Empreendedorismo

Eles largaram seus trabalhos convencionais e, agora sim, são felizes #2

18 • 02 • 2013 às 19:21
Atualizada em 08 • 04 • 2013 às 14:28
Jaque_Barbosa
Jaque_Barbosa Poeira Estelar.

Estamos de volta com mais uma entrevista feita pelas criadoras do projeto Agora Sim! – Marina Moretzsohn e Lilian Barbosa – cujo foco é contar história de pessoas que largaram suas carreiras consolidadas, mas que já não as motivavam mais, para finalmente perseguir um sonho. A ideia é inspirar cada vez mais pessoas a buscarem seu lado empreendedor e trazer referências de histórias de sucesso. Quem sabe, a sua pode ser a próxima.

Hoje a história inspiradora é a de Guilherme Lima, que abandonou a carreira na área de engenharia para (literalmente) fazer o que realmente amava – pães de queijo.

Se você ainda não experimentou o pão de queijo Seu Ninico, não conhece o verdadeiro sabor do pão de queijo mineiro. Estudante de engenharia metalúrgica, Guilherme Lima viu numa receita familiar a oportunidade de fazer o que realmente gosta. Fomos recebidas por ele com um lanche delicioso e podemos afirmar: esse é o melhor pão de queijo que existe.

Como veio a sua decisão de fazer engenharia metalúrgica?

Na época do vestibular, eu ainda não sabia o que queria. A maioria dos meus amigos tinha escolhido engenharia e acabei decidindo fazer também. Mas eu não pensava em civil. Tenho um tio que é engenheiro metalurgista e ele sempre me falou que era uma área muito boa. Conversamos algumas vezes, me interessei pelo trabalho dele e fui fazer o vestibular de engenharia metalúrgica.

E, você gostava do curso?

Estou formando agora e sempre gostei bastante. Desde o primeiro período, fiz vários estágios na área. Até que, em 2009, eu queria fazer uma viagem pra França e outros lugares da Europa. Meus pais iriam pagar a viagem, mas eu não passei em uma matéria na faculdade e eles desistiram de pagar. Foi aí que o pão de queijo entrou de vez na minha vida… (Risos) Um dia, pensei: “Minha mãe faz um pão de queijo excelente. Posso aprender a fazer, vender e juntar o dinheiro pra viajar…”

Então, é uma receita familiar?

Sim. Desde pequeno, sempre fui alucinado com o pão de queijo que a minha mãe fazia. Ela aprendeu a receita com a minha avó e deu uma adaptada. Comecei a fazer umas contas e vi que dava para juntar uma grana boa vendendo. Aí, ela me ensinou e comecei a fazer. Ia no supermercado, comprava os ingredientes e fazia em casa mesmo. Na mão, com gamela… (Risos) E acabei dando o nome do meu avô “Seu Ninico” pra marca.

Você conseguiu vender bem já no começo?

Comecei vendendo para os amigos e pra minha família, e todo mundo adorou. Nos quatro primeiros meses, já consegui juntar uma grana boa. Depois, resolvi comprar uma máquina própria. Quando fazia à mão, ela ficava cheirando a polvilho e era horrível. (Risos)

Como você conciliava tudo: faculdade, estágio, produção…

Quando voltei, comecei a fazer um estágio na Belgo Bekaert. Trabalhava de manhã, estudava de tarde e fazia pão de queijo à noite. Estava difícil conciliar tudo… Era muita correria. Aí, decidi chamar um amigo meu para ser meu sócio. Ele é sócio da Y Investimentos, que é uma empresa especialista em fazer planos de negócios, criar a alavancar empresas, e ele topou. A gente começou a fazer um planejamento e vimos que era viável, que o mercado precisava de um pão de queijo de qualidade. Fomos motivados pelo desafio de concorrer com os outros que já existiam e acabei descobrindo que gosto muito de empreender.

Nessa época, você se dedicava mais ao pão de queijo do que à engenharia?

Sim… Tive até que pedir demissão do estágio porque eu ficava trabalhando com a cabeça no pão de queijo, que é o que eu realmente gosto. Mas, seis meses depois, passei num processo seletivo e fui chamado pela Arcelor Mittal para trabalhar com eles um tempo em um centro de pesquisa, na Bélgica. Conversei com o meu sócio e com a minha família e pedi para o meu pai tomar conta da minha parte na fábrica enquanto eu estivesse fora. Fui pra Bélgica, mas, quando voltei, decidi não trabalhar na área de metalurgia para focar só no pão de queijo. Quero formar e ter o diploma de engenharia, mas trabalhar com isso não.

Qual foi a reação da sua família nesse momento?

Meu tio, o engenheiro, assustou e falou: “Você vai fazer isso mesmo?” Muitas pessoas achavam que eu estava largando a engenharia para ser vendedor de pão de queijo, e não é isso. Minha ideia é criar uma indústria de alimentos e esse é o primeiro negócio que eu tenho. Sou muito novo e penso que a hora é agora. É até prepotência falar, mas quero ser o fabricante do melhor pão de queijo do mundo.

Qual o grande diferencial do seu produto?

A qualidade. Nosso pão de queijo é feito da maneira tradicional. A gente faz ele escaldado, que é a maneira de deixá-lo mais gostoso. Utilizamos somente matérias-primas de qualidade, principalmente o queijo. E todo mundo elogia.(Risos)

E, como veio a decisão de ter uma fábrica?

Foi muita coincidência. Conhecemos uma mulher que já tinha uma fábrica de pão de queijo pequena em um galpão, mas ela estava cansada de trabalhar com isso e queria vender. Nós fomos conhecer o lugar, achamos legal e era uma oportunidade muito boa. Ficamos três meses nesse lá e, depois, mudamos para um espaço maior.

Você tem algum projeto em vista?

Hoje, a gente vende quase 15 toneladas de pão de queijo por mês. Também começamos a distribuir quiches e tortinhas, e temos a intenção de trabalhar com outros produtos.

O que te deixa mais feliz na profissão?

Tem uma frase, que eu sempre falo com o meu sócio, que resume tudo: “Is not about the money, it’s about the game.” É fazer acontecer. E quando os clientes ligam elogiando é bom demais também. Eu estou muito satisfeito. Tem dia que acordo às 5h da manhã e só volto pra casa às 9h da noite… Mas com prazer.

Se você recebesse, hoje, uma proposta de uma mega empresa de engenharia, pensaria em aceitar?

De jeito nenhum. E se alguém quisesse comprar a minha empresa, eu também não venderia (Risos). Eu acredito que ela tem um potencial muito grande para crescer ainda mais.

Defina seu trabalho com uma palavra.

Vida. Meu trabalho é a minha vida. Eu gosto demais!

Entrevista por Agora Sim!

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