Isa Pessoa. O video mapping nos conduz por entre fotos e nomes, os olhos cheios de cores e músicas selecionadas para aqueles 12 minutos. Sobre a cabeça os aviões, sob os pés, os caminhões. Paredes e chão recebem 13 grandes telas que exibem os diferentes cenários da época, embalados pelas canções. Num deles, textos e frases relembram bons e duros tempos do movimento.

A imersão tem curadoria de Isa Pessoa e audiovisual criado por VJ Spetto

A imersão tem curadoria de Isa Pessoa e audiovisual criado por VJ Spetto

Tudo começa com a alegria efervescente da chegada dos baianos à capital e o encontro com os artistas que por aqui já cavavam seu espaço munidos de guitarras e palmas nos festivais. Até que o sol se reparte em crimes. Espaçonaves, guerrilhas. Ditadura, prisões e exílio também aparecem por ali. Não tem mais construção; Ê, João!

Dentro da sala, a vivência é sensorial. Passear por entre as imagens e reviver um pouco da época em poucos minutos. Fora dela, nos dias 14 e 15 de abril, às 15h, é momento de ouvir. Duas rodas de escuta trazem mais referência sobre o período. Depoimentos de Gil e Torquato, além de leituras feitas pelo próprio Cid de trechos escritos por Caetano, Tom Zé e Augusto de Campos chegam para falar sobre as influências que o movimento recebeu, além do momento político vivido e das carreiras solo de cada um.

São Paulo, A Capital Tropicalista e toda sua imersão neste mundo nada distante fica em cartaz de 6 de abril a 6 de maio, gratuitamente, em projeções contínuas. Numa mistura de cinema da nostalgia com nave espacial, é um recorte que vem em tempo de reflexão. Das caminhadas contra o vento, sem lenço nem documento, ainda hoje se faz necessário lembrar que só a arte salva. Não sei você, mas eu quero seguir vivendo, amor.

Fotos: Gabriela Rassy


Gabriela Rassy

Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.

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