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Bananada chega aos 20 anos mostrando que Goiânia é, sim, a casa do rock

por: Gabriela Rassy

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Um festival de 7 dias dedicado ao rock acontece há nada menos que 20 anos em Goiânia. Não tem outra forma de começar a falar do Festival Bananada sem voltar a atenção para este detalhe. Não é no eixo Rio-São Paulo e não é de sertanejo. Rock mesmo, novo, refrescante e transgressor.

Para acompanhar a leitura e sacar a profundidade da história toda, vale dar o play:

Para os amantes da cena independente e da música toda misturada em estilos – desculpem, alternativo é uma palavra que não suporto -, é até estranho pensar que muita gente ainda não conhece o Bananada.

Celebrando 20 anos neste 2018, o festival faz com que Goiânia viva o peso do rock em suas mais variadas formas por uma semana inteira de programação. Sim, saindo do estereótipo da viola caipira ou do sertanejo universitário, o festival leva algumas das bandas mais interessantes do cenário nacional, além de aperitivos gringos de qualidade, para um público que sai de todos os cantos do país para ir até o cerrado.

Como bem disse o mestre de cerimônia e apresentador nos últimos anos dos principais shows do Bananada, “o festival não é de resistência, é de existência”. Ao produtor musical Miranda, que nos deixou no início do ano, não faltaram homenagens emocionadas. Muitos dos palcos não tiveram apresentação, num vazio que simbolizou sua falta entre os companheiros de tantos anos de história da música. Os outros tiveram Roberta Martinelli à frente, que também lembrou do amigo na sexta, primeiro dia os grandes shows. “Os festivais se espalharam pelo mundo e por todos os cantos da país. Essa dispersão trouxe diversidade na programação musical”, relata o produtor e músico Fabrício Nobre, coordenador do festival.

Entre apresentações de gigantes como Nação Zumbi, Emicida e BaianaSystem, estouros como Francisco El Hombre e ÀTTØØXXÁ. Fora do rock, mas um dos shows mais marcantes e esperados, o Refavela 40 arrepiou geral com Gilberto Gil no palco, acompanhando de Anelis Assumpção, Moreno Veloso, Mestrinho, Bem Gil e um palco forrado de músicos de primeira. Não teve quem segurasse a emoção ao ver tanta gente boa ao redor de Gil, que dançou e cantou lindamente o trabalho que comemora 40 anos.

Gilberto Gil emocionou o público cantando algumas das músicas de Refavela, que completa 40 anos

Gilberto Gil emocionou o público cantando algumas das músicas de Refavela, que completa 40 anos

Sempre foi um festival de rock, sim. Mas as palavras do ano são atitude, diversidade e resistência. Colocar em meio à programação Pabllo Vittar acompanhada da cantora angolana TiticaAretuza Lovi é de uma ousadia das mais roqueiras. Em meio à performance a lembrança da luta: Pabllo se emocionou ao lembrar de Matheusa, estilista morto na última semana no Rio de Janeiro. À Marielle Franco também não faltaram homenagens. Aliás, mulheres negras de vozes e apresentações potentes rechearam a programação. Rimas & Melodias, com Tássia Reis, Drik Barbosa, Tatiana Bispo, Karol de Souza, Stefanie, Alt Niss e Mayra Maldjian, seguidas da baiana Larissa Luz, são um tapa na cara do machismo e do racismo. As Bahias e a Cozinha Mineira fizeram o palco menor parecer o maior do mundo com seu novo trabalho, “Bixa”, em uma apresentação de arrepiar.

Além do Rimas, outros nomes rap tiveram seu lugar no festival. Emicida subiu ao palco acompanhado de Drik Barbosa e Coruja BC1, Rincon Sapiência elevou seu grito de resistência com pitadas de rock nigeriano e funk carioca, e o repper transgênero Triz mostrou a luta no estilo pr’além da cor. KL Jay, dos Racionais, não deixou por menos e ferveu a pista do Passeio das Águas com seu set sempre explosivo.

Emicida sobe ao palco acompanhado de DJ e participações especiais

Emicida sobe ao palco acompanhado de DJ e participações especiais

De Goiânia, o Boogarins fez uma das melhores apresentações do festival. Os meninos lançados aos quatro ventos por Carlos Miranda, fizeram também sua homenagem. Antes do show, um vídeo mostrava o produtor falando sobre a atitude do rock e sobre o Bananada. Outras bandas locais mandaram ver e rechearam a programação. A sensualíssima Carne Doce elevou o indie rock em um dos palcos principais e Bruna Mendez lançou seu álbum de estreia, “O Mesmo Mar Que Nega a Terra Cede à Sua Calma”. Nos palcos menores, os goianos estavam bem representados por Aveeva, Niela, Lutre, Branda, Brvnks, Frieza, Violins e Hellbenders – tudo coordenado mais uma vez pelo Mancha, da Casa do Mancha, de São Paulo.

Dentro das mais agradáveis surpresas, o Meridian Brothers, diretamente Colômbia, já garantiu dores nas pernas do público. Quem não teve a chance, certamente gastou as energias no show do ÀTTØØXXÁ, mais uma de Salvador para o line up. Assim como o BaianaSystem, que eu já andei falando por aqui, é uma banda para ver ao vivo. A experiência e o contato não se comparam nem de perto às gravações. O sucesso do Carnaval “Elas Gostam” é só a ponta. Vale ir a fundo!

7 dias de experiência musical

A programação começou logo na segunda feira, muito antes dos grandes shows do final de semana. O Bananada ocupou os teatros da cidade num clima mais tranquilo, aberto ao público de todas as idades. O primeiro da lista foi o norte-americano Lee Ranaldo, consagrado como guitarrista do grupo americano Sonic Youth, que fez duas apresentações no Centro Cultural UFG. As casas noturnas da cidade foram palco dos showcases. Dentro deles, a Mostra Sêla, totalmente dedicada ao trabalho de mulheres, foi bem representada pela criadora do projeto, Camila Garófalo, além de Marina Melo e Natália Carreira.

Falando em mulherada poderosa, o festival teve ainda workshops do projeto Equi_Par, que promoveu inserção de mulheres nas áreas técnicas da produção de eventos e shows – áreas majoritariamente ocupadas por homens. No show de Larissa Luz esse foi um comentário (e agradecimento) que chamou atenção. A cantora fez questão de elogiar o staff do evento, cheio de mulheres em todas as funções.

Na entrada do Passeio da Águas, a caminho das arenas de show, foi montado um ambiente totalmente dedicado aos pequenos. Em uma parceria com a Escola Interamérica, as educadoras Dê Siqueira e Jú Dafico montaram uma programação completa com oficinas de pintura, teatro, música, além de muitos
brinquedos e brincadeiras.

Sem pausa

Como todo ano, no último dia a próxima edição já foi anunciada e os ingressos colocados à venda. Anote na agenda: de 29 de abril a 5 de maio temos mais um encontro marcado em Goiânia. Eu certamente estarei por lá.

Parece que essa coisa de rock, bb, pega. Goiânia, é só me chamar que eu vou!

Fotos: Rebeca Figueiredo


Gabriela Rassy
Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.

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