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Pais desinformados, filhos obesos e doentes

Jaque_Barbosa - 04/02/2013 | Atualizada em - 08/04/2013

Hoje um terço das crianças brasileiras sofrem de obesidade – e de 5 crianças obesas, 4 continuarão obesos na idade adulta. A questão, no entanto, parece não incomodar muito e raramente  é levantada pela mídia. Se 33% das crianças brasileiras estivessem com dengue ou com gripe suína, por exemplo, com certeza haveria uma mobilização para solucionar o problema.

Nada é por acaso. Não é interesse da indústria alimentícia e nem do governo que passemos a nos alimentar melhor. Alimentação saudável não interessa porque não enche os bolsos daqueles que dominam o mercado. Conquistar as crianças e fazer delas “escravas” do consumo é uma estratégia super inteligente, porque se a criança se acostuma a ter péssimos hábitos alimentares quando pequena, provavelmente irá carregá-los consigo para a vida toda.

Nessa semana saiu uma notícia na Folha de S. Paulo que fala que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, vetou  o projeto de lei que restringia a publicidade de alimentos não saudáveis dirigida a crianças. Segundo a fonte, “o texto proibia a veiculação de anúncios de alimentos e bebidas pobres em nutrientes e com alto teor de açúcar, gorduras saturadas ou sódio entre as 6h e as 21h no rádio e na televisão.” […] “O projeto também impedia o uso de celebridades ou personagens infantis na venda de alimentos e o uso de brindes promocionais, como os vendidos junto com sanduíches em redes de fast food.” Agora, fica a reflexão sobre os motivos pelos quais o projeto foi vetado e o que isso quer dizer sobre o quanto o governo realmente se importa com a população.

Sabemos que a publicidade não é a culpada, ela apenas divulga um produto já existente no mercado (mesmo que às vezes com estratégias desleais, do tipo, colocar personagens de desenhos ou brinquedos associados à comidas para crianças, que são mais facilmente manipuláveis), mas se o governo não quis aprovar a lei, que pelo menos criasse uma substituta que regulamentasse a produção desses alimentos ou que fornecesse uma educação de qualidade sobre nutrição para pais e filhos, começando nas escolas. Mas, pelo menos até agora, não há sinal de algum projeto do tipo esperando para ser aprovado.

Muita gente diz que a culpa é dos pais – sim, eles obviamente tem uma parcela significativa de culpa. Mas é difícil fazer boas escolhas quando não há muito o que escolher. Ou quando a verdade é escondida a sete chaves da população, já que é interessante cultivar a ignorância das pessoas.

Falamos aqui no Hypeness um tempo atrás do lançamento do excelente documentário Muito Além do Peso nos cinemas (e que agora pode ser visto na íntegra no Youtube, basta apertar o play aqui embaixo) que fala justamente dessa séria questão e levanta dados alarmantes do tipo:

– Em 35g de refresco de fruta em pó, há 28g de açúcar e somente 1% de suco de fruta;

– Um pacote de biscoito recheado tem 30g de gordura e 50g de açúcares, equivalente a 8 pães franceses;

– 56% dos bebês tomam refrigerante frequentemente antes do primeiro ano de vida;

– O brasileiro consome cerca de 51kg de açúcar por ano;

– A criança brasileira passa em média 3 horas na escola e 5 horas em frente a TV.

O também excelente documentário Fat, Sick and Nearly Dead – que também pode ser assistido na íntegra pelo Youtube – traz essa questão dá alimentação pobre de uma forma muito lúcida, e mostra caso de pessoas obesas e doentes que conseguiram recuperar o bom peso e a saúde através de trocas conscientes na comida, eliminando o alto consumo das chamadas calorias vazias:

Nessa entrevista, o Doutor Lair Ribeiro (que já apareceu aqui no Hypeness também) fala sobre os piores e melhores alimentos para a nossa saúde:

Nosso objetivo com esse post não é dar lição de moral, nem ditar o que as pessoas devem comer, ou como devem se comportar. Mas achamos de extrema importância trazer à tona conteúdos verdadeiros e simples, que podem trazer mudanças significativas na vida das pessoas e, nesse caso, acabar com problemas sérios de saúde, como obesidade, pressão alta, colesterol alto, diabetes, entre outros, que em vez de serem tratado com drogas, podem se extinguir somente com uma alimentação mais inteligente.

A escolha diária é nossa. Iremos continuar escravos de um sistema que quer literalmente nos fazer engolir tudo o que eles quiserem guela abaixo, mesmo que isso signifique um estrago monstruoso na nossa saúde? Somos contra a radicalidade, mas defendemos a bandeira da consciência. Se é uma escolha consciente sua só se alimentar de “falsas comidas” , vá em frente. Agora o que não podemos fazer é seguir com os olhos vendados e cegos pela desinformação afinal, só o conhecimento liberta.

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Jaque_Barbosa
Poeira Estelar.


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