Fotografia

Fotos de longa exposição deixam as marcas dos astros no céu

por: Vitor Paiva

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Para se aproximar daquilo que o pintor holandês Vincent Van Gogh era capaz de fazer com um pincel, seu coração e sua genialidade, o fotógrafo russo Daniel Kordan precisou viajar até o deserto do Namibe, na costa da Namíbia, com sua câmera aberta à longa exposição – e enfim conseguir registrar a impactante beleza do “rastro” das estrelas, ou o movimento dos astros ao longo das horas noturnas.

Para cada imagem completa, Kordan não só contou com o límpido céu do deserto africano, como precisou de milhares de fotografias em longa exposição. Depois de tiradas, o fotógrafo realiza um processo de “empilhamento” de imagens, que oferece aos registros fixos a ilustração dos movimentos das estrelas.

“As noites na Namíbia são tão pacíficas e silenciosas. Eu fiquei feliz em desfrutar do brilho das estrelas da via láctea enquanto minha câmera tirava milhares de fotos”, disse Kordan.

O impacto do vibrante colorido dos céus do Namibe é ainda maior em contraste com as cores opacas do próprio deserto, e as fotos são um documento da infinitude e da beleza do cosmos – algo que um artista como Van Gogh em seu Noite Estrelada consegue captar em toda sua poesia, mas que mesmo a objetividade da fotografia parece se banhar também em arte ao registrar.

“Noite estrelada”, de Van Gogh

© fotos: Daniel Kordan


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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