Inovação

A cidade que removeu calçadas e semáforos pra melhorar o trânsito

por: Vicente Carvalho

Parece loucura, um retrocesso, insanidade. Como viver sem semáforos e calçadas? A pergunta na verdade deve ser outra: Por que viver com semáforos e calçadas? Foi essa reflexão que autoridades da cidade de Poynton (Inglaterra) fizeram: segundo eles, quando não se tem semáforos “gritando” um sinal verde para você acelerar ou um sinal vermelho para você parar bruscamente, automaticamente você desprende mais atenção ao seu redor e olha mais para o outro.

A cidade tem 15.000 habitantes, mas a reflexão vale para qualquer lugar: confiança nas pessoas, sejam elas motoristas, ciclistas ou pedestres, para que se respeitem mais, o que resulta em carros andando em menor velocidade e consequentemente pedestres se deparam com menos obstáculos. Além disso, essa organização facilita e muito a vida de deficientes visuais e cadeirantes.

Mas a mudança não foi feita de um dia para o outro. Alguns testes foram feitos antes para entender o comportamento dos motoristas mediante semáforos desligados. Em um dos principais cruzamentos da cidade chamado Fountain Place, inicialmente notaram uma certa insegurança diante da ausência de semáforos ligados, mas ao longo do dia as pessoas começaram a revezar na ordem de ultrapassagem, o trânsito começou a fluir e as pessoas se transformaram em gente de novo.

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A imagem acima ilustra o projeto do redesenho da área do Fountain Place – removeram semáforos, diminuíram o número de pistas de 4 para 2, e o espaço que ficou foi transformado em pavimento. “Ao reduzir a velocidade, a quantidade de espaço que é necessário por veículos diminui”, explica a designer Ben, da Hamilton-Baillie Associates, empresa responsável pelo projeto. No vídeo abaixo, é possível ver e entender mais como carros e pedestres andam de forma harmônica já dentro do projeto novo:

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Pedestres assumem a prioridade em cruzamentos.

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Todo mundo sabe o que fazer, graças às diferentes texturas e cores das ruas.

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As instalações para os ciclistas ainda são limitadas, mas será ajustado.

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As texturas delimitam o que é rua e o que é parte das empresas.

Esse movimento de olhar para o passado para encontrar soluções para o futuro é algo extremamente contemporâneo, e nos ajuda a entender alguns valores e hábitos que perdemos ao longo do crescimento desenfreado das grandes cidades. Essa iniciativa pode não resolver de imediato o problema de megalópoles como São Paulo ou Nova York, mas com certeza faz parte de um movimento mundial de valorização das pessoas que daqui alguns anos será a regra e não a exceção.

Fotos de Hamilton-Baillie Associates e Urban Movement.

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Vicente Carvalho
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