Matéria Especial Hypeness

A arte como questionamento: maquiagem, serigrafia, cyberpunk, geometria e natureza

por: Vitor Paiva

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Para a artista plástica Vick Garaventa, a arte é, antes de tudo, uma forma de questionamento. Brasileira de São Paulo e radicada em Los Angeles, a inquietação e a curiosidade são seus principais veículos. E, dessa maneira, tudo pode lhe inspirar seu trabalho: uma música, um lugar, um sentimento, uma história, uma imagem. Atuando em áreas diversas – como a pintura, a fotografia, o vídeo e a maquiagem – ter a inquietação como motor parece de fato algo natural.

Hugo Frasa, por sua vez, acrescenta a esse cálculo o erro como uma potencial forma de expressão – e por isso o artista acabou gravitando na direção da pintura que, para ele, possibilita o risco em diversos formatos. Hugo também se multiplica em outras áreas, como a música, o vídeo e a moda – ele já criou e editou diversos vídeos e realizou trilhas para marcas do mundo fashion.

© Foto: Marcelo Barbosa

O que reúne os dois artistas, além de ambos terem se formado na FAAP, de terem exposto em diversas galerias de São Paulo e de serem expoentes de uma nova arte brasileira que vem ganhando não só o país como o mundo, é a criatividade e a originalidade de seus trabalhos. Das mãos deles e de outros artistas, nasceu peça multimídia intitulada RIAEKIN270.

A natureza da peça vai ao encontro dos mil interesses e campos de atuação dos dois artistas: trata-se, afinal, de um vídeo e uma instalação, divulgados através de um perfil especial no Instagram, para o lançamento de um novo produto da Nike. Arte, moda, vídeo e marketing se reúnem, ampliando e amplificando ainda mais o trabalho desses dois artistas.

Para Vick, o corpo é a grande base de inspiração e criação – em especial as possibilidades de reconfiguração e manipulação desse corpo, transitando sempre entre o natural e o artificial. Não por acaso, a maquiagem acabou se tornando um meio importante de seu trabalho. “A razão pela qual eu fui estudar maquiagem de efeitos especiais veio da arte também, uma vontade de explorar técnicas escultóricas de um realismo bizarro, ao ver trabalhos de artistas como Matthew Barney e Patricia Piccinini”, ela diz.

Já Hugo, de modo geral, transforma suas sentimentalidades em figuras geométricas, no que ficou conhecido como “geometria sensível”, como uma maneira de aplicar emoção e narrativa à suposta abstração das figuras que costuma pintar. Junta-se a isso o gesto de costumeiramente finalizar suas obras em serigrafia à mão, corroborando assim o aspecto emocional e único de cada obra.

Assim como Vick entende que, ao fim, é a existência humana que conecta o artificial e o natural e os diversos aspectos de seu trabalho, as emoções e sentimentalidades parecem ser o grande motivo que torna não só possível, como coerente e potente a reunião de Vick com o trabalho de Hugo – duas frentes em princípio tão diferentes, mas que podem se misturar através desses olhares singulares a fim de criarem juntos uma obra terceira, feita não somente em quatro mãos – mas sim em dez.

Para chegarem ao RIAEKIN270, Vick e Hugo se juntaram ao DJ Jose Hesse, ao fotógrafo Richard Hodara e à pesquisadora e futuróloga Lydia Caldana para que, juntos, misturassem suas inquietações, anseios, interesses e talentos em um produto artístico final. “Foi maravilhoso trabalhar com o Hugo, Lydia, Richard e Zé. Cada um acrescentou algo novo de um universo totalmente diferente, fazendo o processo super rico e completo. E no fim das contas as nossas áreas de atuação se misturaram, deu pra entrar no mundo do outro e essa troca foi muito construtiva”, afirmou Vick.

A experiência prévia de Hugo com moda acabou por ser determinante, direta e indiretamente, em sua participação, da mesma forma que o trabalho ligado à maquiagem de Lygia pode ajudar a formar de fato a criatura que nasceu desse coletivo. Pois o vídeo em que o trabalho coletivo resultou inspirou-se em algumas diretrizes oferecidas pela Nike, assim como em características do próprio modelo Air Max 270 (que encaixaram-se com curiosa precisão nas premissas criativas de ambos os artistas) para darem vida a um personagem que batiza o projeto.

“As ideias que pautaram a concepção foram os conceitos de mutação, hibridismo e tecnologia”, afirma Vick, que pôde trazer sua experiência com maquiagem, e sua visão da relação entre o natural e o artificial para um futuro distópico, entre o cyberpunk e a natureza, que serviu como cenário – o filme foi precisamente rodado em uma antiga fábrica abandonada, reunindo tecnologia em aço e ferro mas que, pela ação do tempo, acabou coberta por sinais de natureza, como musgo, água e plantas, em uma híbrida e perfeita combinação para os conceitos.

Da mesma forma, a extração de emoções, narrativas e poesia de algo em princípio frio e inanimado como um tênis – da mesma forma que faz com figuras geométricas – tornou-se elemento determinante para o projeto, em consonância precisa com o trabalho de Hugo, que transforma a geometria em força simbólica, discursiva, migrando do racional esperado para sentimentos indefiníveis, profundos e até metafísicos.

Se a arte é o espaço primordial para a expressão dos questionamentos, das inquietações e até mesmo dos erros, a mistura entre trabalhos tão diversos há de necessariamente provocar um resultado intrigante, interessante e único. O resultado da união de Hugo e Vick com os outros artistas do coletivo, intitulado Pionairs, foi apresentado em uma instalação e uma conta no Instagram – e você pode saber mais por aqui.

O Air Max, o tênis queridinho da Nike – e de muitos de nós -, completa 31 anos em 2018.

Para fazer valer as três décadas de inovação, a Nike decidiu convidar os Pionairs da arte brasileira para criar. São dois coletivos, muitas mudanças, tecnologia, arte, música e design.

Como inspiração para as criações, o Air Max 270, que nasceu da junção de dois modelos Air Max 90 e 180. O resultado disso tudo você confere aqui no Hypeness, outro Pioneiro com os pés fincados no futuro.

© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.


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