Empreendedorismo

Série de fotos conta as histórias dos últimos sobreviventes do Holocausto

por: Jaque_Barbosa

O Holocausto, e toda a morte e devastação que provocou, tem sido tema dos mais variados estudos e projetos – mas ele não se esgota. Nunca é demais lembrar um dos períodos mais horrendos da nossa História, para que essas e outras atrocidades não se repitam. Sabendo disso, o fotógrafo Maciek Nabrdalik criou a série The Irreversible (O Irreversível) com os sobreviventes que ainda restam do Holocausto.

Uma memória como essa nunca se apaga e persegue as pessoas que a viveram durante os sonhos, os pensamentos cotidianos ou em qualquer esfera da vida. O Holocausto provocou mortes em grande escala e foram mais o que ficaram pelo caminho do que os sobreviventes. Desta última categoria, muitos já morreram – é o caso de Gad Beck, o último gay conhecido que sobreviveu – e cada vez menos estão entre nós pra recordar suas experiências.

O fotógrafo polaco Maciek Nabrdalik e a mulher, Agnieszka, sentiram que teriam de ser rápidos para conseguir os testemunhos destas pessoas. Viajaram pelo mundo em busca dos sobreviventes e foram encontrá-los em suas casas, escritórios ou até acampamentos. Com todas as dificuldades, eles criaram o projeto The Irreversible – que em breve vai dar origem a um livro -, com fotografias em preto e branco que se focam apenas no rosto das pessoas: “percebemos que o que importava para nós, mais do que relatos detalhados dos campos, eram as reflexões, sentimentos e a compreensão dos sobreviventes acerca do que aconteceu com eles”.

Apesar do receio das reações de alguns sobreviventes aos retratos, Maciek conta que eles sentiram as imagens como um vislumbre do passado. Em relação ao nome do projeto, The Irreversible, o fotógrafo explica: “é difícil escapar a algo que jaz de forma tão profunda e retorna sem ser convidado em sonhos, medos e associações. Isso, dizem eles, é irreversível”.

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Jakob Rotenbach, sobrevivente dos campos de Auschwitz-Birkenau e Mauthausen-Gusen. “Hoje, eu falarei quando alguém me fizer perguntas, mas eu nunca começarei a conversa porque eu vejo que o mundo não aprendeu nada; nada mudou. As pessoas são cruéis. E se um novo Hitler aparecesse, a mesma coisa iria acontecer de novo”.

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Tadeusz Sobolewicz, sobrevivente dos campos de Auschwitz-Birkenau, Buchenwald, Flossenburg e Regensburg. “Os rapazes estavam fervendo um pedaço de carne. Eu não gostava, mas engoli um pedaço. Eles me disseram mais tarde onde o tinham achado. Era um pedaço de um corpo morto. Eles o cortaram das nádegas”.

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Sabina Nawara, sobrevivente nos campos de concentração de Auschwitz, Ravensbruck e Buchenwald. “Nós trabalhamos com os tanques de peixes. Quando minha amiga se recusou a entrar na água, nosso supervisor empurrou-a para o chão, colocou a pá no pescoço dela, pisou ela, e a estrangulou”.

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Danuta Bogdaniuk, sobrevivente de Auschwitz – Birkenau e Ravensbruck. “Depois que ele besuntou algo por toda minha cabeça, somente a pele nua foi deixada e todo meu cabelo caiu. Comecei chorando porque pensei que não voltaria a crescer. Mas cresceu e meu cabelo tem sido excecionalmente bonito desde aí. E não está tingido. Nunca tingi meu cabelo e tenho 75 anos”.

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Baron Paul Halter, sobrevivente de Auschwitz-Birkenau. “As tropas soviéticas me disseram para andar em direção a Cracóvia. Ao longo do caminho, eu fiquei satisfeito ao máximo quando vi os alemães pendurados nas árvores. Eles estavam balançando quase de todos os ramos. Quer saber por que eu sobrevivi? Fui apoiado pelo pensamento de que iria ver o colapso da Alemanha nazista; de que eu iria vê-la arruinada”.

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Zofia Posmysz, sobrevivente de Auschwitz-Birkenau e Ravensbruck. “Os trens puxavam, as pessoas saíam desconfiadas e apavoradas. Eu vi elas esperando em linha pra entrar no banheiro. Elas esperavam e esperavam, depois entravam, e… desapareciam”.

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Jerzy Ulatowski, sobrevivente de Auschwitz-Birkenau. “Um dia eu reparei em uma planta comestível crescendo perto do quartel. Eu a peguei e comi, e depois descobri que a planta era tão grande e bonita porque nesse mesmo lugar tinham sido espalhadas as cinzas dos judeus queimados”.

todas as imagens @ Maciek Nabrdalik

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