Cobertura Hypeness

Fomos conferir a exposição da artista que vê bolas em tudo

por: João Diogo Correia

Infinite Obsession (“Obsessão Infinita”) é o nome da retrospectiva de mais de 60 anos de trabalho de Yayoi Kusama, artista japonesa que transformou uma doença em arte (já falamos no Hypeness sobre ela, relembre aqui e aqui). Vivendo desde 1977 em uma clínica psiquiátrica no Japão, devido à esquizofrenia e aos transtornos obsessivos compulsivos que teve durante a vida toda, Kusama continua produzindo pinturas, colagens, esculturas, vídeos e instalações com um denominador comum: a obsessão por bolinhas. Nós do Hypeness fomos ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Rio de Janeiro, conferir a exposição e damos a conhecer tudo o que rola por lá.

Desde a adolescência, o mundo de Yayoi Kusama é salpicado por bolinhas, que se espalham pelas paredes que a rodeiam, pelos tetos e pelo seu próprio corpo. Vítima de alucinações, as bolas são como uma abreviação, uma metáfora, para as visões psicodélicas da artista. A partir daí, Kusama cria um universo muito próprio, que reflete a personagem rebelde que sempre foi em público e em privado.

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Logo na entrada da exposição, bem no centro do CCBB, bolas gigantes refletem aquilo a que a artista chama de “obliteração”, a total eliminação dos traços. Um bom ponto de partida para o que viria depois.

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Conhecida por recriar vários ambientes alusivos à ideia de infinito, recorrendo ao uso de espelhos, Kusama tem na instalação abaixo uma de suas mais famosas obras: Sala de Espelhos Infinitos – Campo de Falos. Nela podemos ver o tecido estufado e costurado em formas fálicas, em um dos exemplos da sua “Obsessão Sexual”.

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Mais uma obra da série “Obsessão Sexual”, esta instalação inclui vestido, sapatos e mala fálica.

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De volta às bolinhas, Estou aqui, mas nada é uma sala escurecida com vários objetos comuns do dia-a-dia, desde os móveis à televisão, passando pela garrafa de vinho. Transformando essa cena doméstica em algo misterioso, Kusama joga com o nosso conceito de normalidade e acaba criando uma sensação perturbadora. O objetivo é mesmo esse – recriar o ambiente doméstico dos traumas e alucinações da artista japonesa.

Toda a sala é formada por adesivos fluorescentes, de várias cores e iluminados por lâmpadas de luz negra.

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Sala de Espelhos Infinitos – Cheio de Brilho da Vida é mais uma das instalações presentes no CCBB, em que, rodeado de espelhos e água, e por isso da sua própria figura, o visitante sente estar “em todo o lugar e em lugar nenhum”. É Kusama em uma intensa experiência de “desmaterialização e despersonalização”.

As luzes brilhantes vão mudando de cor, se apagando e acendendo sucessivamente, enquanto o visitante permanece na sala.

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Abaixo Walking on the Sea of the Death (“Andando sobre o Mar da Morte”), obra que apresenta um barco e remos cobertos por formas de gesso e algodão.

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Pra terminar a exposição, uma das preferidas dos visitantes. Na Sala de Bolas, a artista convida as pessoas a entrar na obra e a participar dela, cobrindo cada móvel e cada pedaço de parede de cores vivas.

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A exposição tem muito mais pra ver, mas infelizmente as fotografias não são permitidas. O que significa que vale a pena ir ao CCBB até ao dia 20 de janeiro (a entrada é franca), pra conhecer esta personagem absolutamente singular, multi-facetada e obsessiva, capaz de nos transportar para um universo só seu, marcado pelas alucinações, mas também pela forte veia feminista. O quadro abaixo (Women’s Life) é um exemplo disso mesmo.

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Hoje com 84 anos, e apesar do seu constante afastamento da cena comercial, Kusama continua sendo vista como uma das maiores artistas vivas do Japão. A retrospectiva do seu trabalho, no CCBB, mostra porquê.

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A exposição, que já passou pela Europa, entre Madri, Londres e Paris, segue em fevereiro pra Brasília, terminando o mini-tour brasileiro em São Paulo, de maio a julho de 2014.

*todas as fotos e informações foram recolhidas na exposição por João Diogo Correia, exclusivamente para o Hypeness.

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João Diogo Correia
É português, viveu no Brasil, Itália e Espanha. Fez a melhor viagem da sua vida pela África e agora está de volta a Portugal. Há mais de três anos, começou a trabalhar remotamente, a partir de casa ou em qualquer lugar com wi-fi, e por isso agradece todos os dias à internet.

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